10 Argumentos coringas para redação do ENEM

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Os 10 argumentos coringas para a redação do ENEM são: negligência estatal, base educacional lacunar, herança histórica, banalização do mal, consumismo, insuficiência legislativa, manipulação midiática, individualismo, invisibilidade social e desafios éticos da tecnologia.

Homem sentado em uma mesa de cozinha escrevendo.

Se você sente que trava na hora de começar o desenvolvimento do seu texto, dominar argumentos coringas para redação do ENEM é a estratégia que vai mudar o seu jogo.

No dia da prova, o tempo é um dos seus maiores adversários. Ter um “arsenal” de ideias que se aplicam a quase qualquer tema social, ambiental ou político não é apenas um atalho, é inteligência competitiva.

Neste guia, você descobrirá como utilizar esses recursos de forma orgânica, garantindo que sua argumentação seja profunda e bem avaliada pelos corretores.

10 Argumentos coringas infalíveis para a redação do ENEM

Para alcançar a nota 1000, não basta citar; é preciso articular. Abaixo, apresento 10 teses que servem como “espinha dorsal” para quase qualquer tema, com seus respectivos repertórios e a lógica de aplicação.

1. Negligência ou Omissão Estatal

Este é o argumento “rei”. Baseia-se na ideia de que, se um problema persiste, é porque o Estado não está agindo com a eficácia necessária, seja por falta de investimentos ou má gestão.

  • Repertório: John Locke e o Contrato Social. Para Locke, o Estado existe para garantir direitos naturais. Se o problema existe, o contrato foi rompido.
  • Aplicação: Ideal para temas de saúde pública, falta de infraestrutura e segurança.

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2. Base Educacional Lacunar (ou Insuficiente)

A escola, no Brasil, muitas vezes foca apenas em conteúdos técnicos e falha em formar cidadãos críticos. Isso gera indivíduos passivos diante de injustiças.

  • Repertório: Paulo Freire e a Pedagogia da Autonomia. Ele defende que a educação deve ser um ato político e libertador.
  • Aplicação: Use para temas de manipulação digital, preconceitos em geral e falta de consciência ambiental.

3. Herança Histórico-Colonial

Muitos problemas atuais são reflexos de estruturas construídas no passado, como o patriarcalismo, a escravidão e o autoritarismo.

  • Repertório: Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”. O conceito de “Homem Cordial” explica a dificuldade do brasileiro em separar o público do privado.
  • Aplicação: Temas sobre racismo, desigualdade de gênero e corrupção.

4. Banalização do Mal e Indiferença Social

A sociedade se acostuma com o sofrimento alheio ou com problemas crônicos a ponto de não se mobilizar mais contra eles.

  • Repertório: Hannah Arendt e a “Banalidade do Mal”. A ideia de que o mal se torna comum quando é praticado de forma burocrática ou sem reflexão.
  • Aplicação: Ideal para temas sobre violência doméstica, abandono de idosos ou a situação de pessoas em situação de rua.

5. Sociedade do Consumo e Descartabilidade

A lógica do “ter” sobre o “ser” molda comportamentos, gerando problemas de saúde mental, dívidas e impactos ambientais.

  • Repertório: Zygmunt Bauman e a “Modernidade Líquida”. As relações e os objetos são fluidos e descartáveis.
  • Aplicação: Temas de lixo eletrônico, transtornos alimentares e ansiedade.

6. Insuficiência Legislativa (Cidadania de Papel)

O Brasil possui leis avançadas, mas que muitas vezes não são aplicadas na prática, criando uma distância entre o que diz a Constituição e a realidade.

  • Repertório: Gilberto Dimenstein em “A Cidadania de Papel”. A tese de que os direitos existem no papel, mas não são usufruídos por todos.
  • Aplicação: Qualquer tema que envolva direitos já garantidos pela Constituição de 1988 (saúde, moradia, liberdade).

7. Influência Manipuladora da Mídia e Algoritmos

A forma como consumimos informação hoje é mediada por filtros que reforçam bolhas ideológicas e distorcem a realidade.

  • Repertório: Guy Debord e “A Sociedade do Espetáculo”. A vida social é substituída por representações e imagens.
  • Aplicação: Temas sobre fake news, cultura do cancelamento e polarização política.

8. Individualismo Exacerbado

A falta de senso de coletividade impede que a sociedade se organize para resolver problemas que afetam a todos.

  • Repertório: Émile Durkheim e a “Anomia Social”. Quando as normas sociais perdem a força e o indivíduo passa a agir apenas por interesse próprio.
  • Aplicação: Temas como doação de órgãos, vacinação e trânsito.

9. Silenciamento e Invisibilidade Social

Certas parcelas da população são ignoradas pelo debate público e pelas políticas governamentais, tornando-se “invisíveis”.

  • Repertório: Djamila Ribeiro e o “Lugar de Fala”. A importância de romper o silêncio imposto a grupos minoritários.
  • Aplicação: Temas sobre comunidades indígenas, doenças mentais e trabalhadores informais.

10. Desafios da Era Tecnológica e Ética

O avanço técnico ocorre de forma muito mais veloz do que a nossa capacidade de criar uma ética para lidar com ele.

Aplicação: Inteligência artificial, engenharia genética e privacidade de dados.

Repertório: Hans Jonas e o “Princípio Responsabilidade”. A ideia de que devemos agir para que as condições de vida futura não sejam destruídas pela técnica.

Como aplicar seus argumentos coringas de forma estratégica?

Ter os argumentos coringas em mente é o primeiro passo. Assim, o segundo, e mais importante, é saber utilizá-los de forma inteligente, demonstrando autoria e conexão genuína com o tema.

1. Entenda o tema da redação a fundo:

Antes de “encaixar” um argumento, dedique um tempo para analisar o tema. Qual o problema central? Quais as suas causas e consequências? Somente assim você poderá escolher o argumento coringa mais pertinente.

2. Adapte, não simplesmente cite:

Um erro comum é apenas citar o pensador ou o conceito sem fazer a devida conexão com o tema. Assim, seu argumento coringa deve funcionar como uma ferramenta para analisar ou exemplificar um aspecto do problema que você está discutindo.

Exemplo de má aplicação: “Hobbes disse que o homem é lobo do homem. Por isso, a violência é um problema.” (Fraco, sem conexão clara)

Exemplo de boa aplicação: “A escalada da violência urbana reflete, em parte, a premissa de Thomas Hobbes de que, na ausência de um Estado capaz de impor o ‘contrato social’, os indivíduos agem de forma egoísta, priorizando seus interesses em detrimento do bem-estar coletivo.A falha na atuação estatal, portanto, permite que o ‘homem seja o lobo do próprio homem’ nas periferias das grandes cidades.” (Claro, contextualizado e aprofundado)

3. Use conectivos e elementos de transição:

Integre o argumento coringa de forma fluida ao seu texto. Utilize conectivos como “Nesse contexto”, “Nesse sentido”, “Corroborando essa ideia”, “À luz de”, “Em consonância com”.

4. Desenvolva o argumento no parágrafo:

Não basta mencionar. Desenvolva o argumento. Explique como ele se relaciona com o tema, apresente exemplos e desdobramentos. Então, lembre-se da estrutura do parágrafo argumentativo:

  • Tópico Frasal: Apresenta a ideia principal do parágrafo.
  • Argumento Coringa: Introduz o conceito, citação ou fato histórico.
  • Desenvolvimento: Explica como o argumento se aplica ao tema, com exemplificação, dados, etc.
  • Fechamento: Reforça a conexão com a tese.

5. Priorize a qualidade sobre a quantidade:

É melhor usar um ou dois argumentos coringas bem desenvolvidos do que vários mal explorados. A profundidade da sua análise é mais importante do que a quantidade de referências.

Perguntas frequentes:

O que são argumentos coringas na redação do ENEM?

Argumentos coringas são teses e conceitos socioculturais versáteis que podem ser aplicados a diversos temas de redação. Eles funcionam como uma estrutura base, ajudando o aluno a ganhar tempo e garantir a presença de repertório legitimado, desde que sejam conectados logicamente ao problema proposto.

Posso perder pontos por usar um argumento “muito comum”?

Não. O corretor não penaliza o uso de argumentos conhecidos, como a “negligência estatal”. O que desconta pontos na Competência 3 é o uso produtivo inadequado. Para evitar isso, você deve sempre explicar como aquele conceito se aplica especificamente ao tema do ano, demonstrando autoria.

Quantos argumentos coringas devo usar no meu texto?

O ideal é selecionar dois argumentos centrais — um para cada parágrafo de desenvolvimento (D1 e D2). Tentar usar muitos repertórios diferentes pode tornar seu texto superficial e prejudicar a organização das ideias.

Como encaixar citações filosóficas de forma natural?

A melhor forma é utilizar a técnica da Ponte Argumentativa. Primeiro, apresente o problema real da sociedade brasileira; em seguida, introduza a citação com conectivos de conformidade (ex: “Em consonância com…”, “Sob a ótica de…”) e finalize explicando como a teoria do pensador ajuda a entender o problema atual.

Qual o melhor argumento coringa para temas ambientais?

Para temas ambientais, os argumentos de “Negligência Governamental” (falha na fiscalização) e “Mentalidade de Consumo” (teoria de Zygmunt Bauman sobre o descarte) são os mais eficazes, pois tocam na raiz da exploração predatória da natureza.

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