O artigo de opinião é um gênero textual jornalístico e argumentativo, publicado em jornais, revistas, blogs e outros meios de comunicação, cujo objetivo é apresentar e defender um ponto de vista sobre um tema atual e relevante. Nesse gênero, o autor expõe sua tese e a sustenta com argumentos consistentes, buscando persuadir o leitor.
Para que um artigo de opinião seja bem-sucedido, é fundamental seguir uma estrutura lógica e coesa, garantindo fluidez textual e clareza argumentativa.
Neste guia completo do CRIA, você vai entender, passo a passo, como funciona a estrutura do artigo de opinião, com exemplos, dicas práticas e orientações alinhadas às exigências dos vestibulares.
Por que a estrutura do artigo de opinião é importante?
A estrutura do artigo de opinião não é apenas uma formalidade: ela funciona como a espinha dorsal da argumentação. Uma organização clara facilita a compreensão do leitor, torna o texto mais persuasivo e evita contradições.
Além disso, um artigo bem estruturado demonstra domínio do tema e maturidade argumentativa, aumentando a credibilidade do autor. No CRIA, acompanhamos de perto as exigências dos principais vestibulares e sabemos que textos bem organizados tendem a alcançar melhores avaliações.
Assim, ao seguir uma estrutura definida, você garante que todos os elementos essenciais para a defesa de um ponto de vista estejam presentes e bem articulados.
Você também pode se interessar por:
- Estrutura da notícia: título, lead, corpo e fechamento
- Como estruturar uma redação?
- Gênero textual resenha crítica: estrutura e exemplo
Diferenças entre artigo de opinião e outros gêneros textuais
Embora o artigo de opinião tenha semelhanças com a dissertação-argumentativa do ENEM, ele apresenta características próprias.
- Autoria identificada: o artigo de opinião costuma ser assinado;
- Uso da primeira pessoa: é permitido empregar expressões como “eu defendo” ou “acredito que”;
- Tom mais pessoal e persuasivo, sem perder a formalidade.
Diferentemente do editorial, que expressa a opinião de um veículo de comunicação, o artigo de opinião reflete o posicionamento individual do autor. Compreender essas distinções é essencial para produzir um texto adequado ao gênero e ao contexto de publicação.
Estrutura do artigo de opinião: introdução, desenvolvimento e conclusão
De modo geral, a estrutura do artigo de opinião segue três partes fundamentais: introdução, desenvolvimento e conclusão. Cada uma desempenha um papel específico na construção da argumentação.
1. Introdução: apresentação do tema e da tese
A introdução é o primeiro contato do leitor com o texto. Ela deve ser breve, instigante e objetiva, apresentando o tema e a tese (ponto de vista).
Elementos essenciais da introdução:
- Contextualização do tema, destacando sua relevância social;
- Apresentação clara da tese que será defendida.
Exemplo de introdução:
As redes sociais transformaram profundamente a forma como os jovens se comunicam. Contudo, esse avanço tecnológico tem revelado impactos preocupantes na saúde mental dessa parcela da população. Diante disso, defende-se que a hiperconectividade e a busca constante por validação virtual contribuem significativamente para o aumento de quadros de ansiedade e depressão entre jovens.
2. Desenvolvimento: construção da argumentação
O desenvolvimento é a parte central do artigo de opinião. Nela, o autor apresenta argumentos sólidos, sustentados por dados, exemplos, pesquisas ou repertório sociocultural.
Como organizar o desenvolvimento:
- Cada parágrafo deve apresentar um argumento principal;
- As ideias precisam ser conectadas por conectivos adequados;
- É possível incluir contra-argumentos, desde que sejam refutados.
Exemplo de parágrafo de desenvolvimento:
Um dos principais fatores que explicam esse cenário é a cultura da comparação intensificada pelas redes sociais. A exposição constante a padrões de vida irreais contribui para sentimentos de inadequação e baixa autoestima. Segundo pesquisa da Royal Society for Public Health, plataformas como Instagram e Facebook estão associadas a maiores índices de ansiedade entre jovens, o que evidencia os riscos desse ambiente digital quando utilizado de forma excessiva.
3. Conclusão: retomada da tese e reflexão final
A conclusão deve retomar a tese, sintetizar os argumentos apresentados e propor uma reflexão ou solução para o problema discutido.
Elementos essenciais da conclusão:
- Reafirmação da tese;
- Síntese dos principais argumentos;
- Proposta de intervenção ou reflexão final.
Exemplo de conclusão:
Diante do exposto, torna-se evidente que o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens exige atenção urgente. Para enfrentar esse problema, é fundamental que plataformas digitais, instituições educacionais e o poder público promovam ações de conscientização e estratégias de uso responsável das redes, contribuindo para um ambiente virtual mais saudável.
Resumindo a estrutura do artigo de opinião:

Dicas para melhorar a estrutura do artigo de opinião
- Utilize linguagem persuasiva, sem perder a clareza;
- Garanta coesão e coerência entre os parágrafos;
- Empregue repertório sociocultural relevante;
- Respeite a norma-padrão da língua portuguesa;
- Seja claro, objetivo e evite repetições desnecessárias.
Quais são os vestibulares que cobram artigo de opinião?
Podemos dizer que todos os vestibulares e exames valorizam a habilidade dos candidatos em expressar suas opiniões de forma persuasiva e fundamentada. Assim, por meio da análise desses vestibulares, compreendemos a importância de conhecer a estrutura do artigo de opinião.
Então, como um meio de avaliar a capacidade dos futuros universitários em comunicar suas ideias e participar ativamente do debate de questões relevantes para a sociedade. Desse modo, confira os principais vestibulares que podem cobrar esse gênero textual:
- Universidade Federal de Santa Catarina;
- Universidade Estadual de Maringá;
- Universidade Federal do Paraná;
- Universidade Estadual de Campinas;
Proposta de redação – UNIOESTE 2023
Redija um ARTIGO DE OPINIÃO para ser publicada no jornal online www.uol.com.br abordando a temática:
PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA POLÍTICA BRASILEIRA
“A participação de mulheres está avançando de forma significativa na política, como podemos observar ao visualizar os resultados das últimas eleições e da ocupação de cargos estratégicos no âmbito da Câmara dos Deputados”. A observação é da secretária nacional de políticas para as mulheres do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Cristiane Britto, ao comentar fatos recentes da participação feminina na política. (…) Entre os destaques, a gestora chama a atenção para o número de mulheres que atualmente ocupam a mesa diretora da Câmara dos Deputados. (…) “Pela primeira vez temos três mulheres na direção da Câmara dos Deputados: Rose Modesto (PSDB/MS), Marília Arraes (PT/PE) e Rosângela Gomes (Republicanos/RJ)”, explica a secretária.
Adaptado de: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2021/abril/mulheres-batem-recordes-de-participacao-na-
-politica-brasileira Acesso em: 20.11.22.
Participação da mulher na vida política
(…) O maior número de candidaturas pode ser associado a uma maior emancipação feminina, o que não deixa de ser fato quando avaliamos as mudanças e transformações pelas quais o papel da mulher brasileira passou, mas não se resume a isso. Mesmo assim, segundo o site da Câmara dos Deputados Federais, um estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos, o que significa estar atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos. (…) O papel social da mulher e sua posição na sociedade brasileira ainda são permeados de contradições. Em termos quantitativos, basta analisarmos alguns dados apresentados pelo governo, observando-se que a participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9% e, no Senado, de 10% do total. Além disso, o número de governadoras de estado também ainda é muito pequeno.
Adaptado de: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/participacao-mulher-na-vida-politica.htm. Acesso em: 20.11.22
Exemplo de artigo de opinião:
A observação de que as mulheres estão batendo recordes de participação na política brasileira e ocupando, pela primeira vez, três cadeiras na mesa diretora da Câmara dos Deputados (Rose Modesto, Marília Arraes e Rosângela Gomes) é, inegavelmente, um passo. Esse avanço, notado pela secretária Cristiane Britto, reflete uma maior emancipação feminina na sociedade.
No entanto, o otimismo das manchetes esconde uma realidade estatística dolorosa: o Brasil ainda está muito aquém de uma representação democrática justa. A ascensão feminina é lenta e permeada por contradições.
Em termos quantitativos, os números falam mais alto que os recordes. A participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de apenas 9% do total, e no Senado, de 10%. O número de governadoras também é pequeno. A dimensão do problema é globalmente reconhecida: um estudo da União Interparlamentar (ONU) posicionou o Brasil em 120º lugar no ranking de proporção de mulheres em parlamentos. Essa classificação nos coloca atrás de nações como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.
Estar atrás de países com estruturas sociais tão distintas do Brasil em termos de representatividade política não é motivo para celebração de recordes, mas sim um sinal de alerta sobre a profundidade do machismo estrutural enraizado.
É vital que a sociedade brasileira entenda que a representação política não é apenas uma questão de justiça de gênero, mas de qualidade da democracia. A política carece da visão feminina para tratar de temas sociais, econômicos e de saúde com maior sensibilidade e eficácia.
Portanto, enquanto celebramos os marcos, devemos focar no abismo que ainda precisa ser cruzado. O desafio não é apenas aumentar o número de candidatas, mas sim derrubar as barreiras invisíveis que limitam a ascensão feminina a cargos de poder. Os recordes só serão verdadeiramente significativos quando a representatividade no Congresso deixar de ser estatística de minoria e se tornar um espelho fiel da população brasileira. O caminho para um Brasil mais justo passa, inevitavelmente, por um Congresso mais feminino.
Dúvidas frequentes sobre a estrutura do artigo de opinião:
Você já está por dentro dos principais aspectos da estrutura do artigo de opinião e sabe como eles podem turbinar seu texto, não é mesmo? No entanto, é natural que, ao aprender algo novo, surjam algumas dúvidas.
Assim, você pode esclarecer qualquer ponto pendente e se sentir ainda mais confiante para aplicar esses recursos em suas próximas redações, garantindo que nenhum detalhe passe despercebido.
A principal diferença está na autoria identificada (o artigo de opinião geralmente é assinado e pode usar a 1ª pessoa) e na liberdade de estilo. A dissertação-argumentativa do ENEM exige um texto em 3ª pessoa e uma estrutura mais formal, sem identificação do autor.
Não é obrigatório como na redação do ENEM, mas é altamente recomendado. Propor uma solução ou uma reflexão final aprofundada demonstra a capacidade do autor de ir além da crítica e pensar em alternativas para o problema abordado.
Geralmente, não é recomendado. O artigo de opinião busca persuadir um público amplo com argumentos universais e dados objetivos, e não com experiências individuais, que podem ser subjetivas e não representativas.
Não há uma regra fixa, mas o ideal é ter entre dois e três parágrafos de desenvolvimento. Cada um deve explorar um argumento diferente ou uma faceta do mesmo argumento, sempre em apoio à tese.
Escolha temas atuais, que gerem algum tipo de debate ou controvérsia. É fundamental que você tenha um ponto de vista claro sobre o assunto e consiga sustentá-lo com argumentos sólidos.
Esse artigo foi útil?
Média da classificação 4 / 5. Número de votos: 23
Lamentamos que este post não tenha sido útil pra você.
Vamos melhorar este post.
Como podemos melhorar esse post?




