Quem foi Tião Rocha? Educação como transformação social

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“Antropólogo por formação, educador por opção política, folclorista por necessidade, mineiro por sorte e atleticano por sina.”, Tião da Rocha abriu caminhos possíveis para uma educação alternativa e libertadora.

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Meu nome é Tião. Sebastião é apelido. Ninguém me chama pelo apelido. Antropólogo por formação, educador por opção política, folclorista por necessidade, mineiro por sorte e atleticano por sina.” É assim, com leveza e firmeza, que Tião Rocha se apresenta ao mundo — e esse pequeno trecho já revela muito sobre sua trajetória e seu jeito de enxergar a vida.

Além disso, inspirado pelas ideias de Paulo Freire e Rubem Alves, Tião fundou o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), em 1984, para promover uma educação libertadora, criativa e conectada às realidades das comunidades.

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Quem foi Tião Rocha?

Antropólogo, folclorista, pesquisador, educador e educomunicador, Tião Rocha é mineiro, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, e foi professor durante muitos anos na Universidade Federal de Ouro Preto.

Assim, sua trajetória tem forte inspiração nas ideias de Paulo Freire, especialmente no início de sua atuação, quando trabalhou com comunidades carentes do interior do Brasil.

Além disso, esse vínculo com o povo do interior nasce de um momento marcante em sua história: sua origem nas camadas populares de Minas Gerais, a formação como antropólogo e uma perspectiva marxista.

Com o tempo, o trabalho de Tião ultrapassou as Minas Gerais e se espalhou por cidades de São Paulo, Maranhão e, mais adiante, chegou a países africanos como Moçambique e Guiné-Bissau.

À frente do CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento), Tião Rocha foi reconhecido por diversos prêmios nacionais e internacionais — entre eles, honrarias da Fundação Abrinq e da Unicef, entre 1985 e 1998.

Em 2001, foi eleito um dos 20 maiores líderes sociais do Brasil. Já o CPCD, em 2016, foi reconhecido pelo MEC como instituto de referência em inovação e criatividade na Educação Básica.

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Sobre experiências geradoras:

Tião Rocha, entusiasta e seguidor atento de Paulo Freire, com quem chegou a colaborar, desenvolve sua proposta pedagógica com base em ideias que dialogam diretamente com a noção de “palavras geradoras” freireanas.

Essas palavras, segundo Freire, são aquelas que fazem sentido para os aprendizes, por nascerem de suas realidades, vivências e cotidianos. Assim, a partir delas, desenrolam-se práticas de alfabetização conectadas à realidade.

Nesse sentido, esse conceito é explorado profundamente em Pedagogia do Oprimido (1987), uma das obras mais influentes do educador.

Vale abrir um parêntese para lembrar que essa abordagem, muitas vezes tratada como “método”, serviu de base para importantes projetos de alfabetização promovidos por governos progressistas em diferentes contextos.

Por fim, um exemplo marcante é a Cruzada Nacional de Alfabetização Sandinista, implementada na Nicarágua em julho de 1979.

Cruzada Nacional de alfabetização Sandinista:

Nessa experiência, o povo recém-libertado da ditadura aprendia as vogais por meio da expressão “la revolución” — uma alfabetização politizada e profundamente conectada à realidade vivida.

Além disso, é possível traçar paralelos entre essas ideias e as vivências de infância e juventude de Tião Rocha, que, como Freire, construiu suas convicções pedagógicas a partir de experiências concretas.

Assim, suas propostas educativas também se ancoram em experiências geradoras — episódios significativos de sua trajetória pessoal e social, que moldaram a prática transformadora que hoje leva adiante.

CPCD e as Pedagogias de Tião Rocha:

1. O Surgimento do CPCD

O Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) foi fundado em 1984, na cidade de Curvelo, em Minas Gerais, a partir de uma inquietação profunda de Tião Rocha sobre os caminhos possíveis para uma educação alternativa e libertadora.

O ponto de partida não foi estabelecer metas tradicionais, mas sim definir aquilo que não se queria para a educação — uma proposta conhecida como os “não-objetivos educacionais”, inspirada nas experiências negativas vividas por muitas comunidades.

Essa proposta se baseou em duas referências essenciais: Paulo Freire e Rubem Alves. De Freire, Tião herdou a visão da educação como prática da liberdade; de Rubem, a compreensão do conhecimento como sonho, invenção e aventura.

2. Fundamentos Pedagógicos

Influência de Paulo Freire

A pedagogia freireana serviu como alicerce para a atuação do CPCD. A educação é vista como instrumento de conscientização e libertação, especialmente em contextos marcados pela desigualdade.

Além disso, em oposição ao modelo bancário e domesticador, defende-se uma educação dialógica, que forma sujeitos críticos e ativos em suas comunidades.

Diálogo com Rubem Alves

Rubem Alves também deixou marcas profundas na concepção pedagógica de Tião Rocha. Para ele, o conhecimento deve ser um processo criativo, vivo e conectado aos sonhos das pessoas e às realidades locais. Assim, aprender é tão natural quanto viver e desejar transformar o mundo.

3. Princípios do CPCD

O CPCD se estrutura em torno de princípios que valorizam o protagonismo comunitário e a integração entre saberes:

  • Horizontalidade: todos têm algo a ensinar e a aprender. O saber popular é valorizado tanto quanto o saber acadêmico.
  • “Empodimento”: a proposta é capacitar as comunidades para conduzirem suas próprias transformações, tornando-se autônomas.
  • Desenvolvimento sustentável: educação, cultura, meio ambiente e tecnologias sociais caminham juntos como pilares de mudança.

4. Projetos e Realizações

4.1. Projetos educacionais e culturais

O projeto Ser Criança (1985) foi um marco inicial: oferecia educação integral no contraturno escolar, com oficinas de arte, música, ecologia e cidadania. Dessa iniciativa surgiram ações como o Coral Meninos de Araçuaí e o Cinema Meninos de Araçuaí, ambos criados com recursos mobilizados pelas próprias crianças.

Outro destaque é a Estação Conhecimento, no Maranhão: um espaço que funciona como incubadora de projetos comunitários, reunindo fabriquetas, laboratórios de artesanato e desenvolvimento de softwares com enfoque social.

4.2. Sustentabilidade e permacultura

O Sítio Maravilha, em Minas Gerais, é um verdadeiro laboratório vivo de permacultura. Com hortas mandala, bioconstrução e técnicas de saneamento ecológico, o projeto promove a recuperação do solo e a produção agroecológica.

Em Araçuaí, o Projeto Arassussa trabalha com segurança alimentar, energias renováveis e capacitação de agentes rurais.

4.3. Saúde e bem-estar comunitário

A Casa Saudável, no Maranhão, promove mutirões para construção de banheiros compostáveis, sistemas de captação de água e tintas de terra, melhorando a qualidade de vida das famílias.

Já a iniciativa Cuidadores em Saúde forma agentes locais para prevenção de doenças como diabete e hipertensão, fortalecendo a saúde comunitária.

4.4. Tecnologias sociais e economia solidária

A Cooperativa Dedo de Gente é um espaço onde jovens produzem brinquedos, softwares e artesanato, fugindo de trabalhos precarizados e construindo autonomia.

Além disso, as Fabriquetas são unidades produtivas voltadas à economia solidária, com foco na produção de sabão, licores, papel artesanal e jogos educativos.

4.5. Expansão nacional e internacional

A atuação do CPCD também se expandiu para outras regiões do Brasil e do mundo. Na Plataforma Parelheiros, em São Paulo, o trabalho envolve ações de saúde comunitária e, além disso, combate à degradação ambiental.

Em Moçambique, os métodos do CPCD foram adaptados para os contextos de Nampula e Maputo, reforçando a universalidade da proposta pedagógica.

5. Impacto e reconhecimento

O CPCD e Tião Rocha foram reconhecidos por diversas instituições, como a UNICEF, e receberam prêmios nacionais e internacionais. Além disso, os projetos desenvolvidos serviram de modelo para políticas públicas, como o programa da Fiocruz voltado à formação de agentes comunitários de saúde.

Perguntas frequentes:

Quem é Tião Rocha?

Tião Rocha é um antropólogo e educador mineiro, fundador do CPCD. É referência mundial em pedagogia libertadora e criativa, utilizando a cultura e o saber popular como ferramentas de transformação social e desenvolvimento comunitário.

O que é o CPCD?

O Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) é uma instituição que promove educação alternativa e sustentável. Seu foco é o “empodimento” das comunidades por meio de tecnologias sociais, oficinas de arte e projetos de economia solidária.

Como funciona a pedagogia de Tião Rocha?

Inspirada em Paulo Freire e Rubem Alves, sua pedagogia baseia-se em “experiências geradoras”. O aprendizado ocorre fora da caixa escolar tradicional, sendo dialógico, lúdico e conectado às necessidades reais e aos sonhos da comunidade.

Quais são os principais projetos do CPCD?

Destacam-se o Ser Criança (educação integral), a Cooperativa Dedo de Gente (produção jovem e autonomia) e o Sítio Maravilha (laboratório de permacultura e sustentabilidade ambiental).

Qual o impacto do trabalho de Tião Rocha?

Seu método é reconhecido pela UNICEF e MEC, servindo de modelo para políticas públicas de saúde e educação no Brasil e em países como Moçambique e Guiné-Bissau.

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