Você já assistiu à novidade do catálogo da Netflix? Veja como a série “Adolescência” e a masculinidade tóxica, sobre um adolescente radicalizado, pode ser usada em escolas para discutir temas como misoginia e responsabilidade digital.
“Imaginem uma bola de demolição que se desprende e vai rolando, arrasando tudo por onde passa.” Com essa imagem impactante, a crítica Isabela Boscov inicia sua análise de Adolescência, a perturbadora série britânica que expõe com rara crueza como a masculinidade tóxica pode se transformar em violência real.
Produzida pela BBC e disponível na Netflix, a narrativa acompanha Jimi, um adolescente de 13 anos acusado de um crime brutal contra uma colega de escola.
Em quatro episódios filmados em plano-sequência, técnica que intensifica a sensação de inevitabilidade, a série nos arrasta para o interior do turbilhão emocional de uma família comum que vê sua vida desmoronar quando percebe, tarde demais, os sinais de radicalização do filho.
Quer entender melhor sobre o assunto da série “Adolescência” e a masculinidade tóxica? Continue com o CRIA e boa leitura.

Série “Adolescência” e a masculinidade tóxica: enredo e a premissa
A série começa com uma unidade de choque invadindo a casa de uma família de classe média no norte da Inglaterra (Yorkshire) para prender Jimi, um menino de 13 anos. Isso porque ele é acusado de assassinar uma colega de escola da mesma idade.
Assim, aterrorizado, Jimi grita por seu pai e insiste em sua inocência, trama central da minissérie.
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Por que a série “Adolescência” precisa ser discutida nas escolas?
A série britânica “Adolescência” (original: The Village) chegou à Netflix e se tornou um fenômeno por abordar um tema urgente: a masculinidade tóxica e suas consequências devastadoras na vida dos jovens.
Assim, com uma narrativa intensa e personagens profundos, a série expõe como a falta de diálogo, a pressão social e a influência digital podem levar adolescentes a atos extremos.
O que a série “Adolescência” nos ensina?
A história acompanha Jimi, um menino de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola. Gradualmente, a série revela como ele foi manipulado por grupos online misóginos, enquanto sua família tenta entender onde falhou.
Temas principais:
- 🔹 A solidão dos adolescentes — Jimi é vítima de bullying e busca aceitação em fóruns radicais.
- 🔹 A ausência paterna — seu pai, Eddie, é trabalhador, mas não percebe os sinais de alerta.
- 🔹 A influência da internet — a série mostra como discursos de ódio online radicalizam jovens vulneráveis.
- 🔹 Falhas do sistema — escola, família e polícia não conseguem evitar a tragédia.
Masculinidade tóxica na série: o que isso significa para nossos alunos?
A série questiona: Como meninos são ensinados a lidar com emoções?
- Jimi aprende que “homem não chora” e que raiva é a única emoção permitida.
- Ele é recrutado por incels (celibatários involuntários), que culpam mulheres por sua frustração.
- Seu pai, Eddie, repete padrões machistas sem perceber, como valorizar apenas força e não diálogo.
Dados reais que se relacionam:
📌 1 em cada 5 meninos acredita que homens devem ser “duros” (Pesquisa Instituto Promundo).
📌 Aumento de 300% em discursos de ódio online entre adolescentes (Relatório SaferNet).
O que são INCELS?
O termo “incel” — abreviação de involuntary celibates (celibatários involuntários) — designa homens que, frustrados por se sentirem rejeitados por mulheres, adotam posturas misóginas e hostis, encontrando um terreno fértil na internet para disseminar seu ressentimento.
Nas profundezas da web, esses indivíduos se organizam em comunidades onde o anonimato os protege e a cumplicidade do ódio os fortalece.
Desse modo, longe dos olhos do público geral, eles transformam sua vulnerabilidade em agressividade, compartilhando narrativas distorcidas que justificam sua raiva e alimentam uma visão tóxica das relações de gênero.
Dica para professores: fique atento ao vocabulário que seus alunos usam — termos como “beta” ou “chad” podem ser sinais de que estão sendo expostos a essas comunidades online.
Como trabalhar “Adolescência” na escola?
A série é um disparador perfeito para debates sobre saúde mental, relações saudáveis e responsabilidade digital.
Atividades para sala de aula:
- Debate em grupo:
- Perguntas-chave:
- “Por que Jimi se tornou violento?”
- “O que a escola poderia ter feito diferente?”
- “Como a internet influencia o comportamento dos jovens?”
- Perguntas-chave:
- Análise de personagens:
- Divida a turma em grupos para discutir:
- Jimi (o adolescente)
- Eddie (o pai)
- A psicóloga (a única que tenta entender Jimi)
- Divida a turma em grupos para discutir:
- Roda de conversa sobre masculinidade:
- Discutir:
- “O que é ser homem hoje?”
- “Como podemos expressar emoções sem violência?”
- Discutir:
- Projeto: “Como identificar sinais de alerta”
- Criar cartazes ou vídeos sobre comportamentos de risco (isolamento, ódio online, agressividade).
A Manosphere no Brasil: ódio, política e anonimato
No Brasil, esse movimento ainda é fragmentado, mas cresce rapidamente, especialmente em espaços onde o discurso de extrema-direita ganhou força nos últimos anos.
Redes sociais como Facebook, YouTube e Telegram abrigam comunidades nas quais a misoginia se disfarça de “defesa da masculinidade tradicional”. No entanto, são os chans — fóruns como o BrazilChan — que oferecem o habitat perfeito para o ódio se proliferar sem restrições.
Com interfaces propositalmente rudimentares e regras que privilegiam o anonimato absoluto, esses espaços atraem aqueles que se orgulham de rejeitar o “mundo moderno”.
Além disso, a falta de moderação e a rotatividade de posts criam uma sensação de impunidade, de modo que estes usuários se sentem livres para destilar ódio sem consequências.
É um ambiente volátil, onde ideias radicais são espalhadas como fogo em palha seca, ou seja, onde jovens impressionáveis são facilmente recrutados para uma guerra imaginária contra as mulheres e a “degeneração social”.
O perigo silencioso: quando o virtual vira real
O grande risco dessa subcultura online é sua capacidade de migrar para o mundo real. Nesse sentido, que começa como um discurso agressivo em fóruns anônimos, pode evoluir para ataques misóginos, assédio sistemático e, em casos extremos, violência física.
A escalada é gradual: primeiro, o jovem se identifica com a narrativa de “rejeição”; depois, culpa mulheres por seus fracassos; por fim, alguns chegam a justificar a agressão como uma forma de “vingança”.
Enquanto isso, fora das bolhas digitais, escolas e famílias muitas vezes nem percebem que seus alunos e filhos estão sendo cooptados por essa ideologia.
O desafio, portanto, é reconhecer os sinais, o uso de termos como “beta” ou “Femoid”, a adesão a teorias redpill, a hostilidade contra feminismo, e criar espaços de diálogo que ofereçam alternativas saudáveis à masculinidade tóxica.
Porque, no fim das contas, o que está em jogo não é somente o combate a um movimento online, mas a proteção de uma geração inteira que, em sua solidão, pode estar sendo envenenada por ideias que transformam dor em ódio e ódio em violência.
Outras visões: Podcast Café da Manhã
Para aprofundar essas questões, o podcast Café da Manhã da Folha de S.Paulo trouxe em seu episódio de sexta-feira (28) uma entrevista reveladora com a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro.
No programa, a magistrada, que é autora de um protocolo de prevenção da violência em escolas e realiza palestras sobre o tema para pais e adolescentes, faz paralelos entre a ficção e os casos reais que atende diariamente.
Ela destaca que casos semelhantes aos retratados já ocorrem em território nacional, envolvendo inclusive meninos de classe média. A magistrada aponta falhas cruciais na parentalidade contemporânea, com pais cada vez mais distraídos e ausentes, incapazes de perceber os sinais de sofrimento de seus filhos.
O abismo geracional se aprofunda com as diferenças radicais na linguagem e na compreensão do mundo virtual entre adolescentes e adultos. Além disso, Vanessa Cavalieri também enfatiza a urgente necessidade de regulamentação do conteúdo online e maior responsabilização das plataformas digitais.
A análise da masculinidade tóxica revela padrões de comportamento profundamente arraigados, como a máxima de que “homem não chora”, que alimentam o recrutamento de jovens por comunidades incels e misóginas.
Outro ponto é a falta de modelos saudáveis de masculinidade disponíveis para esses adolescentes contrasta com casos reais de violência doméstica praticada por jovens, um fenômeno crescente e alarmante.
No ambiente escolar, a série mostra como a instituição reproduz conflitos e práticas de bullying, enquanto enfrenta o desafio de ampliar seu conceito de espaço educativo para incluir as interações online que continuamente transbordam para o cotidimento das salas de aula.
Desse modo, essa expansão traz consigo a responsabilidade de identificar e intervir em situações de risco que antes passavam despercebidas.
Como o CRIA pode ajudar no aprendizado?
Após refletirmos sobre os desafios apresentados em Adolescência e a urgência de abordar a masculinidade tóxica nas escolas, surge a necessidade de discutir essa temática no ambiente educacional.
A plataforma do CRIA é um recurso essencial para otimizar o tempo, melhorar o desempenho dos alunos e facilitar a rotina docente, o que permite aos professores mais tempo para acompanhar os estudantes.
Agora que você já sabe mais sobre série “Adolescência” e a masculinidade tóxica, o CRIA pode ser a ferramenta que pode facilitar esse processo. Mas o que é o CRIA?
O CRIA é um corretor de redação por inteligência artificial que utiliza modelos de aprendizado de máquina gerados por meio de redações escritas por alunos reais e corrigidas por professores.
Além disso, o CRIA realiza previsões de notas por competência, análise de contexto na introdução, previsão de defesa de tese, previsão de fuga ao tema, previsão de intervenção, uso de parônimas e homônimas, etc.
Mas o que o CRIA faz por você?
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