Repertório sociocultural sobre dependência digital

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O repertório sociocultural sobre dependência digital engloba referências (Zuboff, Bauman, Heidegger, O Dilema das Redes) que demonstram que o vício em tecnologia é resultado de um modelo de negócios, e não apenas de falha individual.

A imagem mostra uma adolescente isolada, focada no celular, com colegas interagindo ao fundo.

O repertório sociocultural sobre dependência digital é a chave que transforma a discussão sobre o uso de telas de um mero desabafo em uma crítica social fundamentada. Em provas como o ENEM e concursos, citar referências sólidas de áreas como a Sociologia, a Filosofia ou a Psicologia não apenas demonstra seu domínio do tema e persuadir a banca examinadora.

A dependência digital, caracterizada pelo uso excessivo e incontrolável de dispositivos eletrônicos, é um fenômeno complexo e contemporâneo. Por conseguinte, ela exige uma análise multifacetada. Assim, para abordá-lo com profundidade, você precisa de um arsenal de referências.

Neste contexto, este guia completo é o seu Hub de Conhecimento, reunindo o melhor repertório para você ir além das citações básicas e construir uma argumentação invencível sobre o vício em tecnologia e seus impactos.

O que é dependência Digital?

A dependência digital (ou vício em tecnologia) é um padrão de uso compulsivo e excessivo de dispositivos eletrônicos (smartphones, jogos, redes sociais) que resulta em prejuízos significativos à vida pessoal, social, acadêmica ou profissional do indivíduo.

É caracterizada pela perda de controle sobre o tempo gasto online e pelo desenvolvimento de sintomas de abstinência (irritabilidade, ansiedade) quando o acesso é negado.

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Repertório Sociocultural sobre Dependência Digital

Para o vestibulando que busca excelência na Redação do ENEM e em vestibulares, dominar o repertório sociocultural sobre dependência digital é crucial para a Competência 2. Afinal, a simples opinião não sustenta uma tese.

Nesta seção, apresentamos um arsenal de referências de alta autoridade – desde a crítica existencial de Heidegger e o panorama sociológico de Bauman e Shoshana Zuboff, até a ilustração dramática do cinema e os dados científicos da SBP.

Este guia fornecerá as ferramentas para você transcender o senso comum, conectar a dependência digital a problemas estruturais e, o mais importante, fundamentar seus argumentos com inquestionável expertise e credibilidade.

1. Repertório Filosófico e Sociológico:

Para argumentar sobre a perda de autonomia e reflexão, o repertório clássico é indispensável.

A. Martin Heidegger e a Tecnologia

Em sua obra Ser e Tempo (1927), Heidegger abordava a ideia de que a tecnologia, se não for refletida, ameaça tirar do homem a capacidade de pensar sobre as coisas, transformando-o em um ser que apenas produz e consome de maneira irrefletida.

  • Como usar: conecte o consumo irrefletido de conteúdo nas redes sociais (o scroll infinito) à perda da capacidade de reflexão crítica do indivíduo, que se torna refém da máquina.

B. Zygmunt Bauman e as Relações Líquidas

O conceito de “Modernidade Líquida” pode ser aplicado para criticar a superficialidade das relações virtuais. A busca por conexões instantâneas e descartáveis nas redes sociais aumenta a ansiedade e o isolamento – um paradoxo de estar “conectado, mas sozinho”.

C. Shoshana Zuboff e o Capitalismo de Vigilância

A socióloga alerta que as gigantes da tecnologia transformaram nossa experiência online em um campo de extração de dados (o “Capitalismo de Vigilância”). Essa extração visa moldar o comportamento e o consumo do usuário, criando um ambiente digital que é intencionalmente viciante para maximizar o lucro.

  • Como usar: Utilize esta referência para argumentar que a dependência digital não é um problema de “falta de força de vontade”, mas sim um modelo de negócios desenhado para prender a atenção do usuário.

2. Repertório Midiático e Cinematográfico:

Filmes e documentários ilustram a dimensão prática e distópica da dependência, tornando o argumento tangível.

A. O Dilema das Redes (The Social Dilemma – 2020)

Este documentário é a referência mais forte. Ele expõe como os algoritmos são projetados para otimizar o engajamento – ou seja, para manter os usuários viciados por meio de notificações e conteúdos personalizados.

  • Como usar: cite o documentário para ilustrar a intencionalidade das plataformas em manipular a psique humana e gerar dependência, afetando diretamente a saúde mental.

B. Black Mirror (Série)

Diversos episódios, como Nosedive (Queda Livre), que trata da obsessão por status e aprovação digital, servem como distopias de alerta.

  • Como usar: Use Black Mirror para contextualizar os danos à autoestima e a ansiedade gerados pela busca incessante por validação nas redes, um sintoma central da dependência digital.

3. Repertório Científico, Legal e Prático:

O uso de dados e fontes de alta autoridade confere inquestionável Confiabilidade ao seu texto.

A. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

A SBP possui diretrizes rigorosas sobre o tempo de tela por faixa etária, condenando o uso antes dos 2 anos e limitando-o em crianças e adolescentes. O termo “Chupeta Digital” é usado por especialistas para descrever o uso de telas para acalmar birras, o que prejudica o desenvolvimento da capacidade de autorregulação emocional.

  • Como usar: cite as diretrizes da SBP para demonstrar que a dependência começa na infância, sendo um problema de saúde pública e falta de educação parental.

B. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei n.º 13.709/2018)

Embora não trate diretamente da dependência, a LGPD é um contraponto: ela busca dar ao cidadão o controle sobre seus dados.

  • Como usar: argumente que, apesar da LGPD, a dependência digital persiste porque a vulnerabilidade psicológica (o vício) é uma barreira maior que a legislação de dados, indicando que a solução precisa ser educacional e de saúde, e não apenas legal.

Exemplo de uso do Repertório Sociocultural sobre Dependência Digital na redação do ENEM

Para demonstrar a aplicação prática do repertório sociocultural sobre dependência digital nas redações do ENEM, apresento um exemplo de parágrafo de desenvolvimento (D1), focado na causa do problema e utilizando referências de alta autoridade.

Tema Fictício: “Os impactos do uso excessivo de tecnologias digitais na saúde mental dos jovens brasileiros.”

Argumento Central (Causa): A dependência digital é um problema estrutural resultante de um modelo de negócios (Capitalismo de Vigilância) que visa manipular o comportamento do usuário para gerar lucro.

Parágrafo de Desenvolvimento (D1)

Em primeiro lugar, é crucial analisar a dependência digital não como um vício individual, mas como uma consequência direta do modelo econômico que sustenta as plataformas. Assim, o repertório sociocultural sobre dependência digital oferece uma crítica robusta ao expor o conceito de “Capitalismo de Vigilância”, cunhado pela socióloga Shoshana Zuboff. De fato, ela argumenta que gigantes da tecnologia transformaram nossa experiência online em um campo de extração de dados, cujo objetivo final é a moldagem do comportamento do usuário para maximizar o lucro. Por conseguinte, a dependência não é acidental; ela é o resultado intencional de um design algorítmico projetado para otimizar o engajamento – como detalhado no documentário “O Dilema das Redes”. Portanto, o excesso de ansiedade e o isolamento social vivenciados pelos jovens brasileiros são manifestações da perda de autonomia frente a sistemas que lucram com sua atenção ininterrupta.

Análise da Aplicação (Competências do ENEM)

Ponto de AnáliseRepertório UtilizadoCompetência Alinhada
Crítica SociológicaShoshana Zuboff (“Capitalismo de Vigilância”)Competência 2 (Dominar o tema e usar conceitos de áreas do saber).
Ilustração MidiáticaDocumentário “O Dilema das Redes”Competência 2 (Legitima o argumento com uma referência contemporânea e pertinente).
Construção do RaciocínioConexão entre “modelo de negócios” $\rightarrow$ “design intencional” $\rightarrow$ “dependência”Competência 3 (Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações para defender o ponto de vista).
FluidezUso de transições (“Em primeiro lugar”, “Assim”, “De fato”, “Por conseguinte”, “Portanto”).Competência 4 (Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação).

Perguntas frequentes:

Quais são os principais sintomas da dependência digital?

Os principais sintomas incluem: irritabilidade ou ansiedade na ausência do dispositivo, isolamento social, sedentarismo, dificuldades de concentração prolongada, prejuízo na qualidade do sono e uso da internet como principal forma de escapismo de emoções negativas.

Qual citação filosófica usar sobre o vício em tecnologia?

Pode-se usar a crítica de Martin Heidegger sobre a tecnologia ameaçar a capacidade de reflexão do ser humano. Outra opção é a análise de Shoshana Zuboff sobre o Capitalismo de Vigilância, que intencionalmente projeta ambientes digitais viciantes.

Por que o documentário O Dilema das Redes é um bom repertório?

O documentário é um repertório de alta autoridade porque traz o depoimento de ex-engenheiros e designers das plataformas que confirmam o design intencional dos algoritmos para maximizar o tempo de tela e o engajamento, reforçando a ideia de que a dependência é um problema estrutural.

Referências:

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. (Referência para o conceito de “Modernidade Líquida”).

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. (Referência para a crítica da tecnologia e a irreflexão).

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020. (Referência para o conceito de “Capitalismo de Vigilância”).

BRASIL. Lei n.º 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 15 ago. 2018. Disponível em: [Endereço do Planalto]. Acesso em: [Data de Acesso]. (Referência para a LGPD).

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital: manual de orientação. São Paulo: SBP, 2019. Disponível em: [Endereço do documento da SBP]. Acesso em: [Data de Acesso]. (Referência para as diretrizes sobre tempo de tela e “Chupeta Digital”).

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