A literatura indígena brasileira contemporânea é um repertório sociocultural relevante para a redação do ENEM, pois reúne obras escritas por autores indígenas que abordam ancestralidade, resistência histórica e identidade cultural.
Essas produções rompem com estereótipos criados pela literatura indianista e dão protagonismo às vozes indígenas, permitindo discutir diversidade cultural, silenciamento histórico e direitos dos povos originários.
O que é literatura indígena?
A literatura indígena é composta por textos escritos por autores indígenas, a partir de suas próprias vivências, tradições e cosmovisões. Diferente da literatura indianista (do Romantismo) ou indigenista (escrita por não indígenas), essa produção valoriza o lugar de fala e transforma a escrita em uma forma de resistência cultural e política.
Desde a década de 1990, essas obras passaram a circular no mercado editorial, ampliando o acesso e fortalecendo o debate sobre identidade e pluralidade no Brasil.
Você também pode se interessar por:
- Repertório sociocultural sobre empatia
- Repertório sociocultural sobre direitos dos idosos
- Repertório de Inteligência Artificial para citar no ENEM
Por que a literatura indígena é um bom repertório sociocultural no ENEM?
A literatura indígena é um repertório legítimo, atual e produtivo, pois permite:
- discutir diversidade cultural brasileira
- abordar o silenciamento histórico dos povos indígenas
- analisar a herança do colonialismo
- refletir sobre identidade, alteridade e respeito às diferenças
- articular cultura, política e direitos humanos
Além disso, atende à Competência 2 do ENEM, que exige repertório sociocultural pertinente e bem articulado ao tema.
Como usar a literatura indígena na redação do ENEM?
A literatura indígena brasileira contemporânea é um repertório sociocultural produtivo porque permite contextualizar problemas históricos, sustentar argumentos e aprofundar reflexões críticas. Para utilizá-la corretamente na redação do ENEM, o estudante pode explorá-la de três formas principais:
1. Como exemplo histórico-cultural
A literatura indígena pode ser utilizada para contextualizar o processo histórico de exclusão e silenciamento dos povos indígenas no Brasil. Ao longo da colonização, essas populações foram marginalizadas social, cultural e politicamente, tendo suas narrativas apagadas ou distorcidas por autores não indígenas.
Nesse sentido, mencionar a emergência da literatura indígena contemporânea, a partir da década de 1990, ajuda a demonstrar que esse silenciamento ainda gera impactos na sociedade atual, como a invisibilização cultural e a negação de direitos. Esse uso é especialmente eficaz em temas relacionados à desigualdade, à formação da identidade nacional e à herança colonial.
Dica ENEM: use esse repertório na introdução, para contextualizar historicamente o problema do tema.
2. Como argumento de autoridade
Outra forma estratégica de usar a literatura indígena é por meio do argumento de autoridade, citando autores indígenas reconhecidos, como Daniel Munduruku, Ailton Krenak e Eliane Potiguara. Esses escritores produzem obras que discutem identidade, ancestralidade, resistência e a relação entre sociedade e natureza.
Ao citar esses autores, o estudante reforça seu ponto de vista com uma voz legítima, que fala a partir da própria experiência indígena, o que fortalece a credibilidade do argumento e atende à exigência de repertório sociocultural pertinente da Competência 2 do ENEM.
Dica ENEM: não basta citar o autor; explique o que ele defende e como isso se conecta ao tema.
3. Como base para reflexão crítica
A literatura indígena também pode ser utilizada como base para reflexões críticas sobre problemas contemporâneos, como educação, direitos humanos, meio ambiente e cidadania. Muitas obras indígenas denunciam a violência histórica sofrida pelos povos originários e defendem o respeito à diversidade cultural e à preservação da natureza.
Assim, o estudante pode relacionar essas narrativas à necessidade de políticas públicas, de educação intercultural e de reconhecimento dos direitos indígenas. Esse uso demonstra capacidade analítica, consciência social e maturidade argumentativa, características valorizadas pela banca do ENEM.
Dica ENEM: esse tipo de repertório funciona muito bem no desenvolvimento da redação.
Exemplo prático de uso na redação:
“Conforme defendem autores da literatura indígena contemporânea, como Ailton Krenak, o apagamento histórico dos povos originários compromete a construção de uma sociedade plural e democrática. Essa realidade evidencia a necessidade de ações que valorizem a diversidade cultural e garantam os direitos dessas populações.”
10 Livros indígenas recomendados para a redação do ENEM
A literatura indígena brasileira contemporânea é um repertório sociocultural estratégico para a redação do ENEM e de outros vestibulares, pois reúne obras escritas por autores indígenas que abordam temas centrais como ancestralidade, resistência histórica, diversidade cultural e relação com a natureza.
Esses livros permitem ao estudante construir argumentos mais críticos e contextualizados, além de atender à exigência de repertório legítimo prevista na Competência 2 da prova.
A seguir, selecionamos 10 livros indígenas recomendados para a redação do ENEM, que podem ser utilizados como exemplos histórico-culturais, argumentos de autoridade ou base para reflexões críticas sobre problemas da sociedade brasileira contemporânea.
1. A Queda do Céu — Palavras de um Xamã Yanomami
Davi Kopenawa Yanomami e Bruce Albert
Manifesto xamânico e autobiografia que traz a visão indígena sobre cosmos, natureza e colonialismo. Uma obra fundamental para discutir violência histórica, relações com o meio ambiente e resistência cultural.
Onde encontrar? Amazon
2. Ideias para Adiar o Fim do Mundo
Ailton Krenak
Livro curto e impactante com reflexões sobre a relação entre humanidade, natureza e sustentabilidade; útil em temas de meio ambiente, crise climática e cosmologias indígenas.
Onde encontrar? Amazon
3. O Espírito da Floresta
Davi Kopenawa e Bruce Albert
Continuação ou expansão de “A Queda do Céu”, oferecendo perspectivas cosmogônicas e espirituais do povo Yanomami, ótimas para abordar temas ecológicos e culturais.
Onde encontrar? Amazon
4. O Karaíba: Uma História do Pré-Brasil
Daniel Munduruku
Narrativa que imagina a vida indígena antes da colonização, valorizando a memória ancestral e contrapondo estereótipos históricos.
Onde encontrar? Amazon
5. Histórias que Eu Vivi e Gosto de Contar
Daniel Munduruku
Coletânea de histórias autobiográficas e reflexões sobre identidade e convivência, excelente repertório para tiros de livro que dialoguem com experiências de vida e diversidade cultural.
Onde encontrar? Amazon
6. Metade Cara, Metade Máscara
Eliane Potiguara
Poesia e prosa que exploram identidade, memória cultural e resistência indígena, com forte presença de voz feminina indígena no cenário literário.
7. A Cura da Terra
Eliane Potiguara
Infantojuvenil que trata da relação entre ancestralidade, sofrimento histórico e cura a partir da conexão com a terra — útil para redações sobre educação cultural e meio ambiente.
Onde encontrar? Amazon
8. Originárias: Uma Antologia Feminina de Literatura Indígena
Coletânea de autoras indígenas
Antologia que reúne vozes de mulheres indígenas de diferentes nações, excelente para ampliar repertório sobre gênero, diversidade cultural e resistência.
Onde encontrar? Amazon
9. A Terra dos Mil Povos
Kaká Werá Jecupé
História indígena brasileira contada por um autor indígena, ideal para contextualizar a presença e diversidade dos povos originários no Brasil.
Onde encontrar? Amazon
10. O Caráter Educativo do Movimento Indígena Brasileiro
Daniel Munduruku
Não é ficção, mas oferece um panorama histórico-cultural do movimento indígena no Brasil, ótimo para fundamentar argumentos de contexto em redações.
Onde encontrar? Amazon
Perguntas frequentes:
Textos escritos por próprios indígenas (autores como Krenak e Munduruku) que trazem suas vivências e visões de mundo, rompendo com a visão romântica do colonizador.
É um repertório coringa e legítimo. Serve para provar que você domina a história do Brasil, respeita os Direitos Humanos e entende a diversidade cultural (Competência 2).
Na Introdução: Para mostrar o silenciamento histórico dos povos originários desde 1500.
No Desenvolvimento: Como “Argumento de Autoridade” para validar sua crítica sobre meio ambiente, educação ou preconceito.
Ailton Krenak: Meio ambiente e sustentabilidade.
Daniel Munduruku: Educação e identidade cultural.
Eliane Potiguara: Feminismo e resistência ancestral.
Davi Kopenawa: Proteção da Amazônia e crítica ao consumo.
O Indianismo (Romantismo) é o índio visto pelo branco. A Literatura Indígena é o índio falando por si mesmo (protagonismo).
Esse artigo foi útil?
Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0
Lamentamos que este post não tenha sido útil pra você.
Vamos melhorar este post.
Como podemos melhorar esse post?



