A carta aberta é um dos gêneros textuais mais versáteis e frequentes em vestibulares de alto nível, como os da UEM e Unicamp. Diferente da correspondência privada, ela possui uma natureza pública e coletiva, funcionando como uma ferramenta poderosa de denúncia, reivindicação ou sensibilização sobre problemas sociais.
Seu objetivo central é transpor os limites do diálogo individual para alcançar autoridades ou a comunidade em geral, buscando soluções práticas para dificuldades compartilhadas.
Para o vestibulando, dominar a estrutura da carta aberta, que une o tom persuasivo à formalidade exigida pelo suporte, é essencial para demonstrar cidadania ativa e capacidade argumentativa. Confira a seguir o guia completo para estruturar seu texto e garantir a nota máxima.
O que é o gênero textual carta aberta?
A carta aberta é um tipo de texto destinado a transmitir uma opinião, reivindicação ou crítica sobre um determinado assunto, dirigida a uma pessoa, organização ou público em geral.
Desse modo, ela é publicada em diversos meios de comunicação, como jornais, revistas, sites e redes sociais. Assim, como o próprio nome sugere, a carta aberta se destina a um público amplo em vez de um destinatário específico.
Então, os elementos básicos utilizados para identificar este gênero, são:
- Local e data;
- Saudação;
- Texto;
- Assinatura.
A carta aberta permite que o autor se dirija a uma pessoa importante, a uma instituição ou ao público em geral, apresentando suas opiniões, críticas ou sugestões sobre um determinado assunto. Desse modo, isso a torna pública, expondo ideias e argumentos de forma clara.
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Qual a estrutura da carta aberta?
Ao usar a estrutura formal de uma carta aberta, o autor tem a oportunidade de transmitir sua opinião, ou seja, reivindicação, crítica ou proposta a um público amplo. Embora varie conforme o contexto e o propósito, uma estrutura padrão inclui:
Identificação:
- Local e Data: inicie a carta com o local e a data de redação.
- Destinatário ou público-alvo: identifique a quem a carta se dirige, seja uma instituição, figura pública ou o público em geral.
Saudação ou saudações iniciais:
- Saudação formal ou genérica: inclua uma saudação inicial, como “Prezado(s) Senhor(es)” ou “À população”.
Introdução:
- Apresentação do contexto: explique brevemente o motivo pelo qual está escrevendo a carta, isto é, contextualizando o assunto abordado.
Desenvolvimento:
- Argumentação: apresente seus argumentos, justificativas e fatos que sustentam o ponto de vista defendido na carta. Então, organize essas informações em parágrafos coesos e estruturados.
Conclusão:
- Síntese e considerações finais: recapitule os principais pontos abordados na carta e conclua com considerações finais, propostas ou pedidos.
Despedida:
- Despedida Formal ou Genérica: utilize uma despedida formal, como “atenciosamente” ou “sinceramente”.
Identificação do autor:
- A assinatura deve ser feita apenas se for solicitado pela prova. Em hipótese alguma assine seu próprio nome, já que isso levará a banca a desclassificar a sua redação.
Como escrever uma redação do gênero carta aberta?
De modo geral, para a aprender a como escrever uma redação do gênero carta aberta é necessário equilibrar o impacto que as ideias têm no leitor e sua expressão clara com cuidado.
Nesse sentido, este gênero textual permite a expressão de opiniões, críticas ou propostas de forma persuasiva e articulada. Por isso, ao escrever uma carta aberta, você deve pensar não apenas na estrutura formal, mas também na capacidade da carta de impactar, engajar e sensibilizar o leitor sobre o tema.
Então, confira o passo a passo de como escrever uma redação do gênero carta aberta:
1. Identifique o público-alvo e o tema:
Determine para quem sua carta será direcionada e o assunto que deseja abordar. Além disso, escolha um tema relevante, que possa gerar interesse e reflexão no público.
2. Estruturação da carta:
- Inicie com uma saudação ou identificação do público-alvo.
- Introduza o assunto de maneira clara e objetiva.
- Desenvolva seus argumentos de forma lógica e coerente, com parágrafos bem organizados.
- Conclua sua carta com uma síntese dos pontos principais e possíveis ações ou reflexões.
3. Argumentação e fundamentação:
- Baseie seus argumentos em fatos, dados, experiências pessoais ou referências confiáveis.
- Utilize um linguagem clara e objetiva para expressar suas ideias.
4. Tom e estilo:
- Mantenha um tom respeitoso e construtivo, mesmo ao criticar ou expor divergências.
- Utilize um estilo claro, evitando ambiguidades ou linguagem que possa gerar mal-entendidos.
5. Revisão e edição:
- Revise sua carta para corrigir erros de gramática, ortografia e, assim, garantir que sua mensagem seja clara e coerente.
Exemplo do gênero textual carta aberta
O gênero textual carta aberta é uma ferramenta poderosa para a comunicação e o debate. Nesse sentido, pode ser usado para discutir temas pertinentes e apresentar posições em relação a questões de interesse público.
Além disso, a carta aberta pode influenciar a discussão e ajudar a refletir o público por meio de argumentos sólidos e estruturas claras, estando presente em diversos meios de comunicação.
Assim confira abaixo um exemplo de carta aberta:
Exemplo 1:
“Carta aberta aos Senadores e Deputados
Campina Grande/PB, 13 de julho de 2015
Excelentíssimos senhores deputados e senadores,
Em virtude do uso de celulares em sala de aula, nós alunos da escola José Miguel Leão, situada no distrito de São José da Mata – PB, reivindicamos a revisão da lei que é contra o uso do celular em sala de aula. Assim decidimos escrever-lhes para enfatizar a necessidade de novas leis a fim de reverter esse quadro.
Uma pesquisa divulgada no site Universia Brasil, em 14 de fevereiro de 2013, revela que o uso do celular em sala de aula é benéfico e que cada vez mais os professores têm descoberto maneiras de utilizá-lo como aliado do aprendizado.
É um recurso de linguagem, pois permite o uso de aplicativos de tradução, permitindo realizar exercícios mais dinâmicos e práticos. Além disso, é possível aproveitar recursos diferenciados com esse aparelho como: ler trechos de livros. Nós alunos podemos utilizar os celulares para compartilhar esse e outros recursos, gravar conversas e vídeos e postarmos em sites. Inclusive, serve como ferramenta de incentivo na participação das aulas, especialmente no caso de alunos mais tímidos. Além de continuar a discussão após a aula, podemos interagir em fóruns organizados pelos professores, etc.
Por isso, pedimos aos senhores, excelentíssimos deputados e senadores, que implantem novas ou melhores as leis já existentes para que o celular venha a ser usado em sala de aula.
Atenciosamente,
Alunos da Escola Estadual José Miguel Leão”
Esse texto pode ser encontrado no artigo da autora Claudiane Maciel da Rocha Martins, a respeito do gênero carta aberta.
Exemplo de carta aberta de famosos
As cartas abertas escritas por figuras públicas, principalmente por celebridades e personalidades notáveis, oferecem uma perspectiva distinta sobre vários temas pertinentes e fornecem insights úteis e impactantes.
Assim, a influência e o alcance dessas figuras tornam suas opiniões muito fortes, o que leva a cartas abertas que não apenas expressam opiniões, mas também inspiram discussões públicas. Nessa carta, Giovanna Ewbank fala a respeito do racismo que aconteceu com seus filhos.
Exemplo 2:
“Aos amigos, seguidores, imprensa e a todos que nos mandaram mensagens, ligaram e nos apoiaram nesses dias… A gente vai ser o mais simples possível: nosso muito obrigado!
Estamos cuidando dos nossos filhos, nos cuidando e tomando todas as providências possíveis. Somos conscientes de todos os nossos privilégios e sabemos (sabemos mesmo) que apenas por sermos brancos tivemos tamanha comoção.
Nós lutamos, nós choramos. E nós podemos gritar. Portanto, queremos, mais uma vez, lembrar que famílias pretas gritam todos os dias diante destes crimes e violências -verbais ou físicas. E muitas vezes famílias que se silenciam porque sabem que seu grito não é ouvido.
Agora estamos com nossos filhos do lado – com todo o amor que podemos dar a eles – para que eles saiam fortes perante o que viram e ouviram. Pedimos respeito a este momento pois o que gente ouviu dói na alma, mais que um soco. E dói em nossos filhos e em muita gente que vive isso o tempo inteiro, em todo o mundo.
Seguiremos, serenos, com amor. E caminharemos deste nosso lugar de privilégio nos comprometendo a seguir combatendo ativamente na luta antirracista pois, mais uma vez: racismo é crime.
Giovanna e Bruno”
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Quais são os critérios para a produção da carta aberta?
Os padrões para a criação de cartas abertas estabelecem os padrões essenciais para a composição desse tipo de texto que pode influenciar a discussão e mobilizar opiniões.
Desse modo, visto que a carta aberta apresenta críticas, opiniões ou sugestões a um público amplo, é essencial conseguir expressar ideias de forma persuasiva e articulada.
Então, confira abaixo alguns critérios que devem ser considerados na escrita e revisão da carta aberta:
- A opinião defendida no texto está clara?
- Os argumentos usados são convincentes e não-generalizantes?
- As orientações estabelecidas no início da produção do texto foram seguidas?
- Foi estabelecido um diálogo com o destinatário?
- O destinatário escolhido possui autoridade para discutir ou solucionar o problema?
- O grau de formalidade da linguagem foi respeitado?
- Há no texto os elementos constituintes da carta aberta: local, data, título, expressão de despedida, assinatura, vocativo presente no título, etc.
Perguntas frequentes:
Enquanto a carta tradicional é privada, a carta aberta é destinada à publicação em veículos de comunicação para um público amplo. O objetivo não é apenas informar o destinatário, mas tornar o assunto público para gerar pressão social ou debate coletivo.
Nunca. No contexto de vestibulares, você deve assinar apenas se o comando da prova solicitar expressamente um pseudônimo ou uma identificação genérica (como “Um cidadão preocupado”). Assinar seu próprio nome é critério para desclassificação imediata por identificação do candidato.
O tom deve ser persuasivo e firme, porém sempre respeitoso e construtivo. Mesmo ao realizar críticas severas ou denúncias, a linguagem deve manter a formalidade e a clareza para garantir a credibilidade dos argumentos.
O destinatário deve ser uma figura ou instituição que possua autoridade real para discutir ou solucionar o problema apresentado. Direcionar a carta a alguém sem poder de decisão enfraquece a eficácia da sua argumentação.
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