O tema do futuro das profissões e o impacto da tecnologia, especialmente da Inteligência Artificial (IA), é um dos mais relevantes e atuais para a sociedade contemporânea.
Para o estudante que se prepara para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), dominar o repertório sociocultural sobre futuro das profissões é crucial para construir uma argumentação robusta e alcançar a nota máxima na redação.
A preocupação central reside na dicotomia entre a automação, que elimina postos de trabalho, e a criação de novas funções que exigem habilidades distintas. Então, se você quer saber mais sobre esse repertório sociocultural para a redação do ENEM ou vestibulares, continue com o CRIA.
1. O cenário factual: dados e a história das revoluções
Para argumentar com solidez, é fundamental contextualizar a Indústria 4.0 dentro da história das transformações do trabalho.
A evolução do trabalho: da máquina a vapor à IA
A história das Revoluções Industriais mostra que a tecnologia sempre transformou, e não apenas eliminou, o trabalho.
| Revolução | Característica Principal | Referência Sociocultural |
|---|---|---|
| 1ª Revolução | Máquina a vapor, transição do trabalho manual. | Filme Tempos Modernos (Charlie Chaplin), que retrata as condições desumanas e a rotina exaustiva do trabalhador na linha de produção. |
| 2ª Revolução | Eletricidade, produção em massa (Fordismo). | Conceito de Linha de Montagem (Henry Ford) e a divisão do trabalho, que padronizou processos e reduziu custos. |
| 3ª Revolução | Eletrônica e Tecnologia da Informação (TI), automação inicial. | O início da automação de processos e o uso da TI para modernizar as indústrias. |
| 4ª Revolução (Indústria 4.0) | Sistemas Ciberfísicos (CPS), Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial. | A fusão do mundo físico e digital, onde máquinas e sistemas se comunicam de forma autônoma. |
Dados atuais e a magnitude da mudança
O uso de dados concretos de instituições de prestígio confere legitimidade e autoridade inquestionáveis à sua argumentação.
- Fórum Econômico Mundial (WEF): O Relatório sobre o Futuro dos Empregos (2023) projeta que cerca de 23% dos empregos mundiais devem ser transformados até 2027 [1]. Embora a tecnologia crie 69 milhões de novos postos, ela deve eliminar 83 milhões, resultando em uma redução líquida de 14 milhões de empregos.
- OIT e FGV: Estudos indicam que até 37 milhões de trabalhadores brasileiros poderão ser impactados de alguma forma pela Inteligência Artificial [2].
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2. O arsenal filosófico e sociológico
As grandes ideias da Filosofia e Sociologia ajudam a embasar a discussão sobre o valor do trabalho e a crise de identidade na era da automação.
| Autor | Conceito ou Citação | Aplicação na Redação (Sugestão) |
| Zygmunt Bauman | Modernidade Líquida | Discutir a precarização e a volatilidade das relações de trabalho na era digital e a falta de estabilidade. |
| Jeremy Rifkin | O Fim do Trabalho | Ideal para a introdução. Apresenta a ideia de que a automação pode extinguir empregos em massa, abrindo espaço para discutir novas formas de trabalho. |
| John Maynard Keynes | Desemprego Tecnológico (1931) | Útil para mostrar que o medo da substituição humana por máquinas é um processo histórico e recorrente em revoluções industriais. |
| Manuel Castells | Ignorância dos Efeitos Tecnológicos | Argumentar sobre a falha educacional e institucional. A falta de preparação da sociedade gera a exclusão digital e profissional. |
| Immanuel Kant | “O homem é o único animal que precisa trabalhar.” | Refletir sobre a identidade humana. Se o trabalho define o homem, o que acontece quando a máquina assume suas funções? |
| Vernor Vinge | Singularidade Tecnológica | Repertório para temas sobre Ética e Inteligência Artificial, focando nos riscos de perder o controle sobre o desenvolvimento técnico. |
3. O conceito chave: Inteligência Aumentada
Para um argumento de intervenção moderno e sofisticado, utilize o conceito de Inteligência Aumentada (Augmented Intelligence).
- Definição: É a colaboração sinérgica entre humanos e sistemas de Inteligência Artificial, onde a tecnologia não substitui, mas sim amplifica as capacidades humanas. A IA assume tarefas de processamento e análise, liberando o ser humano para focar em habilidades estratégicas.
- Tese de Intervenção: A solução para o futuro do trabalho não é barrar a tecnologia, mas sim investir na educação que promova a Inteligência Aumentada, focando no desenvolvimento de habilidades que a máquina não pode replicar.
Segundo o estudo de Frey e Osborne (2013), as habilidades que dificilmente serão automatizadas estão ligadas à capacidade humana de:
- Percepção e Manipulação: Lidar com sistemas irregulares e ambientes não estruturados.
- Criatividade: Capacidade artística de criar algo e inovar fora de um contexto programado.
- Inteligência Social: Habilidades como negociação, persuasão, empatia e cuidado com o outro.
Isso se reflete na probabilidade de automação de diferentes cargos: enquanto um operador de telemarketing tem 99% de chance de ser substituído, um assistente social tem apenas 0,3% [3].
| Habilidades Essenciais na Era da I.A. | Por que a Máquina Não Substitui |
|---|---|
| Criatividade e Inovação | Capacidade de gerar ideias originais e soluções não-lineares. |
| Empatia e Inteligência Emocional | Essencial para liderança, negociação e profissões de cuidado. |
| Pensamento Crítico e Ética | Necessário para tomar decisões complexas e regulamentar o uso da própria tecnologia. |
4. Repertório audiovisual e literário
Referências de filmes e séries são excelentes para ilustrar a sua argumentação e demonstrar um repertório vasto.
Tempos Modernos (Charlie Chaplin, 1936):
Referência clássica para a 1ª e 2ª Revoluções Industriais. Use para contrastar a alienação do trabalho repetitivo da linha de montagem com a nova alienação do trabalho digital.
Black Mirror:
Perfeita para discutir as consequências éticas e sociais da tecnologia no trabalho e nas relações humanas. Use episódios específicos para ilustrar a vigilância, a automação e a precarização.
Onde assistir? Netflix
A Fantástica Fábrica de Chocolate:
A cena em que o pai de Charlie é substituído por uma máquina e depois recontratado para fazer a manutenção dela é um exemplo clássico de como a automação transforma o trabalho, em vez de apenas eliminá-lo.
Onde assistir? Apple TV
Ela (Her):
Aborda a relação humana com a Inteligência Artificial, podendo ser usada para discutir a crescente dependência tecnológica e a necessidade de desenvolver a inteligência emocional em um mundo automatizado.
Onde assistir? Prime Video
Literatura
Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley):
Um clássico distópico que pode ser usado para argumentar sobre o controle social e a padronização das funções, contrastando com a necessidade de diversidade de habilidades no futuro do trabalho.
Onde encontrar? Amazon
1984 (George Orwell):
Embora focado no totalitarismo, pode ser usado para discutir a vigilância e o controle que a tecnologia pode exercer sobre o trabalhador, levantando a questão da privacidade e da ética no ambiente de trabalho digital.
Onde encontrar? Amazon
Sociedade do Cansaço (Byung-Chul Han):
O filósofo sul-coreano discute a transição da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho, onde o indivíduo se torna seu próprio explorador. Perfeito para argumentar sobre a precarização e o esgotamento (burnout) na era do trabalho digital (gig economy).
Onde encontrar? Amazon
21 Lições para o Século 21 (Yuval Noah Harari):
Harari aborda o desafio do desemprego tecnológico e a necessidade de flexibilidade mental e aprendizado contínuo como habilidades essenciais para sobreviver às transformações do século.
Onde encontrar? Amazon
Perguntas frequentes:
Repertório Sociocultural é todo o conhecimento adquirido pelo estudante (filmes, livros, dados, citações, história) que pode ser usado para fundamentar a argumentação na redação. Ele é crucial porque demonstra que o estudante tem uma visão de mundo ampla e é capaz de relacionar o tema proposto com diversas áreas do conhecimento.
Você pode citar o WEF de forma direta: “Segundo o Relatório sobre o Futuro dos Empregos (2023) do Fórum Econômico Mundial, a transformação do mercado de trabalho é iminente, com a projeção de que 23% dos empregos mundiais sejam transformados até 2027.”
A tese mais sofisticada é a que propõe a Inteligência Aumentada. A intervenção deve focar na educação (Ministério da Educação e Tecnologia) para promover a requalificação profissional, ensinando habilidades socioemocionais e digitais que permitam a colaboração entre humanos e IA.
Referências:
[1] The Future of Jobs Report 2023 | World Economic Forum
[2] Relatório | IA no mercado de trabalho: quem ganha, quem perde e quem fica para depois | ITS Rio
[3] The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation? | Frey & Osborne (2013)
[4] Inteligência Aumentada: o que você precisa saber | Cortex Intelligence
[5] Impactos do avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho | FGV IBRE
[6] Estudo aponta que 1 em cada 5 empregos no Brasil pode ser afetado pela IA | Diário Digital
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