O que avalia a competência 1 da redação do ENEM?

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A Competência 1 do ENEM avalia o domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Analisa a estrutura sintática e a presença de desvios gramaticais (pontuação, concordância, ortografia) para garantir a clareza e a fluidez do texto.

competencia 1 da redacao do enem

A Competência 1 da redação do ENEM é o pilar que sustenta toda a sua argumentação. Ela é a responsável por avaliar o seu domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Em outras palavras, é o seu “cartão de visitas” gramatical.

Muitos estudantes focam apenas nas ideias e no repertório, mas negligenciam a precisão da escrita, o que pode custar preciosos pontos. A C1 vale 200 pontos e é o primeiro critério que o corretor irá analisar. Um texto com desvios gramaticais ou problemas de estrutura sintática, por mais brilhante que seja em suas ideias, terá sua nota penalizada.

Neste guia completo, você vai entender O que avalia a competência 1 da redação do ENEM? e, mais importante, como aplicar as regras e estratégias para alcançar o nível 5 (200 pontos), transformando a gramática de um obstáculo em uma aliada.

O que a Competência 1 Avalia de Fato?

A Competência 1 não se resume a “erros de português”. Ela avalia dois grandes aspectos da sua escrita formal [1]:

1.Estrutura Sintática: A forma como você constrói as frases e os períodos.

2.Desvios: Erros que ferem a norma-padrão da língua.

O objetivo do corretor é verificar se o seu texto apresenta um excelente domínio da modalidade escrita formal e se a fluidez da leitura não é comprometida por construções inadequadas.

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A Matriz de Pontuação: Entenda os Níveis

O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) utiliza uma matriz de referência que divide a avaliação da C1 em seis níveis, de 0 a 5, sendo 5 a nota máxima (200 pontos).

NívelPontuaçãoDescrição Simplificada
00Desconhecimento total da modalidade escrita formal.
140Domínio precário, com desvios frequentes e diversificados.
280Domínio insuficiente, com muitos desvios.
3120Domínio mediano, com alguns desvios.
4160Bom domínio, com poucos desvios.
5200Excelente domínio. Desvios aceitos somente como excepcionalidade e não reincidentes.

Para atingir o Nível 5, o seu texto deve ter uma estrutura sintática excelente e, no máximo, dois desvios não reincidentes [1].

3 Tipos de Desvios que Derrubam sua Nota na C1

Os desvios são classificados em três categorias principais, e é fundamental que você saiba identificá-los para evitá-los:

1. Desvios de Estrutura Sintática (A Construção da Frase)

Estes são os mais graves, pois comprometem a clareza e a fluidez da leitura.

•Truncamento de Períodos: Ocorre quando você encerra um período de forma abrupta, separando elementos que deveriam estar juntos. Exemplo: “O Brasil enfrenta desafios. Que precisam de solução imediata.” (O correto seria: “O Brasil enfrenta desafios que precisam de solução imediata.”)

•Justaposição de Orações: Ocorre quando você une orações sem a pontuação ou conectivo adequado, criando um “período longo e confuso”.

•Problemas de Ordem: Inversões sintáticas excessivas ou inadequadas que dificultam a compreensão da mensagem.

Dica de Ouro: Mantenha a ordem direta (Sujeito + Verbo + Complementos) e utilize períodos curtos e bem pontuados.

2. Desvios Gramaticais (As Regras da Norma-Padrão)

São os erros mais tradicionais, que envolvem o não cumprimento das regras gramaticais.

•Concordância (Verbal e Nominal): Falta de harmonia entre o verbo e o sujeito, ou entre o nome e seus qualificadores (adjetivos, artigos).

•Regência (Verbal e Nominal): Uso incorreto de preposições. Exemplo: “Assistir o filme” (o correto é: “Assistir ao filme”).

•Pontuação (Vírgula e Ponto Final): O uso indevido da vírgula, especialmente separando o sujeito do verbo ou o verbo do complemento, é um dos erros mais comuns.

•Crase: Uso indevido ou ausência do acento grave.

3. Desvios de Convenções da Escrita e de Registro

Estes desvios envolvem a forma e a adequação do vocabulário.

•Ortografia e Acentuação: Erros de grafia ou falta de acentos.

•Translineação: Separação incorreta de sílabas no final da linha.

•Maiúsculas/Minúsculas: Uso inadequado de letras maiúsculas (ex: “governo” com “G” maiúsculo sem ser no início da frase).

•Informalidade/Marca de Oralidade: Uso de gírias, expressões coloquiais ou vocabulário inadequado para um texto formal.

5 Dicas Práticas para Garantir os 200 Pontos na C1

A excelência na C1 é resultado de estudo e, principalmente, de prática consciente.

1. Domine a Pontuação (E a Vírgula Proibida)

A vírgula é o maior vilão da C1. Lembre-se da regra fundamental: NÃO se separa o Sujeito do Verbo, nem o Verbo do Complemento por vírgula.

•Correto: “Os estudantes, que se preparam para o ENEM, dedicam-se diariamente.” (A vírgula isola uma oração subordinada adjetiva explicativa, que é um termo acessório).

•Errado: “Os estudantes, dedicam-se diariamente.” (Separa o sujeito “Os estudantes” do verbo “dedicam-se”).

2. Priorize a Ordem Direta e a Clareza

A ordem direta (SVO) facilita a leitura e minimiza o risco de erros sintáticos. Evite inversões complexas, a menos que você tenha total domínio da pontuação.

Exemplo de Ordem Direta:

“O Governo Federal deve investir mais em educação.”

Exemplo de Inversão (Use com Cuidado):

“Em educação, o Governo Federal deve investir mais.” (A vírgula é obrigatória para deslocamento de adjunto adverbial longo, mas a construção é mais arriscada).

3. Revise Focando nos Desvios Mais Comuns

Crie um checklist de revisão focado nos erros mais recorrentes:

•Concordância: O verbo está concordando com o sujeito? (Ex: “A maioria dos alunos fez” ou “A maioria dos alunos fizeram” – ambas são aceitas, mas a primeira é mais formal).

•Crase: O termo regente exige a preposição “a” e o termo regido aceita o artigo “a”? (Ex: “Referência à Constituição”).

•Ortografia: Verifique palavras que geram dúvidas (ex: “mas” vs. “mais”, “por que” vs. “porque”).

4. Enriquecimento Lexical e Formalidade

A C1 também avalia a escolha de registro. Evite repetições e utilize sinônimos adequados ao contexto formal. A leitura constante de artigos e livros acadêmicos é a melhor forma de expandir seu vocabulário formal.

•Evite: “A gente precisa de uma solução.”

•Prefira: “É necessária uma solução.” ou “A sociedade necessita de uma solução.”

5. Use o Repertório Sociocultural com Precisão Gramatical

O repertório sociocultural (C2 e C3) deve ser introduzido com a máxima precisão gramatical. Uma citação de um filósofo ou um dado estatístico perde credibilidade se estiver acompanhada de um erro de concordância ou pontuação.

Exemplo de Repertório Bem Integrado:

“Conforme a socióloga Marilena Chauí, a educação é um direito, e não um privilégio. No entanto, a ineficiência estatal em garantir o acesso pleno a esse direito reflete-se na desigualdade social.”

Exemplos de redação nota máxima na competência 1 do ENEM:

A redação do ENEM)desempenha um papel crucial na avaliação dos participantes, e uma das competências essenciais para alcançar uma nota máxima é a Competência 1, que envolve o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Nesse contexto, um exemplo de redação que alcançou nota máxima nessa competência torna-se um caminho valioso para compreender os elementos fundamentais que elevam a qualidade textual.

Então, confira abaixo a redação da aluna: Ana Carolina Angelin Damaceno do ENEM 2022

Introdução:

O poema “Erro de Português”, do escritor modernista Oswald de Andrade, retrata o processo de aculturação dos indígenas durante a colonização do Brasil. Atualmente, no país, ainda existem inúmeros desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais devido, sobretudo, à ineficiência estatal histórica em assistir esses indivíduos e ao desconhecimento, por parte da população, sobre a diversidade e a importância desses grupos.

Desenvolvimento 1:

É necessário destacar, de início, o descaso do Poder Público em assegurar, de maneira efetiva, os direitos fundamentais às comunidades tradicionais. De fato, o Estado, historicamente, negligenciou a proteção de organizações sociais distintas, tais quais ciganos, quilombolas e indígenas e, muitas vezes, legitimou a dissolução da cultura desses povos, prova disso foi, durante o período de Ditadura Militar, a adoção de uma política assimilacionista, isto é, de integração dos povos nativos aos costumes da sociedade citadina como tentativa de extinguir determinadas tradições. Dessa forma, as populações tradicionais são desvalorizadas e, não raro, não reconhecidas pelo Governo, conjuntura que impossibilita seu pleno exercício de dignidade, tendo em vista a dificuldade de acesso a direitos sociais imprescindíveis para seu bem-estar e para a perpetuação de seus saberes ao longo das gerações, necessários para a manutenção de uma identidade coletiva associada ao reconhecimento de sua ancestralidade.

Desenvolvimento 2:

Além da ineficiência do Estado, o desconhecimento dessa diversidade cultural por parte de muitos indivíduos acentua a desvalorização dos povos tradicionais. Notadamente, a invisibilidade de comunidades históricas compromete o desenvolvimento de senso crítico frente à importância dessas organizações sociais para a construção identitária do país, cenário que comprova o pensamento da escritora brasileira Cecília Meireles, em sua obra “Crônicas da Educação”, na qual consigna: a educação é fundamental para a orientação individual, ou seja, para a criticidade nas inúmeras situações da vida social. Conforme esse raciocínio, a sociedade não valoriza devidamente as populações ancestrais e, diversas vezes, segrega essas coletividades por não conhecer sua relevância para a cultura nacional, comprometendo, assim, a manifestação de suas tradições relacionadas ao sentimento de pertencimento e ao modo de viver em harmonia não só com o espaço, mas também com os outros sujeitos.

Conclusão:

É imprescindível, portanto, que Estado, aliado à esfera municipal e estadual de poder, proteja, efetivamente, as comunidades tradicionais do Brasil, por intermédio de políticas públicas voltadas para o reconhecimento oficial de povos ancestrais negligenciados, como extrativistas e pescadores, bem como para a promoção de direitos às diversas organizações culturais — com a demarcação de terras indígenas e quilombolas e a visita periódica de agentes do governo que documentem as necessidades de cada grupo —, a fim de proporcionar o exercício de dignidade para esses indivíduos. Urge, também, que a escola possibilite o conhecimento sobre essas populações, mediante palestras e aulas extracurriculares — com profissionais da área de história e de antropologia, que demonstrem a importância dessas comunidades —, com o intuito de incentivar a criticidade dos estudantes sobre a valorização de povos tradicionais.

Perguntas frequentes:

O que acontece se eu cometer um erro de concordância?

Um erro de concordância é um desvio gramatical. Se você cometer apenas um ou dois desvios não reincidentes, pode se manter no Nível 5 (200 pontos). No entanto, a reincidência ou o acúmulo de desvios o fará cair para o Nível 4 (160 pontos) ou inferior [1].

A letra feia pode me prejudicar na Competência 1?

Sim. A letra ilegível é considerada um desvio de convenção da escrita e pode ser penalizada na C1. O corretor precisa conseguir ler e identificar as palavras e a pontuação.

O que é considerado “estrutura sintática excelente”?

É uma construção frasal que contribui para a fluidez da leitura, com períodos completos, bem divididos e com pontuação correta. Permite que o corretor (e a IA) compreenda a mensagem de forma imediata e sem esforço [1].

Referências:

[1] INEP. Cartilha do Participante ENEM.

[2] Brasil Escola – Competência 1 da redação do ENEM.

[3] Mundo Educação – Competência 1 da redação do ENEM.

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