Como funciona a redação do ENEM: tire suas dúvidas!

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A redação do ENEM funciona como um texto dissertativo-argumentativo, que deve apresentar um problema social, defender um ponto de vista e propor uma solução. A avaliação se baseia em cinco competências, que analisam desde o domínio da gramática até a proposta de intervenção.

Jovem sorridente usando fones de ouvido brancos, sentada em uma escrivaninha. Ela está olhando para a tela de um laptop, com uma caneta na mão e anotações e post-its coloridos espalhados sobre a mesa.

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma das etapas mais importantes da prova. Com um peso significativo na nota final, entender como funciona a redação do ENEM é o primeiro passo para conquistar uma vaga na universidade dos seus sonhos.

Longe de ser apenas um teste de escrita, ela avalia sua capacidade de argumentar, seu conhecimento de mundo e sua visão crítica sobre problemas sociais.

Neste guia completo, vamos desmistificar o processo de correção da redação do ENEM, detalhando cada um dos critérios de avaliação para que você saiba exatamente o que a banca examinadora espera do seu texto.

Os 5 pilares da redação do ENEM: as competências avaliadas

A redação do ENEM é corrigida com base em cinco competências, cada uma valendo 200 pontos. Nesse sentido, o objetivo é que o seu texto alcance o máximo de pontos em cada uma delas, totalizando os 1000 pontos.

Competência 1: Domínio da norma-padrão da língua portuguesa

Essa competência avalia sua capacidade de escrever de acordo com as regras gramaticais. Erros de concordância, ortografia, pontuação e acentuação podem comprometer sua nota. Isto é, uma redação que demonstra um bom domínio da norma-padrão transmite a segurança e a clareza de um texto bem-estruturado.

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Competência 2: Compreensão do tema e uso de repertório sociocultural

Aqui, o corretor verifica se você compreendeu o tema da proposta e se usou um repertório sociocultural relevante e produtivo.

Assim, é o momento de mostrar seu conhecimento de mundo, usando referências de áreas como História, Sociologia, Filosofia, Literatura ou dados estatísticos para enriquecer a sua argumentação.

O que é um repertório produtivo? É aquele que não apenas é citado, mas que se conecta de forma lógica e coerente com a sua argumentação, ajudando a defender a sua tese.

Competência 3: Seleção e organização de argumentos

Esta competência mede a sua capacidade de construir uma tese forte e de selecionar argumentos que a sustentem de forma lógica. Além disso, um texto bem-sucedido precisa ter as ideias bem conectadas e organizadas, sem contradições e com um raciocínio claro.

Competência 4: Coesão e coerência textual

Esta competência avalia a fluidez do seu texto. O uso de conectivos e a ligação entre as frases e os parágrafos são fundamentais. A coerência, por outro lado, diz respeito à relação de sentido entre as ideias. Um texto coerente faz sentido e não apresenta ideias que se anulam.

Competência 5: Elaboração da proposta de intervenção

Exclusiva da redação do ENEM, a proposta de intervenção exige que você apresente uma solução para o problema social abordado no tema. Assim, ela deve ser completa e detalhada, contendo:

  • Agente: Quem fará a ação (governo, ONGs, família, etc.).
  • Ação: O que será feito.
  • Meio: Como a ação será realizada.
  • Finalidade: O objetivo da ação.
  • Detalhamento: Uma explicação extra que enriqueça a proposta.

A estrutura ideal para uma redação nota 1000

Para alcançar a nota máxima, a redação do ENEM deve seguir a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo, dividida em três partes principais.

1. Introdução

A introdução deve apresentar o tema, contextualizá-lo e, em seguida, expor a sua tese. A tese é a sua opinião ou o seu ponto de vista sobre o problema, que será defendido ao longo do texto.

2. Desenvolvimento

Geralmente, o desenvolvimento é composto por dois parágrafos. Então, cada parágrafo deve conter um argumento principal, que sustenta a sua tese, e ser acompanhado de um repertório sociocultural.

3. Conclusão

A conclusão deve retomar a sua tese e, principalmente, apresentar a proposta de intervenção para o problema. É crucial que a proposta seja viável e detalhada para obter a pontuação máxima na Competência 5.

Como é calculada a nota do ENEM?

O ENEM usa a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Portanto, cada uma das questões do exame tem um valor associado, que varia conforme o grau de dificuldade. Desse modo, esse método visa evitar o chute e obter notas altas apenas com a sorte.

Portanto, se um participante acertar uma questão considerada difícil, mas errar uma questão simples do mesmo domínio de conhecimento, pode haver um “chute” na resposta, o que pode afetar sua pontuação final.

O TRI é um sistema anti-chute que identifica alguns aspectos das competências que exigidas pelo ENEM. Assim, são elas:

  • Capacidade de discriminação, distinguindo os candidatos com a proficiência requisitada daqueles que não a tem (se o participante é bom em Matemática e/ou Ciências Humanas, etc);
  • Grau de dificuldade de cada questão: fácil, médio ou difícil;
  • Controle de acerto casual (chute).

Como é calculada a nota da redação do ENEM?

Já a redação, é realizada no mesmo dia que as provas de Linguagens e Códigos e as de Ciências Humanas, a redação é a única prova do ENEM cuja pontuação varia de 0 a 1000 pontos.

Além disso, a redação é corrigida seguindo 5 competências, sendo cada uma delas avaliada entre 0 e 200. Então, garantir uma boa nota em cada uma delas é essencial.

O que pode zerar a redação do ENEM?

Para garantir uma boa pontuação, é preciso estar atento a diversos aspectos da prova. De modo geral, o medo de zerar a redação assombra muitos candidatos. Mas não se preocupe, existe uma cartilha que orienta os participantes do exame para evitar o tão temido zero.

A cartilha de redação do ENEM é um manual essencial para todos os candidatos. Nela, é possível ter acesso às 5 competências que se espera que o candidato apresente na redação. Além disso, ela apresenta as razões pela qual a redação pode ser zerada. Confira:

  • Fuga total ao tema;
  • Não obediência ao tipo dissertativo-argumentativo;
  • Extensão de até 7 (sete) linhas manuscritas, qualquer que seja o conteúdo, ou extensão
    de até 10 (dez) linhas escritas no sistema Braille;
  • Cópia de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões sem que haja pelo
    menos 8 linhas de produção própria do participante;
  • Desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de
    redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda);
  • Números ou sinais gráficos sem função evidente em qualquer parte do texto ou da folha
    de redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda);
  • Parte deliberadamente desconectada do tema proposto;
  • Impropérios e outros termos ofensivos, ainda que façam parte do projeto de texto;
  • Assinatura, nome, iniciais, apelido, codinome ou rubrica fora do local devidamente
    designado para a assinatura do participante;
  • Texto predominante ou integralmente escrito em língua estrangeira;
  • Folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho;
  • Texto ilegível, que impossibilite sua leitura por dois avaliadores independentes.

Parece muita coisa, não é mesmo? Mas não é nada complexo. Com essas informações, fica mais fácil fugir da nota zero.

Exemplo de redação nota mil ENEM 2024:

Vejamos agora um exemplo de redação nota mil do ENEM 2024 da aluna: Amanda Teixeira Zampiris

Na obra intitulada “Brasil, País do Futuro”, Stefan Zweig, autor austríaco, em sua visita ao Brasil, defendeu a ideia de que o país estava destinado a ser um dos mais importantes países do mundo no futuro. No entanto, 80 anos depois, as previsões do autor ainda não se concretizaram e os desafios para enfrentar a invisibilidade do trabalho de cuidado — realizado por mulheres — são entraves para isso. Observa-se, assim, que isso ocorre porque a negligência governamental e a permanência histórica impedem a resolução da questão.

Desenvolvimento 1:

Sob este viés, é preciso atentar para a omissão estatal presente nessa problemática. Nessa perspectiva, o pensador Thomas Hobbes afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, pois a falta de atuação das autoridades corrobora a permanência do trabalho de cuidado não remunerado e mal pago realizado, principalmente, por mulheres — que inclui cuidar de crianças e idosos, bem como os afazeres domésticos —, visto que o Governo não tem cumprido seu papel no sentido de assegurar os direitos básicos a esse grupo social, como o direito a um salário digno. Assim, as funções sociais e estatais são descumpridas, agravando o problema.

Desenvolvimento 2:

Outrossim, a permanência histórica é fator importante como constituinte desse imbróglio. Nesse sentido, consoante ao pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Desse modo, a questão da invisibilidade do trabalho de cuidado feito por mulheres majoritariamente pobres e vítimas de discriminação de gênero, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes indissociáveis à história brasileira — que foi marcada pelo machismo e pelo patriarcado —, uma vez que as atividades domésticas não pagas ainda são delegadas às pessoas do sexo feminino de forma quase que exclusiva.

Conclusão:

Faz-se necessário, portanto, que meios sejam criados para intervir nesse óbice. Logo, o Governo Federal — órgão responsável pela administração federal em todo território nacional — deve estabelecer políticas públicas que garantam a remuneração e a valorização do trabalho de cuidado, por meio da utilização de verbas governamentais para o pagamento de salários. Tal ação deve ser realizada com a finalidade de mitigar a invisibilidade dos afazeres domésticos realizados pela mulher na sociedade brasileira e, consequentemente, combater as raízes históricas presentes nessa questão. Dessarte, o Brasil poderá se tornar um “País do Futuro”, como defendido por Stefan Zweig.

Como se preparar para qualquer redação com o CRIA?

Agora que você já sabe mais sobre o como funciona a redação do ENEM, o CRIA pode ser a ferramenta ideal para esse processo. Mas o que é o CRIA?

O CRIA é um corretor de redação por inteligência artificial que utiliza modelos de aprendizado de máquina gerados por meio de redações escritas por alunos reais e corrigidas por professores.

Além disso, o CRIA realiza previsões de notas por competência, análise de contexto na introdução, previsão de defesa de tese, previsão de fuga ao tema, previsão de intervenção, uso de parônimas e homônimas, etc.

Mas o que o CRIA faz por você?

  • Análise instantânea da redação;
  • Simulação da sua nota do ENEM por competência;
  • Identificação de desvios, todos marcados no seu texto;
  • Traz correções detalhadas por competência;
  • Histórico de progresso;
  • Fornece dados para melhorias na escrita, em texto e/ou avatar explicativo;
  • Plataforma gamificada, pode compartilhar com amigos e obter vantagens;
  • Professor olha as correções do CRIA e pode alterar conforme achar necessário, assim o CRIA sempre aprende com eles.

Vamos começar? Então acesse aqui.

Perguntas frequentes:

O que acontece se eu não apresentar uma proposta de intervenção?

Sua nota na Competência 5 será zerada. A proposta de intervenção é obrigatória na redação do ENEM e tem um peso de 200 pontos.

Quantas linhas a redação do ENEM deve ter?

A redação deve ter entre 8 e 30 linhas. Textos com menos de 8 linhas são considerados “textos insuficientes” e recebem nota zero.

Posso usar a primeira pessoa do singular (“eu acho”) na redação?

Não. A redação do ENEM exige a impessoalidade. Então, use a terceira pessoa do singular ou do plural para evitar a marca de subjetividade.

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