A reportagem é um dos pilares do jornalismo investigativo e informativo, indo muito além da simples notícia cotidiana. Diferente do relato factual imediato, ela se aprofunda nos temas, oferecendo contexto, análise de dados e uma multiplicidade de vozes que permitem ao leitor compreender a complexidade da realidade.
Por ser um texto dissertativo-argumentativo e informativo, a reportagem utiliza uma estrutura coesa para criar histórias envolventes, sendo ferramenta essencial para o exercício da cidadania e um tema recorrente em vestibulares de alto nível.
Como funciona gênero textual reportagem?
O gênero textual “reportagem” funciona como uma forma específica de produção jornalística cujo objetivo é informar, relatar e analisar eventos ou assuntos de interesse público.
Características da reportagem:
O gênero reportagem possui como principais característicasa linguagem formal e clara, objetiva e direta, destacando-se como um texto informativo.
Outra característica importante do gênero reportagem é a polifonia, visto que, em muitas reportagens, a voz do repórter/autor é apresentada em conjunto com outras vozes, comotestemunhas do fato relatado e especialistas sobre o assunto.
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Qual é a estrutura da reportagem?
O objetivo da estrutura da reportagem é fornecer informações de forma compreensível, coerente e envolvente. Contudo, as estruturas possam variar conforme o veículo de comunicação, o tipo de reportagem e o estilo editorial.
Desse modo, como estrutura composicional, o gênero reportagem se divide estruturalmente em 3 partes: manchete, lead e corpo.
Manchete:
O título ou manchete anuncia em poucas palavras a informação principal do texto. Em sua maioria, utilizam-se verbos no presente do indicativo por causarem maior impacto no leitor ou, no caso dos vestibulares, na banca corretora.
Lead:
O lead ou chamada da reportagem resume o assunto tratado no texto, e o corpo da reportagem desenvolve o texto de forma aprofundada.
Assim, o lead é o primeiro parágrafo da reportagem e deve conter as informações essenciais, respondendo às perguntas fundamentais: quem, o quê, quando, onde, por quê e como.
Corpo do texto:
O corpo da reportagem consiste nos parágrafos subsequentes que desenvolvem a história de maneira mais detalhada. Desse modo, cada parágrafo geralmente aborda um aspecto específico do tema, organizando as informações de forma lógica e sequencial.
Conclusão:
O fechamento da reportagem resume os principais pontos e, às vezes, oferece uma conclusão ou reflexão final sobre o assunto. Então, pode apresentar uma visão geral do que foi discutido ou indicar possíveis desenvolvimentos futuros.
Exemplo do gênero textual reportagem:
Em um mundo repleto de informação, a reportagem emerge como uma ferramenta valiosa, capaz de iluminar e contextualizar os eventos que moldam a nossa realidade. Assim, confira alguns exemplos de reportagem:
1. Exemplo de reportagem – Agência Brasil
Direitos humanos é para todos e deve proteger mais vulneráveis
Um terço da população acha que essas garantias beneficiam bandidos
“Direitos humanos para humanos direitos”. Esse é o pensamento de um terço da população brasileira que acredita que quem mais se beneficia dos direitos humanos são os bandidos. Cerca de 40% dizem que quem menos se beneficia é o pobre. Os números estão em pesquisa divulgada em 2022 pela ONU Mulheres. As garantias descritas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no entanto, buscam conferir dignidade a todos. A carta de princípios completou 75 anos no último dia 10 de dezembro.
“Alguns dos discursos sobre os direitos humanos vêm de um desconhecimento sobre o que significam esses direitos e como eles estão presentes no dia a dia de todas as pessoas”, diz Moema Freire, coordenadora de Governança e Justiça do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ela acrescenta é que é preciso um olhar especial para grupos vulnerabilizados. “[Que foram] historicamente marginalizados, que têm ainda menos acesso às políticas públicas e precisam de mais proteção do Estado como provedor desses direitos”, defende.
Moema destaca que esses direitos dizem respeito a todos os indivíduos, independentemente da condição social e da localização geográfica. “Isso é muito importante ter em mente. Os direitos humanos protegem primeiro um conjunto de direitos dos indivíduos para que eles possam existir como pessoa, com dignidade básica, educação, saúde, mas também uma proteção do Estado”, explica a coordenadora.
Ela lembra que a declaração, por outro lado, impõe limites à atuação do Estado para que não haja violações da liberdade das pessoas. “Ao mesmo tempo, garante condição, por exemplo, para que as pessoas possam participar da vida pública, votar, participar nas definições com relação às políticas públicas e ter acesso aos bens culturais, à preservação do meio ambiente”, exemplifica. […]
2. Exemplo de reportagem em vídeo:
Qual é a diferença entra notícia e reportagem?
A reportagem é uma evolução da notícia; portanto, nem toda reportagem é notícia. Assim, podemos classificar a reportagem como um tipo de notícia ampliada, com padrões únicos. Trata-se, então, de um gênero mais amplo e diversificado, para informar o público.
Conforme Santos:
A reportagem é semelhante à notícia, o que as diferenciam é o fato de a reportagem ser mais extensa e variada. Portanto, pode-se dizer que muitas das questões abordadas referentes à notícia, como a análise estrutural, podem ser aplicadas também a reportagem. A reportagem possibilita maior liberdade de produção textual.
Desse modo, a reportagem visa coletar e analisar informações diárias visando informar sobre determinados fatos, considerando sua origem e características. Além disso, este gênero textual é semelhante ao artigo de opinião, porque tem elementos que mostram a importância do autor do texto.
Nesse sentido, o autor deve respeitar os fatos e evitar expressar sua opinião, pois o leitor é responsável por desempenhar esse papel avaliativo.
Notícia x Reportagem:
| Notícia | Reportagem |
|---|---|
| A notícia expõe o fato no mesmo dia em que ele ocorre ou no dia seguinte. | A reportagem mostra como isso se deu. |
| A notícia esgota-se no anúncio. | A reportagem desdobra, coloca os pormenores e relata amplamente os fatos. |
| A notícia não vai além da notificação. | A reportagem extrapola a mera notificação e apresenta o detalhamento, o questionamento de causa e efeito, a interpretação e o impacto dos fatos. |
| A notícia expõe uma só versão do acontecimento. | A reportagem constitui a soma das diferentes versões de um mesmo acontecimento. |
Exercícios sobre reportagem:
Estudar por exercícios é uma estratégia eficaz e comprovada para o aprendizado. Nesse sentido, essa abordagem, conhecida como aprendizagem ativa, envolve a prática ativa e a aplicação do conhecimento adquirido.
Então, confira alguns exercícios sobre o gênero textual reportagem:
1. (PUC-PR) O texto a seguir é referência para a próxima questão.
Você tem medo de avião?
Muita gente tem, ao menos um pouquinho. Mas não deveria: as estatísticas mostram que, ao embarcar num avião, a sua chance de morrer é de apenas uma em dez milhões. E de hospital, você tem medo? A maioria das pessoas não tem, pois acha que nada de errado acontecerá. Só que acontece: segundo a Organização Mundial da Saúde, um em cada 300 pacientes morre por consequência de erros médicos.
Ou seja, pegar um avião é 33 mil vezes mais seguro do que ser internado. Um estudo da Universidade John Hopkins constatou que o erro médico mata 251 mil pessoas por ano nos EUA (onde ele é a terceira maior causa de morte, só perdendo para o infarto e o câncer). […] No Brasil, o cenário pode ser ainda pior. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess) estimou que, em 2015, 434 mil brasileiros tenham morrido devido a erros no atendimento médico – que são a maior causa de óbito no País.
Superinteressante, ed. 391, jul/18, p. 24.
No excerto de reportagem, há comparações entre as possibilidades de alguém ser vítima de acidente aéreo ou de erro médico.
Quanto às estratégias empregadas na mensagem, identifica-se como característica comum às realidades brasileira e norte-americana
- A mesma colocação do erro médico como maior causa de mortes anuais.
- O benefício da dúvida em relação aos números que ainda são incipientes no Brasil.
- A disparidade entre o número de casos no Brasil em comparação aos norte-americanos.
- O número alarmante de mortes de pacientes por erro médico no período de um ano.
- A sensação de fragilidade do ser humano diante da aviação e dos atendimentos em saúde.
GABARITO: D
2. (PUC-Campinas)
Reveste-se de excepcional importância a inauguração, segunda-feira próxima, do aparelhamento de televisão das Emissoras Associadas, de São Paulo […]. Santos, Campinas, Jundiaí e demais cidades localizadas num raio de oitenta quilômetros também foram beneficiadas, e, assim, milhões de pessoas poderão ser servidas pela TV “Associada”, a primeira a entrar em funcionamento em toda a América do Sul. […] Ligando intimamente a televisão “Associada” à poesia, será madrinha do moderno equipamento a poetisa Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti, devendo, também, ser catada, na ocasião, pela primeira vez a Canção da TV escrita especialmente pelo poeta Guilherme de Almeida e pelo maestro Marcelo Tupinambá. Será entregue oficialmente ao público paulista a estação televisora das “Emissoras Associadas”.
(Diário de São Paulo, 16 de setembro de 1950. Apud CALDEIRA, Jorge (org) Brasil. A história contada por quem viu. São Paulo: Mameluco, 2008, p. 525)
Assim, a referência a Guilherme de Almeida na reportagem deixa ver que
- Um poeta modernista aproveitou-se de uma ocasião para promover sua sátira ao desenvolvimentismo.
- A poesia serve, por vezes, à celebração de circuns tâncias e instituições.
- Data da década de 1950 o início da contribuição de poetas ao cancioneiro popular.
- Um poeta da geração de 45 explorou recursos de poesia concreta num improviso musical.
- A poesia lírica é sempre convocada quando se trata de manifestações públicas oficiais.
GABARITO: B
3. (ENEM Libras 2017) Dronalismo: notas sobre o uso de drones na produção de conteúdo jornalístico
A utilização das aeronaves remotamente pilotadas em coberturas jornalísticas tem sido discutida tanto do ponto de vista dos veículos de comunicação quanto do jornalismo cidadão, uma vez que o público encontra-se em uma posição de produção de conteúdos, podendo muitas vezes contestar o discurso da mídia tradicional. Uma questão que consideramos central no jornalismo drone é: quando utilizar esse recurso?
O baixo custo da operação e a possibilidade de se obterem informações de diferentes ângulos é um grande atrativo, ainda mais em uma época em que diversos veículos encontram dificuldades em engajar uma audiência dispersa a relutante a pagar pelo conteúdo disponível na web. É importante ter-se em mente que, apesar das características extremamente favoráveis ao uso de drones no jornalismo, existe uma preocupação bastante séria com a privacidade das pessoas, e a possibilidade de se confundir reportagem com invasão e coberturas informativas com vigilância, inquietações reveladas com o surgimento das primeiras reportagens que utilizaram o recurso das aeronaves não tripuladas.
PASE, A. F.; GOSS, B. M. Disponível em: www.revistageminis.ufscar.br. Acesso em: 30 out. 2015 (adaptado).
Ao abordar os impactos do uso de drones sobre a produção de informações, o texto destaca o(a)
- Impasse ético de sua utilização no jornalismo.
- Descentralização da elaboração de conteúdo gerada por eles.
- Receio em relação ao seu uso em matérias sensacionalistas.
- Sua importância para a redução de custos de empresas de mídia.
- Sua praticidade para a obtenção de imagens em lugares de difícil acesso.
GABARITO: A
Perguntas frequentes:
A notícia foca no fato imediato e atual (“o quê aconteceu hoje”), sendo mais curta e objetiva. A reportagem é uma evolução: ela é mais extensa, aprofunda as causas, traz especialistas, investiga antecedentes e não precisa necessariamente tratar de um fato do dia anterior.
O lead (ou lide) é o primeiro parágrafo do texto. Sua função é responder de forma direta às seis perguntas fundamentais: Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? Como? Ele serve como um resumo essencial para o leitor.
A polifonia é a presença de diversas vozes no texto. Além do repórter, a reportagem inclui falas de testemunhas, opiniões de especialistas e dados de instituições, garantindo que o assunto seja observado por diferentes ângulos.
Diferente do artigo de opinião, a reportagem busca a imparcialidade. Embora o autor selecione os dados e organize a narrativa, ele deve respeitar os fatos e evitar juízos de valor explícitos, deixando para o leitor o papel de avaliar e formar sua própria opinião.
A manchete deve atrair o leitor e resumir a informação principal em poucas palavras. É comum o uso de verbos no presente do indicativo para transmitir uma sensação de atualidade e causar maior impacto.
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