Para escrever uma redação nota mil no ENEM, é preciso ficar atento a diversos fatores. Desde a compreensão da estrutura do texto dissertativo-argumentativo, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão — até a utilização ou não de palavrões na redação, uso adequado de conectivos e uma proposta de intervenção coerente.
Entre os domínios que o candidato deve demonstrar está o repertório sociocultural: o conhecimento das artes e a literatura. Mas também inclui a religião, a política, a economia, a tecnologia, as tradições culinárias, as festas populares.
Porém, os ditados populares acabam caindo no senso comum e não são considerados um repertório sociocultural de qualidade. Por esse motivo, jamais utilize ditados populares para embasar seu argumento.
Desse modo, o CRIA preparou esse artigo para você entender o que são os ditados populares. Ademais, vamos te ajudar a compreender como eles se fazem presentes nas redações do ENEM. Boa leitura.
Ditados populares na redação do ENEM: o que são?
Os ditados populares tratam sobre a cultura e o comportamento de um grupo de indivíduos. Além disso, demonstram a sabedoria popular, ou seja, senso comum.
Pensando nisso, não se recomenda o uso na redação do ENEM por poder ser um fator generalizante e isso é muito prejudicial ao estudante.
Dessa forma, caso o candidato opte por utilizar, corre o grande risco de cair no senso comum. Confira agora alguns exemplos de ditados populares:
Exemplos de ditados populares:
- Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura;
- De grão em grão, a galinha enche o papo;
- Casa de ferreiro, espeto de pau;
- Filho de peixe, peixinho é;
- Cão que ladra não morde;
- Por ele eu ponho minha mão no fogo;
- A pressa é inimiga da perfeição;
- Deus escreve certo por linhas tortas;
- Um dia é da caça, outro do caçador;
- De médico e louco todo mundo tem um pouco.
Portanto, pode-se pensar em ditados populares na redação do ENEM, mas não como argumento. De modo a argumentar de maneira coerente e coesa, precisa-se de dados científicos, jurismo, argumento de autoridade.
O que não fazer?
Em 2017, o tema o Exame Nacional do Ensino Médio foi: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Suponhamos, então, a seguinte argumentação: “Uma andorinha sozinha não faz verão”.
Em síntese, utilizar esse ditado para dizer que a solução dessa problemática depende de um conjunto de ações foge do contexto ENEM.
Então, demonstrar domínio de outras esferas, outros repertórios é mais interessante para esse momento.
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Exceção de ditados populares na redação do ENEM
Agora você já compreendeu o que são dos ditados populares e como não utilizá-los. É preferível que o candidato e outros meios de contextualizar a introdução ou argumentar.
Em suma, existem diversas maneiras de demonstrar repertório sociocultural. É possível fazer citação direta ou indireta de pensadores, apresentar dados estatísticos, fazer uma alusão histórica, etc. Então, não arrisque cair no senso comum e derrubar a sua nota.
Veja agora um exemplo de como pode funcionar os ditados populares na redação do ENEM:
“Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, ditado que reflete uma postura infelizmente ainda muito comum a uma sociedade que presencia sua parcela feminina submetida às mais variadas formas de violência…”
Aqui, o ditado foi utilizado de maneira perfeita, já que representa o pensamento de determinada cultura e como ele colabora para a manutenção do problema.
Perguntas frequentes:
Poder, você pode, mas não é recomendado utilizá-los como base para o seu argumento. O ENEM exige um repertório sociocultural legitimado e produtivo. Ditados populares são considerados “senso comum” e não demonstram o domínio de conhecimentos acadêmicos, científicos ou culturais profundos que os corretores esperam.
Eles prejudicam a nota principalmente na Competência 2 (Compreender a proposta e aplicar conceitos de várias áreas) e na Competência 3 (Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações). Como são frases prontas e generalistas, elas não trazem autoridade ao texto e mostram uma argumentação superficial.
Sim. Você pode usar um ditado popular para criticar um comportamento social. Por exemplo, ao citar “Em briga de marido e mulher não se mete a colher” para mostrar como esse pensamento contribui para a persistência da violência doméstica. Nesse caso, você não está usando o ditado como verdade, mas como um exemplo de problema a ser combatido.
Para garantir uma nota alta, substitua os ditados por:
•Argumentos de Autoridade: Citações de filósofos, sociólogos ou especialistas.
•Dados Estatísticos: Informações de órgãos oficiais (IBGE, IPEA, OMS).
•Alusões Históricas: Fatos do passado que explicam o presente.
•Repertório Cultural: Referências a livros, filmes, séries ou músicas que se relacionem ao tema.
Não, o uso de um ditado popular sozinho não zera a redação. No entanto, ele pode impedir que você alcance a nota máxima nas competências de argumentação e repertório, limitando seu desempenho geral.
Se você quer muito usar a ideia de um ditado, tente “sofisticar” a referência. Em vez de dizer “A pressa é inimiga da perfeição”, você pode citar o conceito de “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, que discute a pressa e a volatilidade das relações e processos na sociedade atual. Isso transforma o senso comum em repertório acadêmico.
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