A homofobia é uma barreira estrutural que afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, manifestando-se através do medo, ódio ou discriminação contra quem desafia a cisheteronormatividade. Mais do que um preconceito individual, ela se infiltra em instituições, na cultura e até na percepção que o indivíduo tem de si mesmo.
Para o estudante, compreender as raízes e as faces desse fenômeno é essencial não apenas para o exercício da cidadania, mas para construir um repertório sociocultural sólido e crítico para os vestibulares. Neste guia do CRIA, exploramos as definições, os tipos de homofobia e como o apoio social e políticas inclusivas podem transformar essa realidade.
O que é homofobia?
A definição de homofobia é o medo, o ódio, o desconforto ou a desconfiança em relação a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e outros indivíduos que se identificam e fazem parte da comunidadeLGBTQIAP+.
Além disso, a homofobia pode assumir muitas formas diferentes, incluindo atitudes e crenças negativas, aversão ou preconceito contra estas pessoas.
Assim, este preconceito pode estar enraizado em crenças religiosas conservadoras e/ou ensinadas pelos familiares, sendo também uma questão cultural.
Dessa forma, um ponto importante é que a discriminação pode partir de instituições religiosas, empresas ou até por outras instituições da sociedade. Por exemplo: casais do mesmo sexo que não podem se casar, serem demitidos legalmente apenas por serem LGBTQ+ ou não terem permissão para entrar e frequentar em determinados espaços.
Nesse sentindo, se você é estudante e planeja estudar para o ENEM ou outro vestibular, precisa conhecer mais sobre repertório sociocultural sobre homofobia.
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5 filmes sobre diversidade sexual para combater a homofobia
O cinema desempenha um papel importante na quebra de estereótipos, na promoção da compreensão e na luta contra a homofobia, principalmente quando se trata da representação da diversidade sexual.
Neste contexto, a seleção de filmes que abordam a diversidade sexual nos leva a não apenas nos divertir, mas também nos faz pensar sobre questões importantes como aceitação, identidade e amor.
Então, confira abaixo 5 filmes sobre diversidade sexual para aumentar seu repertório sociocultural sobre Homofobia:
1. Moonlight: Sob a Luz do Luar (2017)
O segue a vida de um jovem negro chamado Chiron em três estágios de sua vida: infância, adolescência e idade adulta. Assim, criado em um bairro difícil de Miami, Chiron luta para encontrar sua identidade e lidar com sua sexualidade enquanto navega pelas complexidades de sua vida.
Onde assistir? Prime Video.
2. Retrato de uma jovem em chamas (2019)
O filme se passa na França do século XVIII e segue a história de Marianne, uma jovem pintora contratada para pintar o retrato de Héloise, uma noiva que se recusa a posar para a pintura de casamento encomendada por sua mãe.
Então, Marianne é contratada para pintar Héloise em segredo, observando-a durante o dia e pintando-a à noite. Conforme Marianne e Héloise passam tempo juntas, uma conexão profunda se desenvolve entre elas, levando a um romance proibido e intenso.
Onde assistir? Globoplay.
3. Pedágio (2023)
“Pedágio“ é um filme brasileiro que mergulha nas complexidades das relações humanas e sociais, explorando questões de identidade, preconceito e aceitação.
A trama gira em torno de um grupo diversificado de personagens que se encontram em uma estrada remota, onde um pedágio serve como ponto de encontro e conflito.
Além disso, entre os personagens principais estão um casal LGBTQ+ em busca de aceitação, um imigrante em busca de um novo começo e um trabalhador rural em conflito com suas próprias crenças.
Onde assistir? Apple TV.
4. Uma Mulher Fantástica (2017)
O enredo segue a jornada de Marina Vidal, uma mulher transgênero e cantora, que enfrenta uma série de desafios após a trágica morte de seu companheiro mais velho.
Diante do luto e da dor, Marina é confrontada com a intolerância e a hostilidade de uma sociedade que não aceita sua identidade de gênero.
Onde assistir? Netflix.
5. Benedetta (2021)
A trama se desenrola em um convento na Itália durante uma época de intensa fervor religioso e turbulência política. Benedetta, uma freira carismática e visionária, é assombrada por visões divinas e estigmatizada pelos estigmas de Cristo.
Desse modo, sua vida toma um rumo inesperado com a chegada de Bartolomea, uma noviça misteriosa, interpretada por Daphne Patakia, com quem Benedetta desenvolve uma relação intensa e proibida.
Onde assistir? Telecine.
Repertório sociocultural sobre Homofobia: tipos de homofobia
A homofobia é um fenômeno complexo e multifacetado que permeia diversas esferas da sociedade, manifestando-se de formas distintas e muitas vezes sutis.
Para compreender sua amplitude, é fundamental explorar os diferentes tipos de homofobia que se manifestam na sociedade contemporânea: a homofobia institucional, a homofobia internalizada e a homofobia cultural.
Cada uma dessas formas de discriminação e preconceito contra pessoas LGBTQIA+ possui características específicas e impactos singulares na vida dos indivíduos e na sociedade como um todo.
Homofobia institucional
O medo da homossexualidade em nossa sociedade é evidente como discriminação. Desse modo, os governos, estruturas, igrejas e outras instituições e organizações discriminam os jovens desta comunidade de várias maneiras.
Exemplos explícitos disto são as políticas e legislações que impedem homossexuais de se casarem ou de não serem considerados parentes mais próximos de um parceiro em leito de morte, ou aposentadoria pode não ir para o parceiro sobrevivente do mesmo sexo.
Além disso, coleta oficial de dados que ignora a orientação sexual como categoria é uma forma mais sutil de homofobia institucional.
Homofobia internalizada
Homofobia internalizada é o auto-ódio de uma pessoa homossexual sobre sua própria sexualidade. A pessoa acredita que sentimentos de atração pelo mesmo sexo são ruins, pecaminosos, imorais ou repugnantes.
Então, para a pessoa heterossexual, isso pode se manifestar como o medo de ser percebido pelos outros como homossexual e resulta na tentativa de ‘provar’ e constante reafirmação de sua heterossexualidade.
Homofobia cultural
Entende-se homofobia cultural as normas sociais que implicam que a heterossexualidade é “melhor” e que todos são ou deveriam seguir e/ou se adequar aos padrões de heteronormatividade.
Além disso, a mídia perpetua a heterossexualidade como norma ao não pré-selecionar ou representando a visão homossexual, por exemplo, através da televisão, em que a maioria dos personagens são considerados heterossexuais.
Como a homofobia é transmitida?
Já entendemos o que é a homofobia. Entretanto, como é, de fato, transmitida no dia a dia? Existem diversas formas, desde a violência explícita, até brincadeiras, falas cotidianas, piadas e expressões que carregam o preconceito.
Assim, confira abaixo exemplos de como a homofobia se dá, listado pela Universidade de Edimburgo:
- “Brincar” dizendo que algo (uma ação, um item, uma pessoa) percebido como negativo de alguma forma é “gay” (por exemplo, “isso é tão gay”).
- Alguém elogiando outra pessoa do mesmo sexo e depois garantindo-lhe que “não se preocupe, não sou gay”, insinuando que isso seria negativo/ruim.
- Supor que alguém está em um relacionamento heterossexual (por exemplo, perguntar a uma mulher “então você tem namorado/marido?”) é um exemplo de estereótipo heteronormativo.
- “Ah, você não parece ser gay/lésbica/bi/queer” – isso se baseia em estereótipos prejudiciais sobre pessoas LGBT+ e implica erroneamente que você pode “identificar” a orientação sexual de alguém pela aparência.
- Sugerir que pessoas LGBT+ são sexualmente “desviantes” ou perigosas com base, ou por causa de sua orientação sexual, ou identidade de gênero.
- “É apenas uma fase” – dizer isto descarta e prejudica as experiências e/ou sentimentos de alguém sobre a sua própria sexualidade e identidade, o que pode ser perturbador. Algumas pessoas sentem que a sexualidade e o gênero são fluidos, mas isso não significa que seja aceitável descartar a orientação sexual de outra pessoa como uma “fase”.
Reduzindo os efeitos do estigma e da discriminação
Pessoas LGBTQIAP+ e os seus familiares e amigos podem tomar medidas para diminuir os efeitos da homofobia, do estigma e da discriminação e proteger a sua saúde física e mental.
Desse modo, uma forma de lidar com o stress do estigma e da discriminação é ter apoio social. Estudos mostram pessoas fora do espectro cisheteronormativo que têm um bom apoio social – da família, dos amigos e da comunidade gay em geral – têm:
- Maior autoestima;
- Uma identidade de grupo mais positiva;
- Saúde mental mais positiva.
O que escolas podem fazer para diminuir a homofobia?
As escolas também podem ajudar a reduzir o estigma e a discriminação. Assim, um ambiente escolar positivo está associado a menos depressão, menos sentimentos suicidas, menor consumo de substâncias e menos faltas escolares injustificadas entre os estudantes LGBTQIAP+.
Desse modo, as escolas podem ajudar a criar ambientes mais seguros e de maior apoio, prevenindo o bullying e o assédio, promovendo a ligação escolar e promovendo o envolvimento dos pais. Isso pode ser feito por meio das seguintes políticas e práticas:
- Incentivar o respeito por todos os alunos e não permita intimidação, assédio ou violência contra nenhum aluno;
- Certifique-se de que as aulas de saúde ou os materiais educacionais incluam informações sobre HIV e DST que sejam relevantes também para jovens LGBTQIAP+, certificando-se de que as informações utilizem palavras ou termos inclusivos.
- Incentivar os profissionais de educação a criar e divulgar formações sobre como criar ambientes escolares seguros e de apoio para todos os alunos, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero.
Perguntas frequentes:
A homofobia é o medo, ódio ou desconfiança em relação a pessoas LGBTQIAP+. Ela assume diversas formas, desde atitudes negativas e crenças religiosas conservadoras até a exclusão de espaços sociais e demissões injustificadas.
Ela ocorre através de microagressões e estereótipos, como usar a palavra “gay” como insulto, tratar a sexualidade como “uma fase” ou sugerir que pessoas LGBT+ são perigosas. Também se manifesta ao supor que todos estão em relacionamentos heterossexuais.
Escolas podem criar ambientes seguros proibindo o bullying, oferecendo materiais educativos inclusivos sobre saúde e treinando profissionais para acolher alunos independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
O apoio social de amigos, familiares e da comunidade é fundamental para aumentar a autoestima e garantir uma saúde mental positiva para pessoas fora do espectro cisheteronormativo.
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