Gênero textual crônica: o que é e estrutura!

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O gênero textual crônica é um texto curto, derivado do grego chronos, que reflete sobre o cotidiano imediato e a realidade efêmera. Localizada entre o jornalismo e a literatura, ela se caracteriza pela subjetividade, linguagem acessível e tom confessional.

A imagem mostra um close-up de uma pessoa escrevendo em um caderno de capa preta ou marrom, aberto sobre uma superfície clara.

A crônica é um dos gêneros textuais mais frequentes em provas e vestibulares. Ela funciona como um “instantâneo” da vida, unindo o jornalismo e a literatura.

Derivada do grego chronos (tempo), a crônica tem uma ligação intrínseca com a efemeridade e com o cotidiano imediato. Se você precisa dominar este gênero para sua redação, este guia é fundamental.

O que define a Crônica?

A crônica se distingue de outros textos narrativos por seu foco na realidade e no tempo presente:

  • Temática Cotidiana: O assunto principal são eventos pequenos, observações triviais, situações do dia a dia (conversas na rua, uma fila, um fato noticioso recente).
  • Efemeridade: Seu valor é temporário, ligado ao momento em que é publicada, geralmente em jornais ou revistas. A crônica “envelhece” rapidamente.
  • Subjetividade e Tom Confessional: O autor insere seu ponto de vista, suas emoções e reflexões. É um texto marcadamente pessoal, frequentemente escrito na primeira pessoa.
  • Linguagem Acessível: Usa uma linguagem fluida, simples e coloquial (mas não vulgar), buscando a proximidade imediata com o leitor.
  • Breve Extensão: É um texto curto, concebido para ser lido em pouco tempo, mantendo a atenção do leitor em um único momento ou observação.

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A estrutura da Crônica:

Embora seja mais flexível que o conto, a crônica segue uma organização básica para conduzir o leitor da observação à reflexão:

  1. Introdução: Apresentação do fato, da cena ou da observação cotidiana que servirá de ponto de partida (o gatilho da crônica).
  2. Desenvolvimento: É o coração do texto. O cronista insere sua análise pessoal, sua crítica ou seu sentimento em relação ao fato apresentado. É a transformação do trivial em reflexão.
  3. Conclusão: Finalização do texto com uma reflexão final, uma tirada de humor, uma moral sutil, ou um toque poético, amarrando a observação inicial ao pensamento desenvolvido.

Os tipos de Crônica:

A classificação da crônica varia de acordo com o tom e o objetivo do autor:

  • Crônica Jornalística: Trata de um fato atual ou notório, mas o aborda com subjetividade, indo além da simples informação.
  • Crônica Humorística: Utiliza a ironia, o sarcasmo e a sátira para criticar costumes sociais ou políticos, usando o riso como ferramenta de reflexão.
  • Crônica Lírica: Foca na emoção e na experiência interior do cronista. É poética, sentimental e valoriza a expressão da subjetividade.
  • Crônica Narrativa: Se aproxima do conto ao relatar uma sequência de fatos ou descrever um personagem, mas mantém a ligação com o cotidiano e a efemeridade.

Dicas para Mandar Bem na Crônica do Vestibular

Se a proposta de redação pedir uma crônica, lembre-se:

  • Olhar Crítico: Treine seu olhar para transformar o ordinário em extraordinário. O cronista enxerga poesia no caos.
  • Posicionamento (Subjetividade): Não se esconda. Use a primeira pessoa e insira sua voz. A qualidade do texto está na originalidade do seu olhar.
  • Diferencie-se do Conto: Evite um final com clímax. A crônica deve se encerrar com a reflexão, não com a surpresa.

Grandes nomes como Rubem Braga, Fernando Sabino e Rachel de Queiroz dominavam essa arte de capturar o instante. Estude seus textos e pratique seu próprio olhar sobre o cotidiano.

Proposta de redação UNICAMP 2020 – 2ª fase

Você é um(a) escritor(a) que publica uma crônica em uma revista semanal. Sempre se viu como uma pessoa livre de preconceitos e sempre apoiou a igualdade de gêneros. Hoje, porém, ao ler uma matéria no El País, você se deu conta de que, certa vez, vivenciou um episódio em que considerou normal uma das atitudes listadas nessa matéria, as quais, segundo Ianko López, revelam o micromachismo enraizado em nossa sociedade. Diante da sua tomada de consciência, você decidiu que esse será o tema da sua crônica desta semana. Identificou, então, entre as atitudes listadas (excerto 1) a que corresponde à situação que você vivenciou. Em sua crônica, você deve, tal como fez Chimamanda Ngozi Adichie (excerto 2): a) narrar o episódio vivenciado por você, b) relacioná-lo à atitude micromachista escolhida e c) expor suas reflexões sobre os sentimentos que o reconhecimento dessa atitude despertou em você.

Crônica é um gênero textual que aborda temas do cotidiano. Normalmente é veiculada em jornais e revistas. O cronista trata de situações corriqueiras sob uma ótica particular.

Para redigir o seu texto, leve em conta os excertos apresentados a seguir.
1) As atitudes machistas mais flagrantes são claras para nós. Aquelas que, de forma manifesta e constante, colocam a mulher em uma posição inferior ao homem em contextos sociais, econômicos, jurídicos e familiares. Aquelas que consideram que o homem e a mulher nascem com objetivos e ambições diferentes na vida. No entanto, apesar das reivindicações históricas dos anos 1970 e da crescente conscientização em relação ao machismo em todos os âmbitos culturais e políticos nos últimos anos, há pequenos resquícios que continuam interiorizados em muitos de nós. São sequelas da nossa educação e dos produtos culturais que nos formaram como pessoas e que fazem com que, apesar de criticarmos e denunciarmos o machismo, ainda possamos cair em algumas de suas armadilhas sem perceber. O micromachismo, como vem sendo chamado nos últimos cinco anos, se manifesta em formas de discriminação muito sutis que acontecem todos os dias, até mesmo nos ambientes mais progressistas. Segue uma lista baseada em exemplos que demonstram que talvez tenhamos entendido o grosso das reivindicações feministas, mas ainda precisamos ler as letras miúdas.

  1. Achei necessário explicar algo a uma mulher sem que ela me pedisse, pelo simples fato de ser mulher.
  2. Comentei com um amigo que ficou cuidando dos filhos: “Hoje te deixaram de babá.”
  3. Perguntei a uma mulher se ela estava “naqueles dias” quando me respondeu com indiferença ou desprezo.
  4. Disse que “ajudo” nas tarefas do lar, subentendendo que esse é um trabalho da mulher em que eu estou
    ajudando, e não participando em condições de igualdade.
  5. Em meu trabalho ou entre amigos, só chamo os homens para jogar futebol, pressupondo que as mulheres não
    querem jogar.
  6. Perguntei a uma mulher quando vai ter filhos, mas nunca perguntei o mesmo a um homem.
  7. Pago todos os meus jantares com mulheres acreditando que é o que se espera de mim.
  8. Descrevi uma mulher como “pouco feminina”.
  9. Usei a palavra “provocante” para descrever a roupa de uma mulher.
  10. Comentei que “essas não são formas para uma moça falar.”
  11. Na televisão, aprecio homens ácidos e divertidos e mulheres bonitas.
  12. Fiz o comentário “Ela é uma mulher forte”, subentendendo que as mulheres, em geral, são fracas.
  13. Deixo meu filho adolescente ficar na rua até as 3 da madrugada, mas obrigo minha filha a voltar antes da meia noite.

(Adaptado de Ianko López, Micromachismos: se é homem e faz alguma destas coisas, deve repensar seu comportamento. Disponível em El País. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/07/politica/1520426823_220468.html. Acessado em 28/06/2019.)

2) Quando eu estava no primário, em Nsukka, uma cidade universitária no sudeste da Nigéria, no começo do ano letivo, a professora anunciou que iria dar uma prova e quem tirasse a nota mais alta seria o monitor da classe. Ser monitor era muito importante. Ele podia anotar, diariamente, o nome dos colegas baderneiros, o que por si só já era ter um poder enorme; além disso, ele podia circular pela sala empunhando uma vara, patrulhando a turma do fundão. É claro que o monitor não podia usar a vara. Mas era uma ideia empolgante para uma criança de nove anos, como eu. Eu queria muito ser a monitora da minha classe. E tirei a nota mais alta. Mas, para minha surpresa, a professora disse que o monitor seria um menino. Ela havia se esquecido de esclarecer esse ponto, achou que fosse óbvio. Um garoto tirou a segunda nota mais alta. Ele seria o monitor. O mais interessante é que o menino era uma alma bondosa e doce, que não tinha o menor interesse em vigiar a classe com uma vara. Mas eu era menina e ele, menino, e ele foi escolhido. Nunca me esqueci desse episódio. Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens. Eu tendo a cometer o erro de achar que uma coisa óbvia para mim também é óbvia para todo mundo. Um dia estava conversando com meu querido amigo Louis, que é um homem brilhante e progressista, e ele me disse: “Não entendo quando você diz que as coisas são diferentes e mais difíceis para as mulheres. Talvez fosse verdade no passado, mas não é mais. Hoje as mulheres têm tudo o que querem.” Oi? Como o Louis não enxergava o que para mim era tão óbvio?

(Adaptado de Chimamanda Ngozi Adichie. Sejamos todos feministas. Tradução de Christina Baum. São Paulo: Companhia da Letras, 2015, p. 15-17.)

Exemplo de crônica para redação:

Sempre me considerei alguém livre de preconceitos. Leio, compartilho textos sobre igualdade e me indigno com atitudes machistas explícitas. Por isso, ao ler uma matéria no El País sobre micromachismos, senti um desconforto inesperado: reconhecimento.

Entre as atitudes listadas, uma frase simples me atingiu — “disse que ‘ajudo’ nas tarefas do lar”. Lembrei-me, então, de uma noite comum, após o jantar, quando disse à minha companheira, com naturalidade: “Hoje eu te ajudo a lavar a louça”.

Naquele momento, a frase pareceu correta, até gentil. Hoje entendo o problema. Ao dizer que ajudava, eu pressupunha que a responsabilidade era dela e que minha participação era um favor, não um dever compartilhado. Sem perceber, reforçava uma divisão desigual que sempre critiquei em teoria.

O mais inquietante foi constatar que não houve má intenção. Era apenas um hábito linguístico, herdado, normalizado. Como no episódio narrado por Chimamanda Ngozi Adichie, aquilo que se repete passa a parecer natural — e, assim, deixa de ser questionado.

Reconhecer essa atitude despertou em mim uma vergonha produtiva. Não a que paralisa, mas a que ensina. Aprendi que o machismo nem sempre grita; muitas vezes sussurra em palavras banais. Desde então, não “ajudo” mais em casa. Eu faço. E sigo aprendendo a ler, com mais atenção, as letras miúdas do cotidiano.

Perguntas frequentes:

O que significa a palavra “crônica”?

A palavra “crônica” deriva do grego chronos, que significa tempo, indicando a forte ligação do gênero com a efemeridade e o cotidiano imediato.

Qual é a principal diferença entre crônica e conto?

A crônica se prende ao cotidiano e ao tempo presente, focando em fatos recentes com um olhar subjetivo, enquanto o conto é uma narrativa de ficção mais densa, exigindo um clímax e um desfecho definidos.

A crônica precisa ser escrita em primeira pessoa?

Geralmente, sim. O uso da primeira pessoa (“eu”) é frequente, pois ele é fundamental para reforçar a subjetividade, o tom confessional e o ponto de vista pessoal, que são características essenciais do gênero.

O que devo evitar ao escrever uma crônica para o vestibular?

Você deve evitar a linguagem puramente objetiva, o tratamento superficial dos fatos e, principalmente, a criação de um clímax ou desfecho de surpresa (que é típico do conto), pois a crônica deve se encerrar com a reflexão.

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