A carta do leitor é um dos canais mais democráticos da esfera jornalística, permitindo que o público deixe de ser apenas um receptor passivo para se tornar um agente crítico da informação.
Este gênero textual possibilita que o cidadão manifeste elogios, críticas, retificações ou sugestões sobre conteúdos previamente publicados, estabelecendo um diálogo direto com editores e outros leitores.
Em exames e vestibulares, a carta do leitor avalia não apenas a capacidade argumentativa do candidato, mas também sua habilidade de assumir uma máscara social e adaptar sua linguagem a um interlocutor específico, equilibrando subjetividade e formalidade.
O que é o gênero textual carta do leitor?
A carta do leitor é um gênero textual do domínio jornalístico que permite a interlocução entre o público e o veículo de comunicação. Sua principal função é expressar o posicionamento crítico do leitor (elogio, crítica, sugestão ou correção) sobre uma matéria, reportagem ou editorial previamente publicado.
Diferente de uma carta pessoal, ela é um texto público e argumentativo. Estruturalmente, ela se organiza da seguinte forma:
- Identificação: Menciona o texto base (título e data) que motivou a escrita.
- Posicionamento: Expõe a opinião do leitor de forma clara e sucinta.
- Interlocução: Dirige-se diretamente ao editor ou ao autor da matéria.
- Assinatura: Identifica quem escreve (em vestibulares, utiliza-se apenas o nome ou pseudônimo indicado no comando).
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Qual a estrutura da carta do leitor?
Para entender como escrever uma redação do gênero carta do leitor carta do leitor é preciso saber que ela pode ser solicitada ocasionalmente como uma opção de redação, apesar de ser menos comum em vestibulares em comparação aos outros gêneros textuais.
Desse modo, os candidatos podem ser desafiados a dar suas opiniões, comentários ou críticas sobre tema, ou questões sociais atuais.
Assim, confira a estrutura da carta do leitor:
Cabeçalho:
- Local e data (sem abreviações);
- Vocativo (ao editor, ao senhor).
Introdução:
Identifique com clareza o público-alvo ao qual a carta se destina e o tema tratado ao longo do texto. Então, podemos dizer que a introdução possui os seguintes elementos:
- Apresentação do leitor;
- Publicação que motivou a carta;
- Tema (texto de apoio do comando);
- Apresentação do objetivo da carta.
Desenvolvimento:
- Apresentação do papel social secundário;
- Desenvolvimento detalhado do objetivo;
- Justificativa/descrição;
- Finalização do desenvolvimento.
Observação: o papel social secundário ajuda a construir o desenvolvimento. Assim, crie uma experiência que comprove quem é o leitor. Geralmente, o papel social é indicado no comando da proposta de redação.
Conclusão:
Finalize a carta de maneira construtiva, com a inclusão de propostas de solução, sugestões ou reflexões adicionais sobre o tema. Desse modo, podemos dizer que a estrutura da conclusão segue:
- Sugestão de solução;
- Sugestão para novas publicações (não obrigatório);
- Agradecimentos.
Despedida:
- Despedida;
- Assinatura
Observação: jamais assine com o seu próprio nome. Para assinar a carta, utilize o nome indicado pela proposta de redação. Caso não haja nenhuma informação, não assine.
Como escrever uma redação do gênero carta do leitor?
Há 3 elementos principais que moldam a linguagem da carta para o leitor:
- Intenção do texto – protestar, criticar positiva ou negativamente, brincar ou apenas “impressionar” os leitores;
- Perfil do autor – incluindo seus gostos, idade, nível cultural, etc;
- P erfil do jornal ou revista – incluindo quem é o público leitor, quais são os assuntos publicados, o grau.
Assim, o leitor deve se dirigir ao jornalista que escreveu a carta quando ela diz respeito a uma matéria assinada. Por outro lado, o leitor deve se dirigir ao editor, representante legal da revista ou jornal se a carta mencionar uma matéria ou jornal não assinado.
Características da carta do leitor
- Expressa a opinião do leitor sobre textos publicados em jornal ou revista;
- Tem intencionalidade persuasiva;
- Tem estrutura semelhante à da carta pessoal: data, vocativo, corpo do texto (assunto), expressão cordial de despedida e assinatura;
- Linguagem de acordo com o perfil do autor, da revista ou jornal a que se destina, predominando o padrão culto formal;
- Menor ou maior pessoalidade, de acordo com a intenção do autor;
Quais os objetivos da carta do leitor?
Segundo Regina Demeterko Stadykoski, as cartas do leitor atendem a vários propósitos comunicativos, incluindo elogiar, criticar, opinar, reclamar, retificar, comunicar, agradecer e solicitar.
Então, confira os exemplos a seguir extraídos da revista Veja de 2008:
Elogiar:
A reportagem especial “A vida com instruções” (09 de janeiro) foi um presente para todos que buscam entender a arte da convivência e superar os desafios para iniciar 2008 de bem com a vida.
Hugo Lins Coelho
Criticar:
Gostaria de deixar registrada a minha indignação com a postura do governo Lula de mais uma vez aumentar os impostos, sendo que, com a maior cara-de-pau, disse que não iria fazê-lo, mas, sim, diminuiria os gastos públicos. (“Pacote de maldades” 9 de janeiro”)
Alexandre Cavalcanti
São Paulo-SP
Opinar:
Concordo plenamente com Gustavo Ioschpe e cumprimento pela oportunidade e clareza com que trouxe à baila um assunto que sido omitido nos debates educacionais. O fato de os sindicatos terem como primeiríssimo objetivo defender os interesses salariais dos professores contradiz tudo aquilo que o Brasil mais necessita na área educacional: professores competentes e motivados a ensinar aos alunos os conteúdos que eles precisam aprender e ajudá-los a se organizar para o estudo, tudo isso em ambiente prazeroso, fruto do bom diálogo entre professor e aluno.
Ignez Martins Tolli
Retificar:
Leio toda semana a coluna de Millôr, que considero um ótimo escritor. Mas na desta semana (“As maravilhosas maravilhas da natureza”, 16 de janeiro) percebi um equívoco. Ele se refere às Sete Quedas do Iguaçu, porém elas não existem mais, sumiram com a instalação de Itaipu. O ponto turístico que hoje pode ser visitado se chama Cataratas do Iguaçu.
Leticia Corioletti
Comunicar:
Em complementação ao quadro “Por que as latas de óleo sumiram” (Veja essa, 16 de janeiro), destaca-se o fato de que a substituição da lata de metálica pela embalagem plástica para o acondicionamento de óleo alimentício decorreu da preferência do consumidor brasileiro. Além de resistente e transparente, a embalagem PET é escolhida pela dona-de-casa por ser prática e higiênica, contando com a tampa e bico e dosador da quantidade. A maioria dos fabricantes de óleo combustível garante o mesmo prazo de validade para o produto acondicionado em ambas as embalagens, e muitos não utilizam conservantes.
Carlo Lovatelli
Agradecer:
Há cerca de três anos fui a uma dermatologista e, entre outras coisas, ela me disse que o sol só servia para dar câncer , que nem brancos nem negros deveriam se expor a ele, jamais! Que esse negócio de absorção de vitamina D é uma bobagem etc. Eu saí da sala dessa médica totalmente chocada e arrasada, principalmente porque sou apaixonada pelo sol. Portanto, foi com muita alegria que li a reportagem. Os estudos só vieram confirmar o que já sentia na própria pele: o sol me faz muito bem do que mal. Agora, sim, vou poder tomar o meu solzinho com 90% de proteção e 0% de paranóia. E viva o sol, viva o verão, viva o calor!
Adriana Domingues
Solicitar:
Roberto Civita se expressou com maestria sobre 2007. Cabe à classe dominante seguir ao menos 50% desse formidável escrito , e melhorará muito o nosso país. Que seja respeitada a opinião pública de forma contínua e que nossos políticos honrem seus cargos e assumam suas personalidades em prol da sociedade.
Diógenes Pereira da Silva
Proposta de redação – UNIOESTE 2021
Redija uma CARTA DO LEITOR para ser publicada no jornal online latinoamerica21.com, manifestando seu posicionamento sobre o texto abaixo. Assine sua carta como João ou Maria.
Obesidade: um problema individual ou social? Martha Jaramillo Cardona
Os metadiscursos – a forma na qual os discursos são projetados para interagir com os destinatários – divulgados pela mídia e pelas “redes sociais” representam o peso corporal como uma consequência do estilo de vida. Eles equiparam “gordura” com “doença” e “magreza” com “saúde” (…). Nas sociedades neoliberais, nas quais o “indivíduo autônomo e autorregulado” é altamente valorizado, a construção social relativa às “pessoas gordas” é especialmente condenatória. (…) Duas décadas após a declaração do estado de alerta para a globesidade – um termo cunhado pela Organização Mundial da Saúde para se referir à crescente pandemia de excesso de peso – o aumento da obesidade não parou, e sua propagação é muito mais complexa. (…) A atual abordagem reducionista da saúde e a “guerra à obesidade” global são problemáticas e potencialmente prejudiciais. Enquanto os riscos ambientais, como argumentam os estudiosos Costa-Font e Mas, são medidos empiricamente no sistema globalizado de produção e distribuição, os “riscos de estilo de vida” são baseados no uso voluntário a longo prazo – ou mau uso – de bens de risco que são legalmente distribuídos no mercado. (…) A institucionalização da obesidade, como um problema de saúde pública, no final dos anos 1990, reforçou a especialização médica nos esforços de tratamento e prevenção. A biomedicalização promoveu uma despersonalização e desestigmatização da condição de obesidade como resultado unicamente atribuível a hábitos pessoais e responsabilidade individual.
Fonte: https://latinoamerica21.com/br/a-obesidade-um-problema-social-nao-individual/ (adaptado)
Exemplo de carta do leitor:
Maringá, 09 de janeiro de 2026.
Ao editor do portal Latinoamerica21,
Escrevo-lhes após a leitura atenta do artigo “Obesidade: um problema individual ou social?”, de Martha Jaramillo Cardona, publicado recentemente em seu site. Como cidadão atento às dinâmicas de saúde pública, sinto-me compelido a parabenizar o veículo pela coragem em publicar uma análise que rompe com o senso comum e traz luz à complexidade da “globesidade”.
Concordo plenamente com a autora quando ela aponta que a abordagem reducionista de “guerra à obesidade” é prejudicial. Infelizmente, ainda vivemos sob um metadiscurso que insiste em depositar apenas nos ombros do indivíduo a responsabilidade por sua condição física, ignorando que o sistema globalizado de produção e distribuição de alimentos é, por natureza, obesogênico. É fundamental que se discuta, como bem ressaltado no texto, que enquanto os bens de risco são legalmente distribuídos no mercado, a sociedade cobra uma autorregulação quase impossível do sujeito autônomo.
Acredito que a desestigmatização proposta pela biomedicalização seja o caminho mais ético. Tratar a obesidade como uma questão puramente de “força de vontade” é um erro que ignora fatores ambientais e socioeconômicos. Espero que o Latinoamerica21 continue promovendo reflexões tão necessárias como esta para que possamos, finalmente, olhar para a saúde pública além do estigma e da culpa individual.
Atenciosamente,
João.
Perguntas frequentes:
Embora compartilhem a estrutura (data, vocativo e assinatura), a carta pessoal circula no âmbito privado. Já a carta do leitor é pública, destinada a um veículo de comunicação e foca obrigatoriamente em um tema ou publicação anterior.
É o papel que você deve assumir conforme o comando da prova (ex: um médico, um estudante, um morador de bairro). O seu texto deve refletir a visão e o vocabulário desse personagem para dar veracidade ao depoimento.
Se a matéria for assinada por um jornalista específico, você pode se dirigir a ele. Caso seja uma notícia geral ou o posicionamento do jornal, utilize vocativos como “Prezado Editor” ou “Senhor Diretor”.
Sim. Para o texto fazer sentido, você deve situar o leitor mencionando o título da reportagem, a data de publicação e o veículo (jornal ou revista).
Jamais. Em vestibulares, use apenas o nome indicado na proposta (como “João” ou “Maria”). Assinar com seu próprio nome pode levar à desclassificação por identificação do candidato.
Ela serve para elogiar, criticar, opinar, retificar (corrigir um erro do jornal), comunicar um fato complementar ou solicitar providências sobre um assunto discutido.
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