A resposta interpretativa é um gênero textual que permite aos autores expressarem suas próprias interpretações e análises críticas sobre obras culturais, eventos ou conceitos. Assim, contribui para um diálogo mais amplo.
Embora sua característica principal seja a interpretação, a argumentação é a sustentação das ideias apresentadas. Então, é através de seus argumentos que se permite a condução da banca corretora ou leitor do texto por sua interpretação.
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O que é gênero textual resposta interpretativa?
Escrever uma resposta interpretativa tem um objetivo claro: responder a uma pergunta, detalhando o que foi interpretado sobre o assunto solicitado. Assim, esse gênero exige algumas habilidades específicas, como de compreensão, interpretação e argumentação.
Nesse sentido, a capacidade de compreender e discutir um texto, incluindo conexões com outros assuntos, é fundamental para interpretar um texto.
Além disso, envolve a análise e compreensão ideias apresentadas no texto, bem como a capacidade de relacioná-las ao contexto mais amplo em que estão inseridas.
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Qual o objetivo do gênero textual resposta interpretativa?
De modo geral, o parágrafo que compõe uma resposta escrita geralmente inclui uma tese, dados e considerações que vinculam uma ideia específica.
Desse modo, o objetivo principal de apresentar uma interpretação é que ela seja aceita, de forma que o parágrafo interpretativo possa ter uma característica persuasiva e afirmativa, ou seja, uma declaração.
Como devem ser os parágrafos?
Além disso, os parágrafos devem ser curtos para evitarem comentários excessivos na introdução. Então, isso significa que sua produção deve ser bem estruturada e organizada, ainda mais pela limitação de linhas que existe nas provas vestibulares.
Escolha dos argumentos
Ao escolher argumentos, certifique-se de escolher aqueles que tenham certeza de que sejam pertinentes ao assunto. Assim, escolha argumentos que podem facilmente ser corroborados para evitar mais explicações e exemplos.
Coesão entre frases e parágrafos
Segundo Ana Maria da Silva, o aspecto linguístico do texto em questão é a coesão, pois, embora o texto seja curto, as ideias precisam ser coerentes.
Portanto, os pronomes, as palavras-chave, as expressões sintetizadoras e as expressões de transição, entre outras formas, servem como referências anafóricas e catafóricas.
Já em relação à conexão de parágrafos, é interessante utilizar conectivos de transição. Essas expressões podem representar conceitos como causa ou efeito, exemplificação, concessão, contraste, reafirmação ou resumo, ligação temporal e muito mais.
Planejamento textual da sua resposta interpretativa:
- Ler o enunciado e identificar as informações solicitadas;
- Ler o texto-base e selecionar as informações solicitadas no item 1;
- Verificar a possibilidade de expandir as informações do texto-base com seu repertório sociocultural (sem fugir ao tema).
Dicas para redigir a resposta interpretativa
- Retomar o enunciado (caso sejam duas ações distintas, retome ambas)
- Retomar a informação selecionada no enunciado;
- Analisar a informação, interpretando-a conforme o que é pedido e expandindo-a a partir do seu repertório.
Exemplo de proposta de redação da resposta interpretativa
O Vestibular de Verão da Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 2008 propôs aos candidatos a produção do gênero textual resposta interpretativa.
De modo geral, esse gênero foi solicitado outros anos, sendo bem comum na instituição. Assim, confira abaixo a proposta da universidade:
Vestibular Verão/2008 UEM:
Texto-base:
Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calúnia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas desse mundo.
(KOLODY, Helena. Viagem no espelho e vinte e um poemas inéditos. Curitiba-PR: Criar Edições, 2001)
Proposta de redação:
O poema de Helena Kolody apresenta algumas funções dos sonhos mostradas nos fragmentos da coletânea. Redija, em até 15 linhas, uma resposta interpretativa, que indique quais são as funções dos sonhos presentes no poema e relacione, pelos menos, duas delas com os fragmentos dos textos da coletânea.
Exemplo de gênero textual resposta interpretativa:
A seguir, há um exemplo de redação produzida para essa proposta disponibilizada na monografia de Ana Maria da Silva:
Helena Kolody apresenta em seu poema algumas funções dos sonhos a saber: alerta do inconsciente, fuga da realidade e estímulo ao processo criativo.
Na primeira estrofe, a autora afirma que sonhar é ambicionar o céu e dominar o espaço, caracterizando o que a psicóloga Tatiana Vasconcelos Cordeiro chama de “alternativas para a consciência”, sugeridas pelo inconsciente aos complexos, que por meio do egocentrismo do sonho descrito, acabam compensados.
Já a fuga da realidade pode ser observada nas segunda e ultima estrofes, onde a autora afirma, respectivamente, fugir ao mundo e encastelar-se em um sonho bom e ter um grande ideal em seus sonhos. As passagens referidas se enquadram na afirmação de Kwasisnki, psicólogo e professor de mitologia, de que no dia-a-dia, temos que nos enquadrar nos padrões da sociedade, mas nos sonhos podemos nos mostrar.
Na terceira estrofe, fica evidente o estímulo a criatividade durante os sonhos, como no fragmento: “É ver no lago um mar”. Tal função é explicada pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor científico do Instituto Internacional de Neurociência Edmond e Lily Safra. Ele afirma que durante o sono, as memórias interagem, estimulando a criatividade.
Análise da resposta interpretativa
A habilidade de escrever uma resposta interpretativa eficaz é fundamental em diversas áreas acadêmicas e profissionais.
Desse modo, seja em análises literárias, interpretação de dados ou resolução de problemas complexos, a capacidade de compreender e comunicar de forma clara e persuasiva é uma competência valiosa.
Então, confira a seguir uma análise da resposta interpretativa:
- Retome a proposta de redação. Lembre-se que esse gênero é uma resposta e, assim, deve responder o solicitado.
Exemplo:
“Helena Kolody apresenta em seu poema algumas funções dos sonhos a saber: alerta do inconsciente, fuga da realidade e estímulo ao processo criativo.”
- O segundo aspecto da estrutura do gênero é a apresentação dos dados que afirmam e apoiam a tese expressa na afirmação da questão.
Exemplo:
“alerta do inconsciente, fuga da realidade e estímulo ao processo criativo”
- A interpretação com elementos do texto interpretado, que confirma a afirmação inicial e confirma a ideia apresentada sobre os dados, é o terceiro componente da estrutura da resposta interpretativa.

Como resultado, o diagrama mostra a estrutura da resposta interpretativa que consiste em quatro parágrafos. Então, o primeiro parágrafo apresenta a ideia principal que será desenvolvida nos parágrafos subsequentes, sem a necessidade de uma introdução.
Perguntas frequentes:
É um texto curto onde você responde a uma pergunta específica expressando sua interpretação crítica. Exige uma análise fundamentada em tese e argumentos, indo além do simples resumo.
Responder ao enunciado de forma persuasiva e afirmativa. O autor deve provar que sua interpretação é válida através de dados, exemplos e uma estrutura bem organizada.
Os parágrafos devem ser curtos e diretos. Como o espaço nos vestibulares é limitado (geralmente 15 linhas), deve-se evitar introduções longas e focar na resposta imediata à proposta.
Utilize conectivos de transição (causa, contraste, resumo) e referências como pronomes e palavras-chave. Isso garante que as ideias fiquem ligadas de forma lógica e coerente, mesmo em textos pequenos.
Identifique o que o enunciado pede, selecione informações do texto-base e relacione-as ao seu repertório sociocultural. O segredo é retomar a pergunta logo no início e expandi-la com análise crítica.
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