Gênero textual resenha crítica: estrutura e exemplo

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A resenha crítica combina o resumo de uma obra com uma análise avaliativa fundamentada. Sua estrutura exige cabeçalho, introdução, síntese do conteúdo, exame crítico (argumentação) e conclusão com recomendação.

Uma mulher jovem de cabelos castanhos sentada à mesa de um café ou restaurante, concentrada enquanto escreve em um caderno aberto.

A resenha crítica é um gênero textual que vai além do simples resumo, estabelecendo uma ponte entre a descrição de uma obra cultural (livro, filme, artigo) e o julgamento fundamentado de seu valor. Caracteriza-se por sua natureza opinativa e analítica, funcionando como um guia para o público ao destacar méritos, falhas e a relevância social ou acadêmica do objeto resenhado.

No contexto de vestibulares como o da UFSC, a resenha exige que o autor demonstre repertório ao conectar o conteúdo da obra com temas transversais da atualidade — como as relações de poder e a precarização do trabalho —, exigindo uma linguagem formal, objetiva e uma análise profundamente argumentativa.

O que é gênero textual resenha crítica?

O gênero textual resenha crítica é um tipo de texto que combina resumo e avaliação crítica de uma obra, seja ela um livro, artigo científico, filme, peça teatral, biografia, ou outra produção cultural.

Assim, a resenha crítica não se limita a descrever o conteúdo da obra, mas também oferece uma análise detalhada e um julgamento fundamentado sobre seus méritos e defeitos.

Além disso, a resenha é um texto de natureza opinativa e caráter efêmero, isto é, datado por um momento e cujo objetivo é divulgar obras de consumo cultural e até mesmo artigos científicos.

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Qual a estrutura do gênero textual resenha crítica?

Assim, é composta basicamente pelo seguinte modelo textual:

  • Nome do resenhador;
  • Alguns dados biográficos do autor da obra resenhada;
  • Um resumo ou síntese do conteúdo da obra;
  • A avaliação crítica e o discurso argumentativo;
  • As considerações finais e informações sobre o público-alvo a quem a resenha se destina.

Em outras palavras, a resenha deve destacar as contribuições que traz aos estudiosos de uma determinada área do conhecimento.

Assim, confira a seguir a estrutura do gênero textual resenha crítica:

Estrutura de uma Resenha Crítica:

  1. Título: deve ser claro e informativo, podendo incluir o nome da obra resenhada e um subtítulo sugestivo.
  2. Introdução:
    • Apresentação da obra (título, autor, contexto de publicação).
    • Propósito da obra e público-alvo.
    • Objetivo da resenha (informar, analisar, recomendar).
  3. Resumo:
    • Descrição breve do conteúdo da obra, abordando os principais pontos, argumentos ou enredo.
    • Evitar excessivos detalhes ou spoilers (no caso de obras de ficção).
  4. Análise Crítica:
    • Avaliação dos aspectos positivos e negativos da obra.
    • Comentários sobre a estrutura, linguagem, estilo e originalidade.
    • Discussão sobre a relevância do tema e a contribuição da obra para a área de conhecimento.
    • Comparação com outras obras ou autores, se pertinente.
  5. Conclusão:
    • Síntese das principais observações feitas na análise.
    • Recomendação ou não da obra, com justificativas.
    • Reflexão final sobre o impacto da obra.
  6. Referências (opcional):
    • Citação das fontes utilizadas na análise, se houver.

Proposta de redação vestibular UFSC 2025:

INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO

1. Leia e observe atentamente as propostas e escolha somente uma delas para a sua redação.
2. Não escreva em versos. Use linguagem clara, na variedade padrão da língua portuguesa.
3. Transcreva sua redação de forma legível no espaço de 30 linhas da folha oficial de redação e preencha a bolha que contém o número da proposta escolhida. Esse preenchimento não implica descontos ou acréscimos na pontuação.
4. Não será avaliada redação contida na folha de rascunho, no verso da folha oficial de redação ou transcrita a lápis.
5. Será atribuído zero à redação com fuga total do tema, resultante de plágio, escrita em versos ou com identificação e/ou assinatura do(a) candidato(a).

Atenção: O espaço para rascunho da redação encontra-se na página 32 deste caderno.

Texto 1

No Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC 2025, foi indicada a leitura de três romances, e um dos temas transversais entre essas obras é a exploração por parte do patrão aos seus empregados, sobretudo quando estes são pretos e mulheres.

Quando estivéssemos estabelecidos poderíamos planejar a nossa partida, ir atrás dos sonhos de Severo, que passaram a ser meus também. Não queria também viver o resto da vida ali, ter a vida de meus pais. Se algo acontecesse a eles, não teríamos direito à casa, nem mesmo à terra onde plantavam sua roça. Não teríamos direito a nada, sairíamos da fazenda carregando nossos poucos pertences. Se não pudéssemos trabalhar, seríamos convidados a deixar Água Negra, terra onde toda uma geração de filhos de trabalhadores havia nascido. Aquele sistema de exploração já estava claro para mim. Mas eu era muito nova e aquele não seria o momento, muito menos as circunstâncias adequadas para partir.

VIEIRA Jr., Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. p. 83.

Temos que lutar juntos contra a burguesia que tira a nossa saúde e nos transforma em trapos humanos! Tiram do nosso seio a última gota de leite que pertence a nossos filhinhos para viver no champanhe e no parasitismo! Nós, à noite, nem força temos para acalentar nossas crianças, que ficam sozinhas e largadas o dia inteiro, ou fechadas em quartos imundos, sem ter quem olhe para elas. […] Estamos com o pagamento atrasado e chegamos até a passar fome […].

GALVÃO, Patrícia [Pagu]. Parque industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 81.

Hoje fico com pena do sacrifício que era se tornar invisível. Além dos espaços apertados que ocupávamos, o silêncio era um companheiro. Era preciso estar presente sem estar. Uma boa serviçal é silenciosa, e a criança que é a filha dessa mulher também deve ser. Ela não pode rir como uma criança, não pode pular ou fazer travessuras como uma criança. Ela não é uma criança. É um incômodo, alguém apenas tolerado […] No final eles já estavam acostumados. Já tinham o “dom da invisibilidade”. Já sabiam como estar sem deixar ninguém se aperceber de que estavam.

CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 97

Texto 2

Pesquisa inédita do IBGE mostra que Brasil tem 2,1 milhões de trabalhadores por aplicativo

Jornada é maior e ganho por hora é até 37% menor em relação aos que prestam o mesmo tipo de serviço fora das plataformas. Estudo também constatou ‘autonomia limitada’ do trabalhador em relação ao app.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/10/25/pesquisa-inedita-do-ibgemostra-que-brasil-tem-21-milhoes-de-trabalhadores-por-aplicativo.ghtml. [Adaptado]

Texto 3

Empreendedorismo é o nome da escravidão contemporânea

Cabe de tudo no “empreendedorismo”, até a precarização do trabalho e da vida humana.

Deixando a cargo do trabalhador a alimentação, água, equipamento de trabalho e EPIs, essas grandes empresas se equiparam a casos famosos de fazendas flagradas cometendo o crime de submeter o trabalhador à condição análoga à escrava, onde os trabalhadores precisam alugar foices, luvas, botas, capacetes e até a garrafa térmica para que levem água para a lavoura. Entregador de aplicativo de alimentação, circulando com uma bicicleta alugada. Essa cena se tornou cada vez mais comum com o crescimento do desemprego. Em alguns grupos de empreendedorismo, essa atitude de “pagar para trabalhar” é romantizada e exaltada, mas, para quem precisa recorrer a esse meio de trabalho, não há vantagens.

Disponível em: https://www.dossie.etc.br/post/empreendedorismo-o-nome-da-escravidaocontemporanea. [Adaptado].

PROPOSTA 3

Produza uma resenha sobre uma das obras mencionadas no texto 1 desta prova de redação, considerando as condições de trabalho tematizadas na obra. Não assine seu nome.

Exemplo de resenha crítica:

A obra Solitária, de Eliana Alves Cruz, mergulha nas entranhas das relações laborais brasileiras para expor a persistência de uma lógica escravocrata no trabalho doméstico contemporâneo. Ao narrar a vida de Mabel e sua mãe, Eunice, o romance transcende a ficção e torna-se um documento crítico essencial para compreender como a precarização do trabalho se manifesta por meio da anulação da subjetividade do trabalhador, especialmente quando este é uma mulher negra.

O cerne da narrativa reside na “invisibilidade” imposta às protagonistas, que habitam os quartos de serviço — espaços que, embora centrais na funcionalidade dos lares de elite, são projetados para esconder existências. Eunice personifica a “boa serviçal”: aquela que deve estar presente sem ser percebida, operando em um silêncio que beira a desumanização. Essa dinâmica de exploração, tematizada na obra, revela que o trabalho não consome apenas a força física, mas exige o sacrifício da própria identidade e dos direitos mais básicos, como o lazer e a convivência familiar.

Ao conectarmos o universo de Cruz aos dados contemporâneos de precarização, percebemos que a “autonomia limitada” citada por pesquisas atuais sobre trabalhadores de aplicativos ecoa o falso senso de liberdade das personagens. Em Solitária, o patrão não detém apenas o tempo da empregada, mas exerce um controle absoluto sobre o ambiente e a conduta de quem o serve. A obra denuncia que, sob o verniz da modernidade, ainda subsiste o “dom da invisibilidade”, uma estratégia de sobrevivência forçada que transforma seres humanos em engrenagens silenciosas.

Em suma, Solitária é uma leitura indispensável e desconfortável. Eliana Alves Cruz oferece uma resenha ácida da herança colonial brasileira, provando que, enquanto o trabalho for pautado na invisibilidade e na negação de direitos, a liberdade celebrada pelo progresso econômico será apenas uma ilusão para milhões de brasileiros.

Perguntas frequentes:

O que diferencia a resenha do resumo na prova da UFSC?

O resumo apenas sintetiza o enredo ou as ideias principais. A resenha obrigatoriamente contém um posicionamento crítico e uma análise sobre como a obra aborda o tema proposto (neste caso, as condições de trabalho).

É permitido usar a primeira pessoa do singular (“Eu acho”)?

Embora a resenha seja opinativa, recomenda-se o uso da terceira pessoa ou da primeira pessoa do plural (“percebe-se”, “notamos”, “conclui-se”) para conferir maior credibilidade e formalidade ao texto acadêmico.

Qual o erro que pode zerar minha redação nesta proposta?

Assinar o texto ou colocar qualquer marca que identifique o candidato, fugir do tema (trabalho) ou não fazer a análise crítica da obra escolhida, limitando-se apenas a resumir a história.

Preciso dar uma nota ou recomendação ao final?

Sim. Faz parte da estrutura da resenha indicar se a obra é relevante para o público e por que sua leitura é necessária para compreender o tema discutido.

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