Como fazer citação na redação ENEM?

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Para fazer citação na redação do ENEM, mencione a ideia de um autor, obra ou fato histórico de forma contextualizada e com suas próprias palavras. Evite citações longas ou literais e sempre conecte o repertório ao tema para fortalecer a argumentação.

Homem sentado em uma poltrona analisando um notebook, segurando óculos na mão, com estante de livros ao fundo

Saber como fazer citação na redação ENEM é um dos diferenciais dos candidatos que alcançam a nota máxima. Mais do que apenas “jogar” uma frase bonita, a citação serve para construir o seu repertório sociocultural, uma exigência da Competência 2 do INEP.

Quando você cita um filósofo, um dado estatístico ou uma obra literária, você deixa de emitir apenas uma opinião pessoal e passa a apresentar um argumento baseado em conhecimentos validados pela sociedade.

Isso confere autoridade ao seu texto e demonstra que você possui uma visão de mundo ampla e interdisciplinar.

Tipos de citação: Direta vs. Indireta

Existem duas formas principais de inserir a voz de outra autoridade no seu texto. Escolher entre elas depende do quanto você se lembra da fonte original.

1. Citação Direta

É a transcrição exata das palavras do autor. Ela deve vir obrigatoriamente entre aspas.

  • Quando usar: Somente se você tiver certeza absoluta de cada palavra da frase.
  • Exemplo: Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem é o que a educação faz dele”.

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2. Citação Indireta (Paráfrase)

É quando você explica a ideia do autor com as suas próprias palavras. Não utiliza aspas, mas a autoria deve ser mencionada.

  • Quando usar: É a mais recomendada para o ENEM, pois evita erros de memória e permite que você adapte a ideia ao seu fluxo de escrita.
  • Exemplo: Conforme o pensamento de Kant, o processo educativo é o principal responsável pela formação do caráter e da essência humana.

Onde encaixar a citação no seu texto?

Para que a citação seja considerada produtiva, ela precisa estar integrada à sua lógica argumentativa.

Na Introdução:

Serve para contextualizar o tema. Você apresenta uma ideia ampla e depois a conecta ao problema específico do Brasil.

Dica: Use a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou conceitos de cidadania para temas sociais.

No Desenvolvimento:

Serve para “provar” que seu argumento faz sentido. Se você diz que a desigualdade gera violência, pode citar um sociólogo que estuda a marginalização para embasar essa fala.

3 Erros comuns que derrubam sua nota

  1. Citação “Coringa” sem nexo: Usar uma frase famosa que não tem relação direta com o tema. O corretor percebe que você apenas decorou.
  2. Esquecer a fonte: Citar uma frase sem dizer quem disse ou de onde veio. Isso invalida o repertório.
  3. Não explicar a relação: Colocar a citação e não explicar como ela se conecta com o seu argumento. O repertório precisa ser produtivo.

Exemplo de citações em uma redação nota mil do ENEM:

Introdução:

O livro “Nós matamos o cão tinhoso” de Luís Bernardo Honwana retrata a sociedade moçambicana durante a colonização portuguesa. Na obra literária, observa-se uma dinâmica social pautada pela inferiorização dos indivíduos negros, na qual o racismo está enraizado nas interações entre as pessoas, na qualidade de vida e na autoimagem de cada ser. Assim, ao inserir a imagem criada pelo livro no contexto brasileiro de ínfima valorização da herança africana, infere-se que o passado colonial persiste nas estruturas do Brasil, se manifestando a partir do apagamento sistemático da cultura afro-brasileira. Em razão disso, deve-se discutir o papel do Estado no setor escolar e cultural diante desse contexto de silenciamento.

Desenvolvimento 1:

Em um primeiro momento, é necessário entender a relação entre a dinâmica social brasileira e a desvalorização da herança africana. Para fundamentar essa ideia, o filósofo brasileiro Ailton Krenak afirma que, no Brasil, existem dois grupos — a humanidade, formada pela elite econômica, e a subumanidade, a qual tem seus direitos negados e é constituída principalmente pelas populações marginalizadas socialmente, como os povos originários e os negros. Por conseguinte, entende-se que o apagamento da cultura africana é uma extensão do panorama da desigualdade social brasileira, já que essa desvalorização sistemática silencia as vozes de populações que são violentadas e oprimidas há séculos, o que favorece a manutenção dessas pessoas no grupo da subumanidade. Dessa forma, o Estado deve desenvolver medidas que visem valorizar e apoiar artistas e escritores relacionados à herança africana no Brasil.

Desenvolvimento 2:

Sob outra ótica, a compreensão acerca da importância da ancestralidade na formação da autoimagem e da noção de pertencimento de cada indivíduo é imperativa. Para isso, a filósofa brasileira Marilena Chauí defende a ideia de que, enquanto os animais são naturais, os humanos são culturais — ou seja, a cultura que cada pessoa está inserida compõe a essência desse ser. A partir disso, compreende-se que o silenciamento da herança africana nega a uma grande parte do povo brasileiro a sua própria essência, o que constitui uma violência estrutural e resulta numa noção de não pertencimento generalizada e em uma autoimagem defasada. Frente a isso, o Estado deve agir em prol da promoção de manifestações culturais afro-brasileiras.

Conclusão:

Em suma, conclui-se que a desvalorização da cultura africana está diretamente relacionada a um processo sistemático de silenciamento de grupos oprimidos e resulta na falta de pertencimento de muitos indivíduos. Portanto, cabe ao Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Economia (ME) e o Ministério da Educação e da Cultura (MEC), desenvolver manifestações culturais afro-brasileiras nas escolas, como, por exemplo, peças teatrais e festivais de dança, música e arte, assim como investir financeiramente na promoção de artistas e escritores que têm suas carreiras relacionadas à herança africana. Por fim, essas ações serão responsáveis por impedir o perpetuamento da desvalorização da cultura africana no Brasil.

Análise de Citações: Redação Nota Mil (Sabrina Ayumi)

Esta redação é um exemplo perfeito de como usar o repertório sociocultural de forma legitimada, pertinente e produtiva, garantindo os 200 pontos na Competência 2 e fundamentando a argumentação da Competência 3.

Abaixo, detalho as três citações utilizadas:

1. Repertório Literário (Introdução)

  • Citação: “O livro ‘Nós matamos o cão tinhoso’ de Luís Bernardo Honwana retrata a sociedade moçambicana durante a colonização portuguesa.”
  • Tipo: Alusão Literária (Citação Indireta).
  • Função: Contextualização. A autora utiliza a obra para traçar um paralelo entre o racismo enraizado em Moçambique e a “ínfima valorização da herança africana” no Brasil.
  • Por que funciona: Ela não apenas cita o livro, mas conecta a “imagem criada pelo livro” ao problema central do tema (apagamento da cultura afro-brasileira), tornando o repertório pertinente.

2. Repertório Filosófico (Desenvolvimento 1)

  • Citação: “O filósofo brasileiro Ailton Krenak afirma que, no Brasil, existem dois grupos — a humanidade, formada pela elite econômica, e a subumanidade…”
  • Tipo: Citação Indireta (Paráfrase).
  • Função: Embasamento Argumentativo. A autora usa o conceito de “subumanidade” de Krenak para explicar por que o apagamento cultural ocorre: é uma forma de manter populações marginalizadas (negros e indígenas) sem direitos.
  • Por que funciona: O repertório é produtivo porque a autora “puxa” a ideia do filósofo para explicar a causa do problema (desigualdade social), validando seu argumento de que o silenciamento é uma estratégia de opressão.

3. Repertório Filosófico (Desenvolvimento 2)

  • Citação: “A filósofa brasileira Marilena Chauí defende a ideia de que, enquanto os animais são naturais, os humanos são culturais…”
  • Tipo: Citação Indireta (Paráfrase).
  • Função: Reforço de Tese. Aqui, a citação serve para provar a importância da cultura na formação da identidade. Se o humano é cultural, silenciar a cultura africana é negar a própria essência do indivíduo.
  • Por que funciona: Ela utiliza a autoridade de Chauí para demonstrar a consequência psicológica e social do problema (falta de pertencimento e autoimagem defasada).

Lições desta Redação para o seu Texto:

  1. Variedade de Fontes: Ela usou literatura (Honwana) e filosofia (Krenak e Chauí). Isso mostra um repertório amplo.
  2. Uso de Autores Brasileiros: Citar Krenak e Chauí demonstra que a candidata está atenta ao pensamento intelectual nacional contemporâneo, o que é muito bem visto.
  3. Produtividade: Em nenhum momento a citação fica “solta”. Após cada citação, há um conectivo (“Por conseguinte”, “A partir disso”) que liga a ideia do autor à análise da candidata.
  4. Citação Indireta: Note que ela não usou aspas em nenhum momento. Ela preferiu explicar os conceitos com as próprias palavras, o que garante fluidez e evita erros de pontuação ou memória.

Perguntas frequentes:

Posso inventar uma citação na redação do ENEM?

Não. Os corretores têm acesso a bases de dados e conhecem as citações mais comuns. Inventar uma frase ou atribuir a autoria errada pode zerar seu repertório e prejudicar sua credibilidade.

Citação de filme ou série vale como repertório?

Sim. O ENEM aceita o que chamamos de “cultura de massa” (filmes, séries, músicas, jogos), desde que você consiga relacionar a obra ao tema de forma lógica e produtiva.

Quantas citações devo usar na redação?

O ideal é usar pelo menos uma citação legitimada e produtiva para garantir os 200 pontos na Competência 2. No entanto, o equilíbrio é fundamental: use uma na introdução e outra em um dos parágrafos de desenvolvimento.

Preciso colocar o nome do livro ou apenas o autor?

Mencionar o autor é obrigatório. Mencionar a obra (livro, filme, documento) ajuda a dar mais precisão e autoridade ao seu repertório, mas se não lembrar o nome da obra, o nome do autor e sua área de atuação (ex: “o sociólogo Zygmunt Bauman”) já são aceitos.

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