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Redações nota mil do ENEM 2021: veja 5 exemplos!

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As redações nota mil do ENEM são ótimas bases de estudo, para você se inspirar, aprender e aprimorar sua escrita. Confira as melhores!

As redações nota mil do ENEM 2021 são um ótimo material de estudos para os participantes da prova. Mesmo que atingir mil pontos seja um desafio, a missão pode ficar bem mais fácil por meio de uma análise detalhada das Redações nota mil do ENEM 2021.

O ENEM é um exame que avalia as competências de leitura dos estudantes, suas habilidades de interpretar textos e diversos gêneros, e de refletir criticamente sobre os usos da língua e de outras linguagens. Além disso, um dos critérios presentes na avaliação é a redação de um texto dissertativo-argumentativo.

Assim, a redação do ENEM é moldada com base em cinco competências que delimitam as formas de avaliação dos textos. Ou seja, os avaliadores fazem a correção das redações com base nos cinco critérios disponibilizados pelo INEP.

A cada ano, milhares de participantes tentam alcançar uma boa pontuação nessa parte do exame. Entretanto, nem sempre é uma tarefa fácil. Nesse sentido, observar as redações nota mil do ENEM 2021 é uma ótima estratégia.

Desse modo, o CRIA selecionou cinco redações nota mil do ENEM 2021 com o intuito de mostrar, afinal, como é uma redação nota máxima. Continue conosco e boa leitura.

redacoes nota mil do enem 2021
As redações nota mil do ENEM 2021 são recursos valiosos para os estudantes entenderem como funciona a estrutura desse texto – Foto: Pexels.

Redações nota mil do ENEM 2021: como atingir a nota máxima?

Para atingir a nota máxima na redação do ENEM, é preciso conhecer as cinco competências consideradas pela banca corretora para avaliação.

Dentre as habilidades exigidas, o candidato deve demonstrar domínio da norma culta, estrutura composicional do gênero dissertativo-argumentativo, proposta de intervenção, etc.

De modo sucinto, podemos observar abaixo as cinco competências do ENEM:

Competência
1Domínio da escrita formal da Língua Portuguesa
2Compreender o tema e não fugir do que é proposto
3Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista
4Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5Respeito aos direitos humanos

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), órgão responsável pelo ENEM, divulga anualmente as redações que alcançaram a nota máxima em sua cartilha.

Assim, se quiser acessar na íntegra tanto as redações quantos os comentários a respeito de cada uma delas, é só conferir a cartilha de redação do ENEM.

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Como utilizar as redações nota mil para estudar?

“Você é a soma das suas influências”, já dizia o autor Austin Kleon em “Roube como um artista”. Não precisamos dizer que a cópia integral ou até mesmo o uso de modelos de redação pode ser penalizado pela banca corretora do ENEM.

Entretanto, utilizar redações nota mil do ENEM 2021 como recurso de estudo pode ser extremamente benéfico para aprimorar suas habilidades de escrita e compreender os critérios de avaliação do exame.

Assim, aqui estão algumas maneiras de aproveitar ao máximo as redações exemplares:

1. Leitura atenta:

Uma boa maneira de aproveitar as redações nota mil do ENEM 2021 é por meio da leitura geral. Então, leia as redações nota mil com atenção para entender como os temas são abordados, como as ideias são desenvolvidas e como a argumentação é estruturada.

2. Análise dos critérios de avaliação:

Identifique os critérios de avaliação utilizados pelo INEP. Então, compreender como as redações são avaliadas ajudará você a direcionar seus esforços para áreas específicas, como coesão, argumentação, proposta de intervenção, entre outros.

3. Identificação de estratégias de argumentação:

Observe como os autores constroem seus argumentos. Assim, identifique estratégias de argumentação, uso de evidências, exemplos e apresentação das teses.

4. Estudo da estrutura textual:

Analise a estrutura textual das redações, observando a elaboração das introduções, desenvolvimentos e conclusões. Desse modo, compreenda como manter a coesão ao longo do texto.

5. Vocabulário e expressões:

Preste atenção ao vocabulário utilizado nas redações nota mil. Observe expressões, conectivos e formas de introduzir variedade linguística.

6. Comparação com suas próprias redações:

Compare as redações modelo com suas próprias produções. Nesse sentido, identifique diferenças e semelhanças, e reflita sobre como você pode incorporar as boas práticas observadas nas redações nota mil em seus próprios textos.

Assim, as redações nota mil do ENEM 2022 ajudam – e muito – na jornada de estudos de qualquer participante do exame. Então, agora vamos observar as redações nota mil do ENEM 2021:

Redação 1: Pedro Henrique Rezende Machado

Introdução:

Para a filósofa estadunidense Nancy Fraser, o conceito de justiça social funde-se em duas frentes, sendo uma delas a do reconhecimento, referente à existência e à visibilidade de um determinado grupo ou indivíduo perante o poder público e a sociedade. Nesse viés, a fim do efetivo asseguramento da cidadania de seus indivíduos, o corpo estatal exige a materialização do existir de seus cidadãos mediante documentos oficiais, os quais proporcionam o acesso a prerrogativas e serviços que lhes cabem aos indivíduos registrados. No entanto, não raras são as ocasiões em que não há tais registros, o que levanta debates acerca da importância dos documentos civis e da devida regularização dos cidadãos à garantia de acesso à cidadania plena e, portanto, à visibilidade, no Brasil, embasados, sobretudo, na oportunidade de indivíduos alijados à sociedade ascenderem de condições de vida, somada à possibilidade de estes construírem ser verdadeiro “eu”. Tendo isso em vista, o Estado deve agir visando à facilitação e à democratização de tal processo civil.

Desenvolvimento 1:

De início, é notório o caráter indispensável do registro civil na promoção da cidadania, em especial, de indivíduos à margem da sociedade e da atuação do poder público, possibilitando sua ascensão social. Segundo o geógrafo Milton Santos, o Brasil vive um cenário de cidadanias mutiladas, em que, embora a Constituição preveja, de forma universal e indistinta, o acesso a prerrogativas, estas não são efetivamente consubstanciadas na prática, engendrando disparidades sociais baseadas, principalmente, no poder econômico dos membros da sociedade. Nesse contexto, pessoas em uma posição inferior de pirâmide social têm seus direitos renegados, em uma estrutura baseada no capital, restando ao Estado o dever de, ainda que parcialmente, complementar a iniciativa privada na oferta de serviços e de prerrogativas mercantilizadas, em busca de uma conjuntura de maior equidade social. Dessa forma, o registro civil, ao estabelecer a conexão indivíduo-poder público, permite que este atue de forma localizada e eficiente sobre comunidades ou cidadãos, com o fito de promover sua ascensão social, tendo o documento papel primordial nesse intermédio.

Desenvolvimento 2:

Além disso, já em um âmbito existencialista, a regularização do indivíduo, ao materializar sua existência, fornece um importante amparo na síntese de seu verdadeiro “eu”. Conforme o filósofo Jean Paul
Sartre, o homem é dotado de liberdade para construir sua essência, mediante tomadas de decisões, porém apenas quando sobre ela precede a existência humana. Nessa perspectiva, o fato de existir é imprescindível para que o cidadão, em seu íntimo, seja capaz de, ao longo de sua vivência, sintetizar quem ele realmente é, com toda a liberdade intrínseca a sua existência. Desse modo, o registro civil de uma família, por exemplo, permitirá que esta, sob um regime de supervisão e auxílio do Estado, seja atriz de sua própria história, definindo a essência de cada um de seus membros e sintetizando, de forma ativa, seu legado a gerações futuras, tornando-se mais visíveis a elas, ao corpo estatal e à sociedade como um todo, o que ressalta sua cidadania.

Conclusão:

Portanto, em vista dos benefícios inerentes ao registro civil e sua facilitação, no que se refere à cidadania, faz-se necessário que o Estado, através de parcerias entre as esferas federal, estadual e municipal, democratize a retirada de documentos cidadãos, por meio da construção de centros de registro e cartórios em zonas periféricas ou interioranas, os quais disponibilizem atendimento integral e direcionado a indivíduos de baixa renda que não tiveram a oportunidade de reivindicar seus documentos. A finalidade de tal ação é ampliar e garantir o acesso à cidadania plena no Brasil, já que esta só pode ser integralmente alcançada, na maioria dos casos, com, no mínimo, a certidão de nascimento, justamente por informar o poder público a respeito de sua existência como cidadão. Somente assim, poder-se-á construir um cenário de justiça social e de reconhecimento igualitário dos indivíduos perante o corpo social e estatal, universalizando prerrogativas e fazendo da sociedade uma instituição harmoniosa e, em seu conjunto, cidadã.

Redação 2: Gabriel Borges

Introdução:

Norberto Bobbio, cientista político italiano, afirma que a democracia é um processo que tem, em seu cerne, o objetivo de garantia a representatividade política de todas as pessoas. Para que o mecanismo democrático funcione, então, é fundamental apresentar uma rede estatal que dê acesso a diversos recursos, como alimentação, moradia, educação, segurança, saúde e participação eleitoral. Contudo, muitos brasileiros, por não terem uma certidão de nascimento, são privados desses direitos básicos e têm seus próprios papéis de cidadãos invisibilizados. Logo, deve-se discutir as raízes históricas desse problema e as suas consequências nocivas.

Desenvolvimento 1:

Primeiramente, vê-se que o apagamento social gerado pela falta de registro civil apresenta suas origens no passado. Para o sociólogo Karl Marx, as desigualdades são geradas por condições econômicas anteriores ao nascimento de cada ser, de forma que, infelizmente, nem todos recebam as mesmas oportunidades financeiras e sociais ao longo da vida. Sob esse viés, o materialismo histórico de Marx é válido para analisar o drama dos que vivem sem certificado de nascimento no Brasil, pois é provável que eles pertençam a linhagens familiares que também não tiveram acesso ao registro. Assim, a desigualdade social continua sendo perpetuada, afetando grupos que já foram profundamente atingidos pelas raízes coloniais e patriarcais da nação. Dessa forma, é essencial que o governo quebre esse ciclo que exclui, sobretudo, pobres, mulheres, indígenas e pretos.

Desenvolvimento 2:

Além disso, nota-se que esse processo injusto cria chagas profundas na democracia nacional. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é apresentada a história de uma família sertaneja que luta para sobreviver sem apoio estatal. Nesse contexto, os personagens Fabiano e Sinhá Vitória têm dois filhos que não possuem certidão de nascimento. Por conta dessa situação de registro irregular, os dois meninos sequer apresentam nomes, o que é impensável na sociedade contemporânea, uma vez que o nome de um indivíduo faz parte da construção integral da sua identidade. Ademais, as crianças retratadas na obra são semelhantes a muitas outras do Brasil que não usufruem de políticas públicas da infância e da adolescência devido à falta de documentos, o que precisa ser modificado urgentemente para que se estabeleça uma democracia realmente participativa tal qual aquela prevista por Bobbio.

Conclusão:

Portanto, o registro civil deve ser incentivado de maneira mais efetiva no país. O Estado criará um mutirão nacional intitulado “Meu Registro, Minha Identidade”. Esse projeto funcionará por meio da união entre movimentos sociais, comunidades locais e órgãos governamentais municipais, estaduais e federais, visto que é necessária uma ação coletiva visando a consolidação da cidadania brasileira. Com o trabalho desses agentes, serão enviados profissionais a todas as cidades em busca de pessoas que, finalmente, terão suas certidões de nascimento confeccionadas, além de receberem acompanhamento e incentivo para a realização de cadastro em outros serviços importantes do sistema nacional. Por conseguinte, o Brasil estará agindo ativamente para reparar suas injustiças históricas e para solidificar sua democracia, de maneira que os seus cidadãos sejam vistos igualmente.

Redação 3: Emanuelle Severino Gontijo Bouchinas

Introdução:

A cidadania, no contexto relativo à Grécia Antiga, era restrita aos homens aristocratas, maiores de vinte e um anos, que participassem do sistema político de democracia direta do período. Diferentemente dessa
conjuntura, a Carta Magna do Estado brasileiro, vigente na contemporaneidade, concede o título de cidadão do Brasil aos indivíduos nascidos em território nacional, de modo que a oficialização dessa condição está atrelada ao registro formal de nascimento. Nesse contexto, convém apresentar que, em virtude da ausência dessa documentação, diversas pessoas passam a enfrentar um quadro de invisibilidade frente à estrutura estatal e, com isso, são privadas da verdadeira cidadania no país.

Desenvolvimento 1:

Acerca dessa lógica, é necessário pontuar a dificuldade da parcela da população brasileira, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, no acesso ao procedimento de registro civil. Sob esse viés, destaca-se que, segundo relatório de 2019 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, condição que implica a existência de indivíduos tupiniquins detentores de rendas extremamente baixas, as quais, muitas vezes, não são suficientes para fornecer condições de vida dignas a essas pessoas. A essa linha de raciocínio, os limitantes recursos financeiros podem impossibilitar o deslocamento desses indivíduos até os cartórios, devido aos custos com transporte e, por conseguinte, impedir a realização do registro. Assim, a acentuada desigualdade social da nação dificulta a promoção da documentação pessoal, especialmente, para as classes sociais menos abastadas.

Desenvolvimento 2:

Além disso, é importante relacionar a falta de documentos de nascimento com o sentimento de invisibilidade desenvolvido pelos indivíduos sem registro, tendo em vista a privação dos direitos sociais, civis e políticos desencadeada pela problemática discutida. Sob essa óptica, somente a partir da certidão de nascimento, pode-se emitir as carteiras de identidade e de trabalho, bem como o título de eleitor e o cadastro de pessoa física. Nesse sentido, o acesso aos programas do governo, a exemplo do auxílio emergencial – assistência financeira concedida durante a pandemia da Covid-19 –, à seguridade social e ao exercício do voto dependem, diretamente, da existência do registro civil. Portanto, a ausência da documentação formal torna parte da população invisível socialmente, já que essas pessoas não podem beneficiar-se dos serviços e das garantias do Estado Democrático de Direito brasileiro.

Conclusão:

Diante do exposto, conclui-se que o registro civil é um aspecto intrínseco à cidadania no Brasil. Por
isso, o Governo Federal deverá propiciar a acessibilidade das populações mais carentes, que sofrem com a falta de acesso à documentação, a esse tipo de serviço, por meio da articulação de unidades móveis para os cartórios do país. No que tange a esse aspecto, os veículos adaptados transportarão os funcionários dos órgãos de registros até as áreas de menor renda “per capita” de seus respectivos municípios, um dia por semana, com o intuito de realizar o procedimento formal de emissão dos documentos de nascimento dos grupos sociais menos favorecidos economicamente. Desse modo, um maior número de brasileiros acessará, efetivamente, a condição de cidadão.

Redação 4: Giovanna da Silva Gamba Dias

Introdução:

Em sua obra “Os Retirantes”, o artista expressionista Cândido Portinari faz uma denúncia à condição
de desigualdade compartilhada por milhões de brasileiros, os quais, vulneráveis socioeconomicamente, são invisibilizados enquanto cidadãos. A crítica de Portinari continua válida nos dias atuais, mesmo décadas após a pintura ter sido feita, como se pode notar a partir do alto índice de brasileiros que não possuem registro civil de nascimento, fator que os invisibiliza. Com base nesse viés, é fundamental discutir a principal razão para a posse do documento promover a cidadania, bem como o principal entrave que impede que tantas pessoas não se registrem.

Desenvolvimento 1:

Com efeito, nota-se que a importância da certidão de nascimento para a garantia da cidadania se
relaciona à sua capacidade de proporcionar um sentimento de pertencimento. Tal situação ocorre, porque, desde a formação do país, esse sentimento é escasso entre a população, visto que, desde 1500, os países desenvolvidos se articularam para usufruir ao máximo do que a colônia tinha a oferecer, visando ao lucro a todo custo, sem se preocupar com a população que nela vivia ou com o desenvolvimento interno do país. Logo, assim como estudado pelo historiador Caio Prado Júnior, formou-se um Estado de bases frágeis, resultando em uma falta de um sentimento de identificação como brasileiro. Desse modo, a posse de documentos, como a certidão de nascimento, funciona como uma espécie de âncora para uma população com escasso sentimento de pertencimento, sendo identificada como uma prova legal da sua condição enquanto cidadãos brasileiros.

Desenvolvimento 2:

Ademais, percebe-se que o principal entrave que impede que tantas pessoas no Brasil não se
registrem é o perfil da educação brasileira, a qual tem como objetivo formar a população apenas como mão de obra. Isso acontece, porque, assim como teorizado pelo economista José Murilo de Carvalho, observa-se a formação de uma “cidadania operária”, na qual a população mais vulnerável socioeconomicamente não é estimulada a desenvolver um pensamento crítico e é idealizada para ser explorada. Nota-se, então, que, devido a essa disfunção no sistema educacional, essas pessoas não conhecem seus direitos enquanto cidadãos, como o direito de possuir um documento de registro civil. Assim, a partir dessa educação falha, forma-se um ciclo de desigualdade, observada no fato de o país ocupar o 9º lugar entre os países mais desiguais do mundo, segundo o IBGE, já que, assim como afirmado pelo sociólogo Florestan Fernandes, uma nação com acesso a uma educação de qualidade não sujeitaria seu povo a condições de precária cidadania, como a observada a partir do alto número de pessoas sem registro no país.

Conclusão:

Portanto, observa-se que a questão do alto índice de pessoas no Brasil sem certidão de nascimento
deve ser resolvida. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação reforce políticas de instrução da
população acerca dos seus direitos. Tal ação deve ocorrer por meio da criação de um Projeto Nacional de Acesso à Certidão, a qual irá promover, nas escolas públicas de todos os 5570 municípios brasileiros, debates acerca da importância do documento de registro civil para a preservação da cidadania, os quais irão acontecer tanto extracurricularmente quanto nas aulas de sociologia. Isso deve ocorrer, a fim de formar brasileiros que, cientes dos seus direitos, podem mudar o atual cenário de precária cidadania e desigualdade.

Redação 5: Fernanda Karolinne Quaresma Nunes

Introdução:

Em “Vidas secas”, obra literária do modernista Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar – é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.

Desenvolvimento 1:

Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de
pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.

Desenvolvimento 2:

Além disso, a falta do sentimento de cidadania na população não registrada reflete, também, na
manutenção de uma sociedade historicamente excludente. Tal questão ocorre, pois, de acordo com a análise da antropóloga brasileira Lilia Schwarcz, desde a Independência do Brasil, não há a formação de um ideal de coletividade – ou seja, de uma “Nação” ao invés de, meramente, um “Estado”. Com isso, o caráter de desigualdade social e exclusão do diferente se mantém, sobretudo, no que diz respeito às pessoas que não tiveram acesso ao registro oficial, as quais, frequentemente, são obrigadas a lidar com situações humilhantes por parte do restante da sociedade: das mais diversas discriminações até o fato de não poderem ter qualquer outro documento se, antes, não tiverem sua identificação oficial.

Conclusão:

Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está
diretamente ligada à exclusão social, é tempo de combater esse grave problema. Assim, cabe ao Poder
Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos,
ampliar o acesso aos cartórios de registro cívil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um
Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios
brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância
do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.

FAQ: Todas as suas dúvidas sobre a redação do ENEM 2021

As redações nota mil do ENEM 2021 são recursos valiosos para qualquer participante das edições do exame. Mas ainda existem diversas dúvidas sobre como alcançar boas notas ou até mesmo informações sobre essa edição de 2021 e demais anos.

Assim, confira abaixo algumas dúvidas comuns sobre as redações nota mil do ENEM 2021:

É possível tirar 980 na redação?

É uma tarefa desafiadora alcançar uma pontuação tão elevada, uma vez que os avaliadores consideram diversos critérios ao avaliar as redações. Entretanto, conhecendo as competências de redação do ENEM e treinando muito, é possível.

Qual foi o tema da redação ENEM 2021?

“Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil” é o tema de redação do ENEM 2021.

Quantas pessoas tiraram 1.000 na redação ENEM 2021?

Entre os números liberados pelo INEP, dos mais de 2,1 milhões de estudantes que fizeram as provas do ENEM em 2021, apenas 22 tiraram nota 1.000 na redação.

Quantas pessoas tiraram zero na redação do ENEM 2021?

Segundo o INEP, no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM2021, mais de 95 mil candidatos (4,31% do total) tiraram nota zero na redação.

Quantas pessoas tiraram 900 no ENEM 2021?

Em 2021, os participantes que atingiram a nota igual ou acima de 900 foi 3.989, ou seja, 7,76%.

O que todas as redações nota 1.000 têm em comum?

As redações com nota máxima no ENEM possuem o mesmo padrão, já que os elementos que o texto deve conter são pré-definidos. Ou seja, a redação precisa ter a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, não fugir o tema, proposta de solução, etc.

Entretanto, vale ressaltar que essas redações podem até mesmo ter algum desvio gramatical, mesmo que estes erros sejam uma exceção, e não uma recorrência. Assim, isso quer dizer que se você cometeu um erro ortográfico, por exemplo, ainda poderá atingir a nota mil se apresentar as demais exigências.

Por exemplo, em uma das redações nota mil em 2022, escreveu-se “meio-ambiente” com hífen, quando o correto é sem hífen.

Aprimore sua escrita com o CRIA

Agora que você conferiu 5 redações nota mil do ENEM 2021, é hora de praticar. Com isso, o CRIA pode te ajudar. Mas o que é o CRIA?

Projetado para ser um corretor de redações baseado em inteligência artificial e processamento de linguagem natural, o CRIA é uma ferramenta útil e simples de utilizar.

Assim, ele utiliza modelos de aprendizado de máquina gerados por meio de redações escritas por alunos reais e corrigidas por professores.

Então, através do modelo, o CRIA realiza a correção das redações seguindo os parâmetros gerais cobrados por diversos vestibulares.

redacoes nota mil do enem 2022
Agora o CRIA corrige suas redações de todos os vestibulares – Foto: CRIA.

Quais são as funcionalidades do CRIA?

  • Análise instantânea da redação;
  • Simulação da sua nota do ENEM por competência;
  • Identificação de desvios, todos marcados no seu texto;
  • Traz correções detalhadas por competência;
  • Histórico de progresso;
  • Fornece dados para melhorias na escrita, em texto e/ou avatar explicativo;
  • Plataforma gamificada, pode compartilhar com amigos e obter vantagens;
  • Professor olha as correções do CRIA e pode alterar conforme achar necessário, assim o CRIA sempre aprende com eles.
O CRIA, uma ferramenta de correção de redações com inteligência artificial, te ajuda a praticar para o ENEM — Vídeo: Reprodução.

Qual o passo a passo para utilizar o CRIA?

Após escolher o plano, seu acesso à plataforma será liberado. Então, você pode escolher um tema disponível no site ou enviar outro tema desejado.

Em seguida, escreva o texto na área indica e submeta para correção. Em até 2 minutos sua redação do ENEM estará corrigida conforme as 5 competências do ENEM.

Por fim, após realizar as correções indicadas, atualize a análise para obter um novo resultado.

inteligencia artificial para corrigir redacao
CRIA: corretor de redação por inteligência artificial — Foto: CRIA.

Acompanhe seu progresso

Após enviar as redações, é possível acessar outra ferramenta disponível para os alunos do CRIA: o gráfico com histórico de pontuação.

Assim, por meio dele, é possível visualizar de maneira clara as competências que precisam de mais atenção.

grafico de correcao de redacao interativo
Gráfico de correção de redação interativo — Foto: CRIA.

A quem o CRIA se destina?

  • Para os professores, visamos diminuir a sobrecarga e otimizar a gestão da turma;
  • Para os alunos, tornarmos o processo mais ágil, divertido, incentivando a prática constante.

Vamos começar? Então acesse aqui.

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