O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) exige do candidato domínio da Norma Culta da língua portuguesa, especialmente na redação.
Entre regras gramaticais, critérios avaliativos e exceções, surgem dúvidas frequentes, uma delas é sobre o uso da linguagem neutra na prova. Apesar de ser um tema atual e socialmente relevante, é fundamental compreender como o ENEM avalia a escrita e quais escolhas linguísticas podem impactar diretamente a nota.
Neste conteúdo, o CRIA explica o que é linguagem neutra, como ela funciona na língua portuguesa e se seu uso é permitido na redação do ENEM.
O que é linguagem neutra?
A linguagem neutra é uma forma de comunicação que busca evitar a utilização de termos e expressões que possam reforçar estereótipos de gênero. Essas palavras excluem principalmente pessoas que não se identificam com os padrões binários tradicionais de masculino e feminino.
Então, a ideia por trás da linguagem neutra é promover a inclusão e a igualdade, de forma a reconhecer a diversidade de identidades de gênero e evitar a perpetuação de preconceitos.
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Linguagem neutra na língua portuguesa
No Brasil, a adoção da linguagem neutra ainda é um assunto em desenvolvimento e em discussão. Embora não exista uma forma de linguagem neutra amplamente estabelecida no idioma português, há um movimento crescente para promover cada vez mais inclusão de pessoas não binárias e transgênero, por meio de práticas linguísticas mais inclusivas.
Então, alguns dos métodos é buscar a neutralidade de gênero na língua portuguesa.
Assim, inclui-se o uso de caracteres como “@” ou “x” para abranger diferentes identidades de gênero. Até mesmo o uso do “e” como uma alternativa neutra ao “o” e ao “a” e a utilização de pronomes neutros como “elu” em vez de “ele” ou “ela” são soluções mais inclusivas.
Contudo, depois de diversos debates, desaconselha-se utilizar caracteres como “@” ou “x” ao final ou em meio às palavras por poder dificultar a leitura de softwares para pessoas com deficiência visual.
Além disso, a linguista e pesquisadora Maria Helena de Moura Neves acredita haver um equívoco quando chamamos essa linguagem de neutra. A especialista propõe que seja chamada de linguagem inclusiva, já que visa incluir pessoas e não neutralizar.
Pronomes neutros em outras línguas
Existem algumas línguas que preveem o uso do pronome neutro, mas que geralmente são utilizados para designar objetos inanimados, animais, etc. Assim, um bom exemplo é o termo “it” em inglês, utilizado para falar sobre animais, sendo comumente usado em verbos impessoais.
Para pessoas que não se identificam com a binaridade dos gêneros, os falantes de inglês, em geral, adotaram o uso do pronome “they/them”. Afinal, usar o termo “it” pode soar um tanto agressivo, principalmente visto que sua utilização é destinada a objetos e animais.
No alemão, também é possível identificar um pronome neutro usado para se referir a objetos inanimados ou a indivíduos cujo gênero não é especificado. Vale ressaltar que, ao se referir a pessoas cujo gênero não é evidente, a forma mais comum em alemão é usar o pronome “sie” (ela) como neutro. No entanto, o uso dessa forma ainda pode variar e pode não ser universalmente aceito em todas as situações.
A mudança linguística pode ocorrer de maneira social, assim como vemos no Brasil. Assim, existem pessoas adeptas à linguagem neutra que acrescentam o “e” ao final de uma palavra com o intuito de não determinar o gênero. Embora muito utilizado online e até mesmo em espaços mais preocupados com essa questão, não é uma regra geral.
Mudanças linguísticas institucionais
Ao longo do tempo, pode ser que a gramática de um país sofra algumas mudanças linguísticas institucionais como a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Assim, essa alteração ocorreu a partir de instituições, e não de movimentos sociais. Ela é obrigatória a todos os países que falam a língua portuguesa.
Esse acordo possibilita uma padronização da escrita em todos os espaços, já que as variações linguísticas sempre ocorrerão devido à localização geográfica, faixa etária, gênero, etc.
Assim como no Brasil, nem todos os lugares adotaram uma linguagem neutra, já que existe uma certa resistência entre os puristas das línguas e também por outros motivos como um processo mais lento de mudança em pessoas fora do grupo de minorias e desacordo no pronome proposto.
Porém, a Suécia é um dos países que adotou um pronome neutro de maneira institucional, ou seja, o governo identificou essa necessidade e incluiu o termo no dicionário oficial.
Atualmente, o uso da linguagem neutra é empregado para simplificar a estrutura das frases e referir-se a uma pessoa sem revelar explicitamente seu gênero. Desse modo, essa prática pode ser adotada quando o gênero é desconhecido, quando a pessoa é transgênero ou quando quem fala ou escreve considera desnecessário mencionar o gênero.
É possível utilizar linguagem neutra no ENEM?
Mas, afinal, linguagem neutra no ENEM é permitida? A resposta é: não.
O essencial na redação do ENEM é manter-se na Norma Culta, além de demonstrar bom domínio de gramática. Embora a linguagem neutra seja importante e relevante como movimento linguístico, ainda não está incluída na gramática oficial, além de não ser amplamente aceita.
Então, até o momento não há uma informação oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Porém, seguir as regras já institucionalizadas é o caminho mais seguro par garantir uma boa nota na redação do ENEM.
O que zera na redação do ENEM?
A cartilha de redação do ENEM é um manual essencial para todos os candidatos. Nela, é possível ter acesso às 5 competências do ENEM que se espera que o candidato apresente na redação. Além disso, apresenta as razões pela qual a redação pode ser zerada.
Conheça as razões elencadas pelo ENEM que podem zerar uma redação:
- Fuga total ao tema;
- Não obediência ao tipo dissertativo-argumentativo;
- Extensão de até 7 (sete) linhas manuscritas, independente do conteúdo, ou extensão
de até 10 (dez) linhas escritas no sistema Braile; - Cópia de texto(s) da Prova de Redação e/ou do Caderno de Questões sem haver pelo
menos 8 linhas de produção própria do participante; - Desenhos e outras formas propositais de anulação, em qualquer parte da folha de
redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda); - Números ou sinais gráficos sem função evidente em qualquer parte do texto, ou da folha
de redação (incluindo os números das linhas na margem esquerda); - Parte deliberadamente desconectada do tema proposto;
- Impropérios e outros termos ofensivos, ainda que façam parte do projeto de texto;
- Assinatura, nome, iniciais, apelido, codinome ou rubrica fora do local devidamente
designado para a assinatura do participante; - Texto predominante ou integralmente escrito em língua estrangeira;
- Folha de redação em branco, mesmo que haja texto escrito na folha de rascunho;
- Texto ilegível, que impossibilite sua leitura por dois avaliadores independentes.
Desse modo, incluir caracteres como “@” e “x” na redação pode diminuir a nota do candidato e até mesmo zerar a redação se for recorrente ao longo do texto.
Perguntas frequentes:
Não. O ENEM exige o uso da Norma Culta da língua portuguesa, e a linguagem neutra ainda não faz parte da gramática oficial.
O uso recorrente desses caracteres pode prejudicar a avaliação gramatical e, em casos extremos, levar à anulação da redação por uso de sinais gráficos sem função evidente.
Até o momento, o INEP não publicou nenhuma orientação oficial autorizando o uso de pronomes neutros na redação do ENEM.
Sim. É recomendável optar por construções neutras previstas na língua portuguesa, como termos coletivos, substantivos abstratos ou formas impessoais.
A prova de redação é a mais sensível a esse critério. Em respostas objetivas, o impacto tende a ser menor, mas o ideal é sempre manter a Norma Culta.
No contexto do ENEM, sim, pois não está normatizada oficialmente pela gramática da língua portuguesa.
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