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Gênero textual carta pessoal: estrutura, objetivos

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A carta pessoal estabelece uma comunicação escrita entre duas pessoas que se relacionam em nível pessoal e/ou emocional. Veja como fazer uma!

Em um mundo cada vez mais dominado pela comunicação digital e instantânea, a carta perdeu muito espaço. Entretanto, o gênero textual carta pessoal ainda é cobrado em diversos vestibulares. Por isso, é fundamental que os estudantes compreendam sua estrutura e seus objetivos.

A carta foi uma das primeiras formas textuais que permitiram interações à distância na história da comunicação mediada pela escrita.

Assim, por muito tempo, as cartas foram – e continuam a ser – um meio de comunicação entre as pessoas, percorrendo longas distâncias e quebrando as barreiras físicas da comunicação. Isso apesar do surgimento de práticas mais velozes e modernas, como o e-mail.

Embora o e-mail tenha se tornado a forma mais comum de comunicação mais formal e além de outras formas mais rápidas, como mensagem de textos, a carta pessoal ainda é cobrada por muitos vestibulares.

Então, confira como funciona o gênero textual carta pessoal com o CRIA. Continue conosco e boa leitura.

genero textual carta pessoal
O gênero textual carta pessoal é flexível em sua estrutura e pode ser adaptada de acordo com a preferência do remetente e o relacionamento com o destinatário – Foto: Freepik.

O que é o gênero textual carta pessoal?

Cartas pessoais são tipos de texto caracterizados por uma comunicação escrita entre duas pessoas, que se relacionam pessoal ou emocionalmente.

Então, é um tipo de correspondência no qual o remetente comunica seus pensamentos, sentimentos, experiências ou notícias de forma mais pessoal e informal do que em outros tipos de comunicação escrita, como e-mails ou mensagens de texto.

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Qual o objetivo da carta pessoal?

O objetivo da carta pessoal pode variar amplamente, podendo compartilhar novidades, expressar emoções, manter contato com amigos ou familiares distantes, oferecer apoio emocional, fazer perguntas, compartilhar histórias ou simplesmente manter o contato regular.

Qual deve ser o tom da carta pessoal?

O tom da carta pessoal geralmente é informal e amigável, refletindo o relacionamento entre o remetente e o destinatário. Além disso, pode incluir expressões de afeto, humor, ternura ou outros elementos que são característicos do estilo de comunicação entre as duas pessoas.

Estrutura do gênero textual carta pessoal

Embora a estrutura de uma carta pessoal possa variar conforme o estilo e o propósito da carta, a estrutura normalmente segue uma estrutura geral. Assim, aqui está um exemplo típico de como uma carta pessoal pode ser estruturada:

Cabeçalho:

Local e data

Saudação:

Vocativo, (Caro/a; Querido/a)

Corpo da carta:

Saudação. + Contexto que motivou a redação da carta + apresentar o papel pessoal. + Apresentação do objetivo (conferir comando).

Desenvolvimento do objetivo (detalhar o máximo, conforme a ação solicitada no comando + diálogo com o interlocutor).

Conclusão:

Fim do desenvolvimento + diálogo com o interlocutor. + finalização da carta com reforço do objetivo.

Despedida
Assinatura

Exemplo de carta pessoal

A carta pessoal pode ser escrita à mão ou digitada, dependendo das preferências do remetente e das conveniências do meio de comunicação.

Independente do formato, o conteúdo da carta pessoal geralmente é sincero e pessoal, destinado a fortalecer os laços emocionais entre o remetente e o destinatário.

Carta de Fernando Sabino para Clarice Lispector, disponível no Instituto Moreira Salles.

Nova York, 10 de junho de 1946

Clarice,

Esta é a quarta carta que inicio para responder a sua. A primei­ra eu deixei no Brasil, só trouxe a primeira página, que vai junto. A segunda eu rasguei. A terceira eu não acabei, vai jun­to também. Hoje recebi uma carta do Paulo [Mendes Campos], dizendo que não tinha mandado até agora a resposta dele. Positivamente somos uns cachorros irremediáveis. Você por favor não ligue para isso não. Pode ter certeza de que não te esquecemos. Ainda ontem me lembrei muito de você, porque um america­no me perguntou se o meu relógio era suíço. A Suíça existe mesmo? Serão daí mesmo os queijos suíços? Me escreva, Clarice, sou tão cínico que te peço para me escrever, me res­ponder com a pontualidade e a presteza que não tenho, con­tando tudo, suas aventuras e desventuras nessa poética Seminarstrasse. Do Brasil não posso te contar nada, senão o que o Paulo me contou hoje na carta dele: que o Pajé tem tomado aos domingos porres gigantescos, colossais.

[…]

Daqui de Nova York não posso te contar nada além do que você calcula. Outro dia abri um livro do Erico Verissimo sobre literatura brasileira escrito aqui, mesmo na página em que ele fazia uma referência a você. Tenho sentido muita fal­ta de seu livro que deixei no Brasil, para plagiar uns pedaços quando vou escrever o meu. Tenho tido muitas dores de cabeça, tenho ouvido histórias de espantar. Uma: o homem mais gordo do mundo fez um regime para emagrecer, ema­greceu cinquenta quilos e morreu. Tenho dado muitas gafes aqui com o meu pobre inglês. Uma: entrei num drugstore para comprar remédio para dor de cabeça e acabei levando uma loção para cabelos. Tenho tido muitos pesadelos. Um: ontem sonhei com um rato encravado na parede, guinchando de dor.

[…]

Clarice, estou perdido no meio de tantos particípios passados. Estou com vontade de fumar e o meu cigarro acabou, estou com vonta­de de namorar de tarde numa pracinha cheia de árvores, estou com muitas saudades de mamãe. Aqui na minha frente, na minha mesa do escritório, tem uma pilha de 1834 fichas me esperando para serem conferidas. São tão simpáticas, as fichinhas. Me esperam e sorriem burocraticamente: conhecem o meu triste fim. Sorrio também para elas, digo que esperem: agora estou indo para Seminarstrasse.

Só de pensar que você estará lendo esta carta muitos dias depois de ter sido escrita me dá vontade de não mandar. Mas mando, isso é uma desonestidade. Você nos escreveu há um mês. Juro que não faço mais isso, foi só da primeira vez, ago­ra não faço mais. Me escreva, que responderei imediatamente. Como vai indo o seu livro? O que é que você faz às três horas da tarde? Quero saber tudo, tudo. Você tem recebido notícias do Brasil? Alguém mais escreveu sobre o seu livro? É verda­de que a Suíça é muito branca? Você mora numa casa de dois andares ou de um só? Tem cortina na janela? Ou ainda está num hotel? Oh, meu Deus, Seminarstrasse será simplesmen­te um hotel? Qual é o cigarro que você está fumando agora? Pipocas, Fernando!

Clarice, em Belém eu procurei no hotel uma carta do Mário [de Andrade] para você, não encontrei. Eu delirava se pudesse te dar essa alegria. Tinha certeza de encontrar e não encontrei.

[…]

Manuel Bandeira é um sujeito muito triste, Clarice. Também não me despedi de muita gente. Também me esque­ci de muitas coisas no Brasil. Quando eu era menino, chupei uma vez tanta manga verde que fiquei doente de cama por três dias, faltei ao grupo, só vendo. Eu tinha um coelhinho chamado Pastoff. Um dia meu pai pegou o coelho e deu para um amigo, fiquei triste mesmo, chorei muito, papai foi mui­to mau. A coisa que mais gostava era no tempo de frio sair fumacinha da minha boca.

[…] Clarice Lispector sabe rir e chorar ao mesmo tempo, vocês já viram? Clarice Lispector é engraçada! Ela parece uma árvore. Todas as vezes que ela atravessa a rua bate uma ventania, um automóvel vem, passa por cima dela, e ela morre. Me escreva uma carta de sete páginas, Clarice.

Fernando

Qual a diferença entre carta pessoal e diário?

Embora ambos sejam formas de expressão pessoal por escrito, existem diferenças significativas entre uma carta pessoal e um diário:

Destinatário:

  • Carta Pessoal: é escrita para uma pessoa específica e é geralmente enviada diretamente ao destinatário. Assim, a comunicação é bidirecional, com a expectativa de que o destinatário leia e responda à carta.
  • Diário: é escrito para o autor do diário, sem um destinatário específico. Então, é uma forma de autoexpressão privada, em que o autor escreve para si, documentando pensamentos, sentimentos e eventos do dia a dia.

Intenção:

  • Carta Pessoal: geralmente tem uma intenção específica, como expressar sentimentos, compartilhar notícias, manter contato com amigos ou familiares distantes, oferecer apoio emocional, entre outros.
  • Diário: serve principalmente como um registro pessoal e privado das experiências diárias, pensamentos íntimos, reflexões e emoções do autor. Desse modo, pode não ter uma intenção específica além de fornecer uma saída para a autoexpressão e autorreflexão.

Formato:

  • Carta Pessoal: segue um formato formal ou semiformal de correspondência, incluindo cabeçalho, saudação, corpo da carta e despedida.
  • Diário: não tem um formato específico e pode ser escrito de forma mais livre, sem preocupações com formalidades ou estrutura.

Confidencialidade:

  • Carta Pessoal: pode ser confidencial, dependendo do conteúdo e do acordo entre o remetente e o destinatário. No entanto, há uma expectativa de que o destinatário possa compartilhar o conteúdo da carta com outros, se desejar.
  • Diário: é, de modo geral, mantido privado e confidencial, destinado apenas para os olhos do autor. Além disso, pode conter pensamentos e sentimentos íntimos que o autor pode não desejar compartilhar com outras pessoas.

Quantas linhas tem que ter uma carta pessoal?

O número de linhas em uma carta pessoal pode variar significativamente com base em vários fatores, incluindo o conteúdo, a extensão da mensagem que o remetente deseja comunicar, o estilo de escrita, entre outros.

Por isso, não há um número específico de linhas que uma carta pessoal deva ter, pois depende inteiramente da vontade e necessidade do remetente.

Entretanto, nos vestibulares, há a informação correta a respeito da quantidade de linhas. Então, atente-se para as instruções do comando da proposta de redação.

Carta privada x carta pública:

Os gêneros epistolares da esfera pública, exceto a carta à redação – um gênero textual caracteristicamente do domínio jornalístico -, são produzidos por diferentes espaços institucionais, como financeiro, jurídico, religioso, educacional, comercial, cultura, etc.

genero textual carta pessoal
As cartas públicas são usadas em diferentes situações de
troca social, ou seja, conforme as demandas burocráticas de nossa sociedade – Foto: CRIA.

Quais são os tipos de carta?

Existem vários tipos de cartas, cada uma com seu propósito específico e estilo de escrita. Assim, alguns dos tipos mais comuns de cartas incluem:

Carta de recomendação:

É uma carta escrita por uma pessoa para endossar um indivíduo em particular, geralmente para uma oportunidade de emprego, admissão em uma instituição educacional ou outro propósito.

Carta do leitor:

A carta do leitor é um tipo específico de correspondência dirigida a um editor de um jornal, revista ou outro veículo de mídia.

Ela é escrita por um leitor e enviada ao veículo de comunicação para expressar opiniões, comentários, críticas ou sugestões sobre um artigo, reportagem, editorial ou assunto específico publicado anteriormente nesse veículo.

Carta de reclamação:

Uma carta de reclamação é um tipo de correspondência escrita que um indivíduo ou organização envia para expressar insatisfação ou descontentamento em relação a um produto, serviço, situação ou experiência.

Além disso, geralmente, é redigida de forma formal e respeitosa, detalhando o problema ou problema encontrado e solicitando uma resolução adequada por parte da parte responsável.

Carta de solicitação:

Uma carta de solicitação é um tipo de correspondência formal escrita por um indivíduo ou organização para fazer uma solicitação específica a outra parte.

Assim, esse tipo de carta é usado para pedir algo, como informações adicionais, documentos, assistência, autorização, permissão, esclarecimento sobre um assunto, entre outros.

Carta aberta:

Uma carta aberta é uma forma de comunicação escrita que é deliberadamente tornada pública, em vez de ser enviada diretamente a um destinatário específico. Assim, ela se dirige a uma pessoa, grupo, organização ou entidade, mas é destinada a ser lida por um público mais amplo.

Além disso, de modo geral, uma carta aberta é escrita para expressar uma opinião, fazer uma declaração pública, fazer uma crítica construtiva, chamar a atenção para uma questão importante ou iniciar um diálogo sobre um determinado tópico.

Aprimore sua escrita com o CRIA

Agora que você já sabe como é o gênero textual carta pessoal, o CRIA pode ser a ferramenta ideal para esse processo. Mas o que é o CRIA?

Projetado para ser um corretor de redações baseado em inteligência artificial e processamento de linguagem natural, o CRIA é uma ferramenta útil e simples de utilizar.

Assim, ele utiliza modelos de aprendizado de máquina gerados por meio de redações escritas por alunos reais e corrigidas por professores.

Através do modelo, o CRIA realiza previsões de notas por competência, análise de contexto na introdução, previsão de defesa de tese, previsão de fuga ao tema, previsão de intervenção, uso de parônimas e homônimas, etc.

Quais são as funcionalidades do CRIA?

  • Análise instantânea da redação;
  • Simulação da sua nota do ENEM por competência;
  • Identificação de desvios, todos marcados no seu texto;
  • Traz correções detalhadas por competência;
  • Histórico de progresso;
  • Fornece dados para melhorias na escrita, em texto e/ou avatar explicativo;
  • Plataforma gamificada, pode compartilhar com amigos e obter vantagens;
  • Professor olha as correções do CRIA e pode alterar conforme achar necessário, assim o CRIA sempre aprende com eles.
O CRIA, uma ferramenta de correção de redações com inteligência artificial, te ajuda a praticar para o ENEM — Vídeo: Reprodução.

Acompanhe seu progresso

Após enviar as redações, é possível acessar outra ferramenta disponível para os alunos do CRIA: o gráfico com histórico de pontuação.

Assim, por meio dele, é possível visualizar de maneira clara as competências que precisam de mais atenção.

grafico de correcao de redacao interativo
Gráfico de correção de redação interativo — Foto: CRIA.

A quem o CRIA se destina?

  • Para os professores, visamos diminuir a sobrecarga e otimizar a gestão da turma;
  • Para os alunos, tornarmos o processo mais ágil, divertido, incentivando a prática constante.

Vamos começar? Então acesse aqui.

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